terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O VERDADEIRO JEJUM À LUZ DA BÍBLIA

O JEJUM BÍBLICO

Tendo recebido inúmeras indagações acerca do "jejum", resolvi escrever, de forma simples, porém com muita clareza e cuidado sobre o assunto, objetivando dirimir possíveis dúvidas.

"Jejuar" é abster-se de qualquer tipo de comida, durante um período limitado. A abstinência total e permanente de comidas "proibidas" específicas é um assunto bem se separado. Qual é o verdadeiro motivo do jejum? Nas religiões pagãs do mundo antigo, era claramente um medo de demônios, e a idéia de que o jejum era um meio eficaz para se separar um encontro com a divindade, pois criava o tipo correto de abertura diante da influência divina. Por esta razão, nas religiões místicas, pertencia ao ritual da iniciação dos noviços. Na magia, e com os oráculos, o jejum também era freqüentemente considerado um preparo necessário ao sucesso. Era bem difundido o costume de jejuar depois de uma morte. Enquanto a alma do morto ainda está por perto, há perigo da infecção demoníaca no comer e no beber. O jejuar também era exigido, por exemplo, em certos ritos de fertilidade. Assim, em Atenas é o nome que se dá ao dia de jejum no festival de fertilidade das mulheres, no mês de cada semeadura (outubro). A abstinência, que aqui inclui especialmente a abstinência sexual, torna a pessoa mais pronta para receber poderes divinos da fertilidade.

Na prática, era comum na totalidade do mundo antigo o jejum no ambiente de ritos religiosos, e como defesa contra desgraças, mas não o jejum por motivos éticos (ascetismos).

As formas e os propósitos do jejum são numerosos. O jejum se praticava em Israel como preparativo para uma conversa com Deus (Êx 34.28; Dt 9.9; Dn 9.3):

  1. Era praticado pelo indivíduo quando se sentia oprimido por grandes cuidados (2Sm 12.16-23; 1Rs 21.27; Sl 35.13; 69.10);
  2. Era praticado pela nação em perigos iminentes de guerra e destruição (Jz 20.26; 2Cr 20.3; Et 4.16; Jn 3.4-10; Jz 4.9,13); durante uma praga de gafanhotos (Jl caps 1 e 2); para trazer sucesso ao retorno dos exilados (Ed 8.21-23); como rito de expiação (Ne 9.1) e, finalmente, em conexão com o luto pelos mortos (Jr 14.11-12).

O jejum e a oração constantemente se acompanham (Jr 14.11-12; Ne 1.4; Ed 8.21,23. O jejum usualmente perdura desde a manhã até à tarde (Jz 20.26; 1Sm 14.24; 2Sm 1.12), embora Et 4.16 mencione um jejum de três dias. Na descrição em Sl 109.24, as tormentas do jejum durante o período de acusação são, ao mesmo tempo, um reflexo das tormentas enfrentadas pelo suplicante.

A lei israelita ordenava o jejum tão somente no dia da expiação (Lv 6.29-31; 23.27-32; Nm 29.7). Depois da destruição de Jerusalém, foram determinados quatro dias de jejum como dias de lembrança (Zc 7.3-5; 8.19).

No decorrer do tempo, o significado mais profundo do jejum, como expressão do humilhar-se do homem de Deus., foi perdido para Israel. Sempre mais, veio a ser considerado uma realização piedosa. A luta dos profetas contra esta despersonalização e esvaziamento do conceito (Is 58.3-7; Jr 14.12) ficou sem sucesso. Até receberem obrigação de observarem dois dias de jejum a cada semana.

Há, por exemplo, no Novo Testamento, certo número de passagens quanto à consistência:

  1. Segundo Mt 4.2, o próprio Jesus jejuou 40 dias e 40 noites antes de iniciar Seu ministério público;
  2. Em Mt 6.16, Jesus não condena o jejum propriamente dito, mas, sim, somente o jejuar com ostentação. O jejum não se deve realizar diante dos olhos dos homens, mas diante de Deus que vive em segredo e vê o lugar secreto;
  3. Conforme as palavras de Jesus em Mt 17.21, há certas condições de possessão demoníaca das quais o homem somente pode ser liberto "por meio da oração e do jejum";
  4. Em Ato 13.3 e 14.23, lemos que, na igreja cristã, a oração era apoiada pelo jejum.

Aspectos Gerais

Analisando a Bíblia, vemos que o jejum sempre fez parte da vida normal do povo de Deus. Jejum, como vimos, é a restrição dos apetites da alma e do corpo, para uma busca mais intensa da face de Deus. Esta restrição inclui a abstenção de alimentos sólidos e líquidos, sobretudo, quaisquer outras formas de satisfação de apetites naturais e legítimos.

Compreende uma forma de demonstração de autodisciplina voluntária e domínio de nosso espírito sobre a matéria e seus apetites naturais. Jejum da alma e, não somente do corpo (Sl 69.10). Corpo é servo, não patrão. O jejum, quando praticado com constância, tende a facilitar o jejuante a ser moderado em tudo. É uma arma potente e secreta contra o inimigo. Sendo assim, ele deve ser praticado em segredo entre Deus e o crente. Ninguém precisa saber que ele está jejuando, afinal, aí está o grande segredo de grandes homens que jejuaram e obtiveram grandes vitórias. No jejum, o crente tem a oportunidade de buscar o Senhor e, com isto, receber recompensa da parte de Deus ( Hb 11.6; Mt 6.17,18; Is 58.6-12).

Outro ponto importante e, que muitos se atrapalham em explicar é que o jejum envolve total abstinência de qualquer alimento. O ensino afirmando que se pode comer peixe e tomar suco de fruta e água assucarada durante o jejum, não tem cabimento e muito menos fundamento bíblico. Inclusive já ouvi em igrejas, comentários de que alguém fez jejum de tomar "coca-cola". Que absurdo!

Importante é também observar que o tempo de duração de jejum e sua freqüência depende de cada pessoa que jejua. Não deve ser obrigatório nem a duração nem a freqüência, se assim for, será puro legalismo.

É uma forma de mostrar a Deus a urgência da necessidade declarada na oração. Está diretamente vinculado a oração (Ne 1.4; Dn 9.3; Ed 8.23; At 10.30; 13.1; Lc 2.37). Nem todos podem jejuar, entretanto quem o faz deve dar graças a Deus por isso. Nos dias de Jesus os judeus jejuavam meramente por formalidade farisaica 2 vezes por semana( 2ª e 5ª feira), perfazendo um total de 104 jejuns por ano, Lc 18.12. Primeiro eles jejuavam 1 dia por ano, depois, 4 vezes por ano, por último 104 vezes por ano. Isto é, cresceram na Lei, e diminuíram na Graça. (Mt 6.16).

A prática do jejum é da vontade de Deus. Portanto, o crente não necessita de nenhuma revelação especial de Deus, ou motivo de força maior para poder jejuar, porque a Bíblia já indica que isso é da vontade de Deus.

Também já ouvi muitas vezes as pessoas dizerem: "estou jejuando há 118 dias etc..."Pura mentira, ostentação e vaidade. Quem jejua não deve se promover. Por outro lado, um jejum que supostamente tenha esta duração é uma forma de suicídio e, acredito que quem isso diz, já está morto há tempos, e, recebeu sua recompensa diante dos homens. É mais honesto, dizer que estamos fazendo um jejum "todos os dias, porém até tal hora". Não agindo assim, podemos induzir aos outros, terem uma impressão errada de nós. Exceto se estamos desejosos transparecer sermos sobrenaturais. Ainda insisto que, quando jejuamos, devemos ter propósitos bem definidos e específicos, caso contrário, será o simples: PASSAR FOME.

Dicas:

  1. Jejuar é por Deus em primeiro lugar;
  2. É uma forma de o crente humilhar-se diante de Deus;
  3. È uma forma de buscar a Deus para chegar mais perto dEle;
  4. É uma forma de buscar a compreensão da Palavra de Deus;
  5. É uma forma de conhecer a vontade de Deus e Sua direção para a nossa vida;
  6. É uma forma de buscar a cura divina;
  7. É uma forma de obter vitória contra os poderes do mal;
  8. É uma forma de buscar a intervenção divina quando em crise;
  9. É uma forma de interceder pelos outros;
  10. Jejue em dificuldade, em que nada dá certo;
  11. Jejue na consagração e envio de obreiros para o campo de trabalho;
  12. Jejue no trabalho do Mestre
  13. Jejue até Jesus voltar

O verdadeiro Jejum é aquele que envolve não só a abstinência de alimentos, mas também a abstinência da iniqüidade e dos prazeres temporais e ilícitos. Se o estômago é abstinente, mas o coração é impenitente e carnal, da nada vale o jejum espiritualmente.

Um comentário:

  1. Aqui em minha igreja, alguns irmãos têm o costume de anunciar, inclusive em "outdoor" os dias em que fazem jejum. Chega a ser ridículo. Outros utilizam o púlpito para dizer que estão a tantos dias em jejum. Jejum pelo pouco que aprendi, deve ser realizado em secreto e em segredo. Uma certa irmã me disse que fazia jejum de coca-cola e de sorvete. Só a misericórdia. Esse povo não conhece a Palavra de Deus.
    Graças a Deus temos este blog que pode nos orientar .
    Obrigado pasto.

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