quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Escola Biblica Dominical – A EXPANSÃO DO REINO DAVÍDICO - Fim

  1. O grande talento organizacional e administrativo Davi.
    1. A organização do exército. Havia 600 comandante que eram subordinados a um número menor de generais. O exército permanente de Davi tinha 24 mil homens. O sistema de rodízio envolvia 288 mil homens treinados prontos para serem convocados para batalha, o que permitia que aqueles que não estivessem em serviço se dedicassem às atividades civis. Esse sistema é o precursor do adotado em Israel em nossos dias.
    2. Nomeou governadores para as 12 tribos.
    3. Estabeleceu um gabinete administrativo central, com secretário-geral e chefe de gabinete, supervisor do Tesouro, secretario da agricultura, etc.
    4. Organizou os sacerdotes e levitas, sob a direção de Zadoque e Abiatar, para servirem no templo que Salomão construiria, dividindo-os em 24 turnos.
    5. Elaborou os planos para a construção do templo e proveu antecipadamente parte do material e recursos necessários.
  2. O saldo do período. Até esse ponto do reinado de Davi, Israel passou:
    1. Da anarquia administrativa para um forte governo central.
    2. Da confederação de tribos desunidas para uma nação unida.
    3. Da pobreza e tecnologia da Idade do Bronze para a economia e riqueza da Idade do Ferro.
    4. Da posição de reino acossado por inimigos para a de reino conquistador e suserano, o maior império de sua época.
    5. Do culto desorganizado para a adoração centralizada no lugar que Deus indicou (ver Dt 12.5).
  3. Algumas lições da expansão do reino davídico:
    1. Davi consultava ao Senhor antes de agir 1 Sm 23.2-4; 30.7, 8; 2 Sm 2.1; 5.19.
      1. E fazia conforme o Senhor dizia, 1 Cr 14.16,17.
    2. O segredo das vitórias: Deus era com ele, 2 Sm 5.10,12.
    3. Tudo quanto somos e temos, vem de Deus, 1 Co 4. 7; Tg 1.17; 1 Cr 29.14.
      1. O sucesso sem gratidão a Deus conduz à soberba e à ruína:
        1. Amazias venceu Edom, desviou-se, foi derrotado pelo reino do Norte e acabou assassinado, 2 Cr 25.
        2. Uzias: fez um governo magnífico, ficou soberbo e acabou leproso, 2 Cr 26.
    4. A gratidão pelas bênçãos inclui dedicar a Deus os frutos do sucesso, 1 Cr 18.9-11.
    5. Deus não aprovou os excessos que Davi praticou.
      1. A Bíblia não omite os maus procedimentos de Davi. Ela é imparcial.
      2. As matanças registradas em 1 Sm 27 não correspondiam ao propósito de Deus. Davi as praticou para conseguir espólios e por medo de ser denunciado, v. 11. Com os moabitas, ele foi sanguinário e cruel, 2 Sm 8.1-4.
      3. Por isso Deus não permitiu que Davi construísse o Templo, 1 Cr 22.7, 8; 28.3.
      4. Devemos lembrar que Deus não amava Davi por causa de suas virtudes e nem o desprezava por causa de seus defeitos. Assim como a nós. É a graça de Deus manifestada.

Prof. Daniel Fidélis de Barcellos

Escola Bíblica Dominical - A EXPANSÃO DO REINO DAVÍDICO - Parte 1

A Expansão do Reino Davídico

  1. As razões para a conquista de Jerusalém, 2 Sm 5.6-10.
    1. A cidade tinha uma localização estratégica: era cercada de vales profundos. Boas fontes de água. Por se achar situada sobre um platô, a uns 760m acima do nível do Mediterrâneo e a 1145m acima do nível do mar Morto, Jerusalém contava com boa proteção natural. A antiga cidade dos jebuseus tinha em torno de 5 hectares, e a sua população na época é estimada em aproximadamente 2 a 3 mil pessoas. Na escolha do lugar para a edificação da cidade, foi decisiva a existência de um manacial perene no vale do Cedrom, a chamada fonte de Giom.
    2. Evitava que o reino fosse dividido por um enclave inimigo.
    3. Central no reino.
    4. Aceitável a todas as tribos, o que evitaria ciúmes.
  1. A tomada de Jerusalém
    1. Havia uma fonte próxima a aldeia de Silo chamada fonte de Giom, que abastecia Jerusalém com água. Os jebuseus construíram um túnel secreto ligando o interior das muralhas a essa fonte. Davi descobriu a existência desse túnel e Joabe entrou na cidade por ele, atacando a cidade já dentro dos murros. Essa passagem foi descoberta em 1998 por Ronny Reich e Eli Shukron (Manual Bíblico de Halley pág.221). Ver os casos de Tróia e Constantinopla.
    2. A cidade de Davi era uma pequena parte da Jerusalém do Antigo e Novo Testamentos.
  2. A importância de Jerusalém.
    1. Transformada no centro de culto a Deus, Jo 4.20; Sl 122.
    2. Passou a ser chamada de cidade de Davi, 2 Sm 5.7.
    3. O afeto de Israel por Jerusalém Sl 137.
      1. O clamor por secular a cada Páscoa: "No próximo ano, em Jerusalém".
    4. O seu simbolismo: Mt 5.35; Gl 4.25,26; Ap 21.1, 2, 10, 11.
    5. A transferência da arca para Jerusalém 2 Sm 6.
      1. A arca representava a presença de Deus no meio do povo.
  3. As demais campanhas de Davi

Ver 2 Sm 5; 8; 10. 1 Cr 14; 18 a 20. É difícil determinar a seqüência cronológica exata das campanhas de Davi pois a Bíblia as narra entrelaçadas com outros assuntos. Mas, no final, Davi assumiu o controle de um império de tamanho considerável.

Quando os amonitas humilharam os embaixadores israelitas raspando metade da barba e rasgando metade da roupa de cada um, Joabe, o comandante do exército de Davi, cercou Rabá (atual Amã), a capital de Amom. Os amonitas contrataram mercenários dos estados arameus de Bete-Reobe, Zobá e Tobe, ao norte. Joabe expulsou os arameus, mas eles se reagruparam e voltaram com um novo exército. Davi deslocou suas tropas para Helã (talvez a atual Alma, no sul da Síria) e derrotou os arameus, matando seu comandante, Sobaque. Enquanto Joabe deu continuidade ao cerco a Rabá, Davi voltou a Jerusalém e, por essa época, cometeu adultério com

Bate-Seba e ordenou que seu marido Urias fosse morto. Além de ter seu nome denegrido por esses atos, Davi recebeu uma repreensão severa do profeta Natã.

Por fim, Rabá foi tomada, o povo da cidade foi sujeitado a trabalhos forçados e a coroa amonita repleta de jóias, pesando cerca de 34 kg, foi colocada, provavelmente apenas por alguns instantes, sobre a cabeça de Davi.

Após derrotar os moabitas, Davi derrotou os edomitas no vale do Sal, a Sudoeste do mar Morto e colocou guarnições em todo Edom.

Em seguida, ele voltou sua atenção para o Norte. Derrotou Hadadezer, monarca do reino arameu de Zobá, e tomou dele mil carros. Considerando-se que Davi jarretou ou aleijou todos os cavalos que puxavam os carros, poupando apenas cem animais, ele parecia não considerar os carros importantes para os seus próprios exércitos. Os israelitas ainda travavam a maior parte de suas

batalhas à pé. Quando os arameus de Damasco socorreram Hadadezer de Zobá, Davi os derrotou e colocou guarnições em Damasco. O reino de Davi se estendeu do ribeiro do Egito (Wadi el-Arish) até perto do rio Eufrates.

Davi tomou como espólio de Hadadezer escudos de ouro e uma grande quantidade de bronze. Toú (ou Toí), o rei arameu de Hamate, certamente ficou satisfeito com a derrota de Zobá e, ansioso para firmar uma

relação amigável com Davi, enviou seu filho Jorão a fim de parabenizá-lo e presenteá-lo com ouro, prata e bronze. Talmai, o rei arameu de Gesur, deu a mão de sua filha Maaca em casamento a Davi. Hirão, o rei da cidade costeira fenícia de Tiro, também considerou importante manter relações amigáveis com Davi e, além de toras de cedro, enviou carpinteiros e canteiros, que construíram um palácio para Davi em Jerusalém. (resumido do Atlas Histórico e Geográfica da Bíblia, Paul Lawrena, SBB, p.64)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Parábola das dez virgens – Mt 25.1-13 - Final

Essa não é a porta (v.10) da salvação, mas aquela pela qual se entra no desfrute das Bodas do Senhor.

Essa é a apresentação tardia (mais tarde)V.11, dos crentes ressuscitados diante do Senhor em virtude de não estarem apercebidos.

Aqui s sentença não vos conheço traz o sentido de não reconhecer, não aprovar. As virgens insensatas tinham as lâmpadas acesas, saíram ao encontro do Senhor, morreram e foram ressuscitadas e arrebatadas, mas foram tardias em pagar o preço para encher-se do Espírito Santo. Por causa disso, o Senhor não as quis reconhecer nem aprovar. Assim, não puderam participar das Suas Bodas. Elas perdem esse galardão dispensacional, mas não a sua salvação eterna.

Podemos então considerar:

  1. O propósito das virgens que foi o de se encontrarem com o esposo – sem dúvida um bom propósito. Quais são os propósitos que mais preocupam o pensamento humano? Alguns aspiram a, mais cedo ou mais tarde encontrarem-se com Cristo
  2. A prudência das virgens. Notemos que havia aparente semelhança exterior entre elas, mas fundamental diferença intima. Cinco prudentes, cinco loucas.
  3. O preparo das virgens para se encontrarem com o esposo era, então, azeite nas lâmpadas: uma figura do Espírito Santo. Qual é o preparo de que nós precisamos?
  4. A paciência das virgens. Houve uma demora inesperada, como também parece acontecer com segunda vinda de Cristo; e essa demora serviu para revelar a prudência das virgens. O decorrer dos anos descobre, em nós, o quê?
  5. O prêmio das virgens prudentes foi o de entrarem no gozo do noivo. Há galardão para o crente em Cristo, pois gozará futuramente a companhia do seu Senhor
  6. O prejuízo das virgens loucas foi a perda de toda essa alegria. O remorso por bênção perdidas pode bem ser um dos principais castigos impenitentes.

A lição da parábola é "Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora". Efeitos desta vigilância:

  1. Guarda-nos de demasiada preocupação com interesses atuais
  2. Preserva do desânimo que poderia resultar das provações do momento
  3. Inspira-nos com grande esperança para o porvir
  4. Preocupa-nos com o Cristo, não como sofredor, mas como Rei vindouro.

A Parábola das dez virgens – Mt 25.1-13 Parte 1

As dez virgens (Mt 25.1-13)

Após ouvir atentamente os "pregadores eletrônicos" abordarem o texto de Mt 25.1-13 e, observar algumas contradições,resolvi, atendendo a uma comunidade de Brasília –DF , outra do Rio Grande do Sul e uma de São Paulo Capital comentar de forma resumida o assunto.

Lembremo-nos que o sermão profético é interrompido por parábolas desde 24.32 até 25.31, e as destes capítulos ensinam outra vez a necessidade de vigilância (1-13) e fidelidade (14-30).

As virgens representam os cristãos, professos, vistos sob o ponto de vista da vida (2 Co 11.2, dos quais cinco são renascidos. Os crentes, que são o povo do reino, são como virgens castas. Como tais, sustentam o testemunho do Senhor (a lâmpada) nesta era tenebrosa e saem do mundo ao encontro do Senhor. Para tanto, precisam não somente do habitar interior do Espírito santo, mas também ser enchidos por Ele.

As lâmpadas representam o espírito dos crentes (Pv 20.27), que contém o Espírito de Deus como azeite (Rm 8.16). Os crentes irradiam a luz do Espírito de Deus do interior do seu espírito. Assim, tornam-se a luz do mundo e resplandecem como lâmpadas nas trevas desta era (Mt 5.14-16); Fp 2.15,16), sustentando o testemunho do Senhor para a glorificação de Deus.

O termo "saíram" (v.1) indica que os crentes estão saindo do mundo ao encontro do Cristo que há de vir. O noivo representa Cristo como alguém agradável e atraente (Jo 3.29; Mt 9.15).

Cinco (v.2)compõe-se de quatro mais um, o que significa que o homem (representado pelo número quatro) acrescido de Deus (representado pelo número um) assume responsabilidade.

O fato de cinco das virgens serem insensatas e cinco prudentes não indica que metade dos crentes são insensatos e metade prudentes. Indica, sim, que todos os crentes têm a responsabilidade de encher-se do Espírito santo.

O fato de serem insensatas não torna falsas essas cinco virgens. Em natureza, são iguais às cinco prudentes.

O azeite representa o Espírito Santo (Is 61.1; Hb 1.9).

O homem é um vaso feito para Deus (Rm 9.21,23, 24), e a sua personalidade está na alma. Portanto, as vasilhas aqui representam as almas dos crentes. As cinco virgens prudentes não somente têm azeite nas lâmpadas, mas também o levam nas vasilhas. O fato de terem azeite nas lâmpadas significa que o Espírito de Deus habita no seu espírito (Rm 8.9,16), e o fato de levarem azeite nas vasilhas significa que têm o Espírito de Deus enchendo e saturando as suas almas.

Existe ou não uma abóboda celestial no firmamento celestial?

A Bíblia está errada ao falar de uma abóboda celestial sobre a terra? (Jó 37.18)

Jó fala que Deus estendeu "o firmamento, que é sólido como espelho fundido" (Jó 37.18). De fato, a palavra hebraica para "firmamento" (raqia), que foi criado por Deus (cf. Gn 1.6), no dicionário hebraico é definida como um objeto sólido. Mas isso está em total conflito com o atual entendimento científico de que o espaço não é sólido e de que é altamente vazio.

É verdade que originalmente a palavra hebraica raqia significava um objeto sólido. Entretanto, o sentido não é determinado pela origem da palavra (etimologia), mas pelo uso. Quando referindo-se à atmosfera sobre a terra, "firmamento" com certeza não significa algo sólido.Isso é evidente por várias razões.

Primeiro, a palavra raqia (forjar, desenrolar) é traduzida corretamente em algumas versões como o verbo "expandir". Assim como o metal se expande e se afina quando batido (cf. Êx 39.3; Is 40.19), assim é o firmamento.

Segundo, o sentido básico de "desenrolar" pode ser usado independentemente de "forjar", como ocorre em várias passagens (cf. Sf 136.6; Is 42.5; 44.24). Isaías escreveu "Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz" (Is 42.5). Este mesmo verbo é empregado com o significado de estender cortinas ou tendas dentro das quais morar (o que não teria sentido algum se o verbo se referisse a uma ação que não deixasse espaço interior para nele a pessoa ficar). Isaías, por exemplo, falou que o Senhor "está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são como gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar" (Is 40.22).

Terceiro, a Bíblia menciona a chuva que cai do céu (Jó 36.27). Mas isso não teria sentido se o céu fosse uma abóboda metálica. Nem a Bíblia menciona buraco nessa abóboda metálica pelos quais a água passaria, caindo em forma de gotas. Ela fala, é claro, com uma linguagem figurada quando diz que "as comportas dos céus se abriram" (Gn 7.11), quando acontece o dilúvio. Mas essa expressão não é para ser tomada literalmente, da mesma forma como não tomamos de modo literal a seguinte frase dita por alguém: "estavam ali cinco gatos pingados".

Quarto, o relato da criação em Gênesis fala de aves que voam "sobre a terra, sob o firmamento dos céus" (Gn 1.20). Mas isso seria impossível se o céu fosse sólido. Assim, é mais apropriado traduzir raqia como o verbo "expandir" (como o faz a NVI), cujo sentido não conflita com o conceito de espaço da ciência moderna.

Quinto, mesmo que tomada literalmente, a afirmação de Jó (em 37.18) não diz que os céus são um "espelho fundido", mas apenas que eles s ao "como espelho fundido". Em outras palavras, trata-se de uma comparação feita quando o texto diz que Deus é realmente uma Torre Forte (cf. Pv 18.10). Além disso, o ponto de comparação em Jó não é a respeito da solidez dos "céus" e do espelho, mas da sua durabilidade (cf. a palavra chazaq no versículo 18).

Assim, quando tudo isso é levado em consideração, não há evidência de que a Bíblia esteja afirmando que o firmamento é uma abóboda metálica. E, portanto, não há conflito algum com a ciência moderna.

Deus Aprova a Mentira? Como Deus poderia usar “espíritos mentirosos” para fazer Sua vontade se Ele proíbe mentira?

Como Deus poderia usar "espíritos mentirosos" para fazer Sua vontade ele proíbe mentira?

As Escrituras ensinam que "Deus é a verdade" (Dt 32.4 SBTB) e que "é impossível que Deus minta" (Hb 6.18). Ainda, Deus nos ordena a não mentir (Êx 20.16), e ele punirá com severidade aqueles que forem mentirosos (Ap 21.8). Contudo, apesar de tudo isso, nesta passagem Deus é representado como Aquele que recruta um espírito de mentira para seduzir o rei Acabe a selar o seu próprio destino. O texto diz: "Eis que o Senhor pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas" (1Rs 22.23).

Vários fatores devem ser considerados para entendermos esta situação.

Primeiro, trata-se de uma visão. Como tal, é uma visão de uma cena no céu, que procura explicar a autoridade soberana de Deus com imagens de sua posição como rei.

Segundo, toda encenação disso representa Deus com a ampla autoridade que ele possui, de forma que até mesmo os espíritos malignos aparecem como estando sujeitos ao controle final de Deus.

Terceiro, o Deus da Bíblia, em contraste com os deuses das religiões pagãs, soberanamente está no controle de todas as coisas, inclusive das forças malignas que ele usa para realizar os seus bons propósitos (cf. Jó 1-3).

Quarto, a Bíblia às vezes fala de Deus "endurecer" o coração das pessoas ou ainda de enviar-lhes a "operação do erro, para darem crédito à mentira" (2Ts 2.11). Entretanto, examinando com mais cuidados o texto, descobrimos que Deus agiu assim somente nas pessoas que por si mesmas tinham endurecido o seu coração (Êx 8.15) e que não haviam dado "crédito à verdade" (2Ts 2.12).

Para resumir, Deus não está aprovando a mentira. Ele simplesmente a está utilizando para cumprir Seus propósitos. Deus não está promovendo a mentira, mas permitindo que ela venha trazer juízo sobre o mal.

Isso significa que o Senhor, visando os Seus propósitos de justiça, permitiu que Acabe fosse enganado por um espírito maligno, por meio do qual Deus sabia, segundo a sua onisciência, que a Sua soberania e boa vontade acabaria sendo realizada.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Deus: Arca, Morte, Dança e Esterilidade – Banalizações - Boas Intenções - Malícias – 2Sm 6 – Final

Em seguida vem a reação de toda esta confiança. "Davi teve medo de Jeová naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca de Jeová? Assim passamos de um extremo a outro, e de acordo com a medida da nossa primeira confiança, vem a ser a profundeza do nosso desespero. Onde esperamos encontrar as provas de uma benigna aceitação e aprovação de Deus, temos, por vezes, achado os sinais do seu desagrado. Mas, como temos visto, o caso é simples. Como podia Deus aceitar o completo abandono da Sua Palavra e a adoção dos meios dos filisteus, quando Ele tinha revelado a Sua vontade? E isto feito bem publicamente, e por todo povo".

Obede-Edom. Receber a arca de Deus na sua casa era uma experiência inesperada. Dias antes ele não tria sonhado em tal coisa. Isso significa receber Cristo no coração. Para alguns, é uma experiência gloriosa e abençoada. Para outros é uma experiência ainda a ser realizada.

Podemos crer que Obede-Edom recebeu a arca reverente, humilde, esperançosamente, crendo que nisso ele fazia a vontade de Deus. Receber a arca de Deus na sua casa era uma experiência passageira. A arca não ficaria ali para sempre. Era necessário aproveitar bem as semanas, porque no ano seguinte não haveria oportunidade.

Davi. Neste trecho, parece-nos ser um homem piedoso, desejoso, sobretudo, de ter bem perto dele sempre o símbolo da presença de Deus. Somos assim, porventura, também desejosos de sentir Deus bem perto, mesmo nas nossas horas mais íntimas? Davi era um homem instruído, e compreendia que não podia aproximar-se de Deus sem o devido sacrifício (v.13).

Davi era um homem entusiasta, que não se poupava em demonstrar o seu fervor religioso. Davi era um homem generoso, que fez uma festa para o povo ao mesmo tempo que adorava a Deus.

Mical. É o tipo de uma pessoa carnal, que desprezava porque não compreendia um entusiasmo espiritual. Evidentemente, era indigna de ser esposa de Davi, porque ela não podia compreender seu culto a Deus; porque não era submissa, como deve ser uma esposa; porque usava um exagero malicioso e mentiroso em descrever a cena que presenciara (v.20); não podemos pensar que Davi tenha feito qualquer coisa indecente com o uso do vestuário de sacerdote. (vj Lv 16.4)

A conseqüência para Mical desta crítica carnal de um ato religioso foi perder a intimidade com Davi que, como esposa, havia de esperar (v.33).

Devemos recear que, em consequência de sentidos carnais em assuntos espirituais, percamos nossa intimidade com Cristo.

Deus: Arca, Morte, Dança e Esterilidade – Banalizações - Boas Intenções - Malícias – 2Sm 6 – Parte 1

Davi traz a arca para Perez-Uzá. 2Sm 6

Davi, embora quisesse ser um servo fiel, comete um grande erro que acarreta conseqüências graves. É bastante estranho que, num assunto como este, ele não indague nada de Deus nem se lembre da direção dada na Lei referente ao transporte da arca e vasos sagrados. Ainda mais estranho é que, de todas as pessoas apartadas para o serviço do santuário, não tenha havido nenhum sacerdote ou levita para advertir o bem-intencionado rei sobre o modo prescrito de conduzir a arca. Muito já tinham sofrido os filisteus devido à desonra feita à arca. Muito sofreram os homens de Betes-Semes.

Contudo o expediente dos filisteus – o carro de vacas – para descobrirem, da melhor maneira que sabiam se deveras foi a mão de Jeová que os ferira: esse é o modo que Davi adota para levar a arca a Sião!

É verdade que Deus permita aos filisteus aprender a sua lição desse modo, e isso talvez fosse o motivo de Davi adotar o mesmo meio, mas essa imitação não tinha desculpa. Deus falara sobre o assunto e a ignorância do que Ele determinara mostrava descuido, ou aquecimento culpável.

Como podia Deus neste frisante exemplo, perante os olhos da nação inteira, estabelecer um precedente para os tempos futuros, e fazer pouco caso da Sua própria honra?

E vão atrás dos filisteus, como todos os imitadores costumam fazer. Os filisteus tinham pensado que, se Jeová era Deus, o gado havia de Lhe obedecer em qualquer direção humana, e até contra seus próprios instintos. Mas os israelitas, ao entregarem a arca ao carro, querem que Uzá e Aio guiem o gado. Não têm confiança no seu próprio expediente e já estão entregues à obra perigosa de contas os próprios recursos no caso de aparecer qualquer dificuldade. Nada mais então tinham aprendido durante todos os anos em que a arca estivera na casa de Abinadabe!

Contudo a coisa vai bem no princípio. Há regozijos e abundantes demonstrações de lealdade da parte do povo, até que chegando ao lugar preparado, os bois tropeçam e Uzá estende a mão e segura a arca. Uzá significa "força", mas ele não se havia medido na presença de Deus, nem aprendido a verdadeira fonte da força. Seu ato revela o que a arca significa para ele – o ato de uma alma ignorante de Deus e de si mesmo. Ele é ferido, e o eirado preparado vem a ser Perez – Uzá, "o quebramento da força". Uzá morreu porque a obra de Deus naqueles dias se tornou uma coisa comum. Tão comum que os sacerdotes esqueceram que a arca só poderia ser transportada nos ombros dos sacerdotes (1Cr 15.13-15).

É estranho que no serviço do santuário Davi fosse tão ignorante: mas casos semelhantes abundam entre nós hoje. O fato de ser bem-intencionada muitas vezes impede a pessoa de procurar indagar a vontade do Senhor, ou de verificar tudo pela Sua Palavra. Se a coisa proposta for boa em si, por que tanto escrúpulo quanto a modos e métodos? Quão pouco compreendemos a falta de reverência que jaz sob uma aparência de devoção honesta, onde presume-se que a sabedoria humana é suficiente para tomar uma resolução sem consultar a Deus, ou a força humana suficiente para operar a Sua vontade! Quantas vezes nossos "Uzás são feridos, justamente quando imaginamos que nosso serviço deve ser bem aceitável a Deus!

Se o suicídio é um pecado, por que Deus abençoou Sansão por tê-lo cometido?

Se o suicídio é um pecado, por que Deus abençoou Sansão por tê-lo cometido?

O suicídio é uma forma de assassinato e Deus disse: "Não matarás" (Êx 20.13). Há muitos casos de suicídio na Bíblia e nenhum deles recebeu aprovação de Deus. Contudo, Sansão cometeu suicídio com o aparente consentimento do Senhor.

Sansão não tirou a sua vida; ele sacrificou-se por seu povo. Há uma grande diferença. Jonas orou: "Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver" (Jn 4.3). Mas Jonas nunca tirou a sua vida.

O suicídio é um ato "para si mesmo". O que Sansão fez foi entregar a sua vida pelos outros – pelo seu povo. O ato de Sansão foi um ato de suicídio tanto quanto o foi o ato de Cristo, quando este disse: "dou a minha vida" (Jo 10.15), porque "o bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (Jo 10.11). Com efeito, "ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria a vida em favor dos seus amigos" (Jo 15.13).

É claro que nem toda aparente morte "pelos outros" é realmente um ato de amor. Paulo deixou isso evidente no seu grande capítulo acerca do amor: "e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará" (1Co 13.3). Até mesmo um mártir pode morrer sem que haja amor, mas numa obstinada entrega a uma causa centralizada na SUS própria pessoa. Saul optou pela morte, dizendo: "para que porventura ao venham estes incircuncisos, e me traspassem e escarneçam de mim" (1Sm 31.4).

Abimeleque procurou a morte, e disse a seu escudeiro: "mata-me, para que não se diga de mim: Mulher o matou" (Jz 9.54).

Em contraste, Sansão pediu permissão a Deus para morrer, e orou: "Morra eu com os filisteus" (Jz 16.30). Deus acedeu ao seu pedido, "e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida" (v.30). Paulo também desejou "ser anátema, separado de Cristo, por amor de "seus irmãos (Rm 9.3). O soldado que se atira sobre uma granada para salvar a vida de seus companheiros não está tirando a sua vida, não está se suicidando; ele está dando a sua vida pelos outros.

De igual modo, Cristo não cometeu suicídio, tendo ele vindo para "dar a Sua vida em resgate por muitos" Mc 10.45

O que é de fato o pregador – Parte 1 - John Stott

 

A primeira observação que desejo fazer com respeito ao que é ou deve ser o pregador.

Não é um profeta. Ele não recebe uma mensagem de Deus como revelação original e direta. Na verdade, algumas pessoas usam de forma errada a palavra "profeta" hoje em dia. Com freqüência ouvimos que quem prega com fervor ser descrito como quem tem "unção profética"; já que ele sabe interpretar e discernir os sinais dos tempos, que vê a mão de Deus nos fatos do dia-a-dia e procura interpretar o significado das tendências sociais e políticas, diz-se às vezes que é profeta ou tem intuição profética. Afirmo com convicção que o uso do título "profeta" é inadequado.

A característica essencial do profeta não era prever o futuro nem interpretar a atividade presente de Deus, mas falar as palavras de Deus. Como Pedro explicou, "nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo" (2Pe 1.21).

Então, o pregador precisa ter cuidado quando afirma do púlpito eu: "profetizo", vez que o termo foi banalizado, tornando-se uma falácia,de maneira que, é como atirar no escuro, se pegar pegou,ou seja, se der certo foi Deus. E se não der certo? Quem assumirá as responsabilidades?

Portanto o pregador cristão não é um profeta. Ele não recebe nenhuma revelação original; sua tarefa é expor a revelação que já foi definitivamente dada. E embora pregue no poder do Espírito Santo, ele não é "inspirado" pelo Espírito no sentido em que os profetas o foram. Certo, "se alguém fala", deve falar "de acordo com os oráculos de Deus", ou "como se pronunciasse palavras de Deus" (1Pe 4.11).

Agora que a Palavra de Deus escrita está à disposição de todos nós, a Palavra de Deus no discurso profético não é mais necessária. A Palavra de Deus não vem mais aos homens hoje. Ela já veio a todos os homens; agora os homens é que precisam ir a Ela.

Não é um apóstolo. O pregador cristão, também não é um apóstolo. A igreja é apostólica por ter sido fundada sobre a doutrina dos apóstolos e enviada ao mundo para pregar o evangelho. Mas os missionários que plantam igrejas não devem ser chamados "apóstolos". O termo é incorreto, mas este assunto é matéria para outro momento. A única base para o apostolado era a comissão pessoal, à qual devemos acrescentar um encontro com Jesus após a ressurreição. Nunca mais haverá ou poderá haver pessoas que possuam todas as qualificações para o serem.

Portanto assim como a palavra "profeta" deve ser reservada para as pessoas no Antigo Testamento e no Novo, a quem a palavra de Deus veio diretamente, quer sua mensagem tenha chegado até nós, quer não a caracterização de alguém como "apóstolo" deve ser reserva aos Doze e Paulo, pois foram especialmente comissionados e investidos de autoridade por Jesus como tal. Esses homens eram únicos. Não deixaram sucessores.

Não é um falso profeta ou falso apóstolo. O pregador não é e nem deve ser um falso profeta ou um falso apóstolo. Ambos aparecem na Bíblia, e a diferença entre o verdadeiro e o espúrio é claramente definida em Jeremias 23. O verdadeiro profeta é alguém que "esteve no conselho do Senhor, e viu e ouviu a sua palavra" (v.18,22). Já os falsos profetas "falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor" (v.16).

Eles proclamam só o engano do seu próprio coração "(v.26). Proclamam mentiras em nome de Deus (v.25). O contraste aparece com toda a força no versículo 28: "... o profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor". A opção é entre ouvir "cada um a sua própria palavra" e "ouvir as palavras do Deus vivo" (v.36).

Embora não existam mais profetas e apóstolos, temo que haja falsos profetas e falsos apóstolos. Gente que fala as próprias palavras e não a Palavra de Deus. A mensagem vem de suas mentes. Gente que gosta de ventilar suas opiniões sobre religião, ética, teologia e política. Elas podem até seguir a tradição de iniciar seus sermões com um texto bíblico, mas o texto tem pouca ou nenhuma relação com a mensagem que se segue, e não há nenhuma tentativa de interpretar o texto dentro de seu contexto próprio.

Além disso, com muita freqüência esses pregadores, a exemplo dos falsos profetas do Antigo Testamento, usam palavras agradáveis, "dizendo: Paz, paz; quando não há paz" (Jr 6.14, 18.11, cf. 23.17). E nem tocam nos pontos menos "agradáveis" do evangelho, para não ofender o gosto dos ouvintes (Jr 5.30-31).

Não é um tagarela. Essa foi a palavra usada pelos filósofos atenienses no Areópago para descrever Paulo (At 17.18). Metaforicamente, a palavra passou a ser aplicada a mendigos e moleques de rua, "pessoas que vivem de recolher sobras, catadoras de lixo". Daí, passou a indicar o tagarela ou fofoqueiro, "pessoa que recolhe fragmentos de informação aqui e acolá". O "tagarela" repassa idéias como mercadoria de segunda mão, colhendo fragmentos e detalhes onde se encontra; Seus sermões são uma verdadeira colcha de retalhos.

A característica essencial do tagarela é que ele não é capaz de pensar por si. Sua opinião em dado momento é certamente a da última pessoa que ele ouviu. Ele depende das idéias dos outros, sem peneirá-las nem pesá-las, nem apropriar-se delas para si. Como os falsos profetas criticados por Jeremias, ele usa apenas a "língua", e não a mente ou o coração, e é culpado de "furtar" a mensagem de outra pessoas (Jr 23.30,31).

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Deus é autor ou causador de todas as mazelas praticadas pelo ser humano? A falsa afirmação do Determinismo – Livre arbítrio – Final

Determinismo não é bíblico. Os oponentes teístas do determinismo oferecem várias objeções a partir das Escrituras. Definir livre-arbítrio como "fazer o que se quer" é contrário à realidade. Pois as pessoas nem sempre fazem o que querem, nem desejam sempre fazer o que fazem (cf. Rm 7.15,16)

Se Deus deve conceder o desejo antes de a pessoa poder executar uma ação, então Deus deve ter dado a Lúcifer o desejo de se rebelar contra Ele. Mas isso é impossível, pois nesse caso Deus daria um desejo contra Deus. Deus estaria contra Si mesmo, o que é impossível.

Os deterministas teístas como Edwards têm uma visão falha e mecanicista da personalidade humana. Ele equipara o livre-arbítrio humano a balanças que precisam de mais pressão de fora para pender. Seres humanos, entretanto, não são máquinas; são pessoas feitas à imagem de Deus (Gn 1.27).

Edwards pressupõe equivocadamente que autodeterminismo é contrário à soberania de Deus. Pois Deus poderia ter predeterminado as coisas de acordo com o livre-arbítrio, não em contradição a Ele. Até a Confissão de Fé de Westminster, que é calvinista, declara: "Posto que, em relação à presciência e ao decreto de Deus que é a causa primária, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, contudo, pela mesma providência. Deus ordena que elas sucedam, necessária, livre ou contingentemente, conforme a natureza das causas secundárias"

 

Fontes:

Agostinho, Sobre o livre-arbítrio.

J.Edwards, Freedom of the Will

J.Fletcher, Cheeks to antinomianism.

D.Hume, The letters of David Hume

M. Lutero, Bondage of the Will – on Grace and free Will

B.F. Skinner, Beyond behaviorism – Beyhond freedom and dignity.

Thomás de Aquino, Summa theologica.

 

 

Deus é autor ou causador de todas as mazelas praticadas pelo ser humano? A falsa afirmação do Determinismo – Livre arbítrio – Parte 3

Resposta ao argumento da onisciência. É verdade que tudo o que Deus sabe deve acontecer segundo Sua vontade. Senão, Deus estaria errado quanto ao que soubesse, pois a Mente onisciente não pode estar errada sobre o que sabe. Mas isso não significa que todos os eventos são determinados (i.e., causados por Deus). Deus poderia simplesmente determinar que fôssemos seres autodeterminantes no sentido moral.

O fato de Ele saber com certeza o que as criaturas livres farão com sua liberdade é suficiente para estabelecer que as ações livres humanas não são determinadas (causadas) por outra pessoa. Deus determinou o fato da liberdade humana, mas as criaturas livres executam as ações da liberdade humana.

Pontos fracos do determinismo. O determinismo é contraditório. O determinista insiste em que deterministas e não-deterministas estão determinados a acreditar no que acreditam. Mas os deterministas acreditam que autodeterministas estão errados e devem mudar de opinião. Contudo " devem mudar" implica que eles estão livres para mudar, o que é contrário ao determinismo.

O determinismo é irracional. C.S. Lewis argumentou que o determinismo naturalista e completo é irracional. Para o determinismo ser verdadeiro, seria necessária uma base racional para seu pensamento. Mas, se o determinismo é verdadeiro, não há base racional para o pensamento, já que tudo é determinado por forças não racionai. Portanto, se o determinismo afirma ser verdadeiro, então deve ser falso.

O determinismo destrói a responsabilidade humana. Se Deus é a causa de todas as ações humanas, então os seres humanos não são moralmente responsáveis. A pessoa só é responsável por uma escolha se houve livre-arbítrio para fazer ou deixar de fazê-la. Toda responsabilidade implica a habilidade de responder, ou por si mesmo ou pela graça de Deus. Dever implica poder. Mas, se Deus causou a ação, então não poderíamos evitá-la. Logo, não somos responsáveis.

O determinismo anula o elogio e a culpa. Da mesma forma, se Deus causa todas as ações humanas, não faz sentido louvar os seres humanos por fazerem o bem, nem culpá-los por fazerem o mal. Pois, se os corajosos não tivessem outra escolha além de demonstrar coragem, por que recompensá-la? Se os maus não tivessem escolha além de cometer seus crimes, por que puni-los? Recompensas e castigos por comportamento moral só fazem sentido se as ações não foram causadas por outro.

Determinismo leva ao fatalismo. Se tudo é determinado além do nosso controle, por que fazer o bem e evitar o mal? Na verdade, se o determinismo estiver correto, o mal é inevitável. O determinismo destrói a própria motivação de fazer o bem e esquivar-se do mal.

Deus é autor ou causador de todas as mazelas praticadas pelo ser humano? A falsa afirmação do Determinismo – Livre arbítrio – Parte 2

Uma resposta ao determinismo teísta. Os não-deterministas, principalmente os autodeterministas, rejeitam as premissas dos argumentos deterministas. É importante distinguir duas formas de determinismo, rígido e moderado. O determinismo rejeitado aqui é o determinismo rígido:

Determinismo rígido 

Determinismo moderado 

Ação é causada por Deus. 

Ação não é causada por Deus 

Deus é a única causa. 

Deus é a causa primária; seres humanos são a causa secundária. 

O livre-arbítrio humano total é eliminado. 

O livre-arbítrio humano é compatível com a soberania. 

 O determinismo moderado às vezes é chamado compatibilismo, já que é "compatível" com o livre-arbítrio (autodeterminismo). Apenas o determinismo rígido é incompatível com o livre-arbítrio ou a causalidade e secundária do a alternativa.gente humano livre.

Resposta ao argumento da possibilidade alternativa. Todo comportamento humano é não causado, autocausado ou causado por outra coisa. Mas o comportamento humano pode ser autocausado, já que não há nada contraditório sobre uma ação autocausada (como há sobre um ser autocausado). Pois uma ação não precisa ser anterior a si mesma para ser causada por si própria. Apenas o ser (eu) precisa ser anterior à ação. Uma ação autocausada é apenas causada por mim mesmo. E eu mesmo sou anterior às minhas ações.

Resposta ao argumento da natureza da causalidade. Jonathan Edwards argumentou corretamente que todas as ações são causadas, mas isso não significa que Deus seja a causa de todas essas ações. A ação autocausada não é impossível, já que a pessoa é anterior às suas ações.

Portanto, nem todas as ações precisam ser atribuídas à Primeira Causa (Deus). Algumas ações podem ser causadas por seres humanos aquém Deus deu liberdade moral. Livre-arbítrio não é como Edwards afirma, fazer o que quer (com Deus dando os desejos). Mas é fazer o que se decide. E nem sempre fazemos o que desejamos, como é o caso em o que dever é colocado do desejo. Logo, não podemos concluir que todas as ações são determinadas por Deus.

Resposta ao argumento da soberania. Não é preciso rejeitar o controle soberano de Deus sobre o universo para acreditar que o determinismo está errado. Pois Deus tem o controle pela Sua onisciência, assim como por Seu poder causal. Como o próximo ponto revela, Deus pode controlar eventos ao desejar, segundo Seu conhecimento onisciente, o que acontecerá pelo livre-arbítrio. Deus não precisa criar (ou causar) a escolha do homem. Apenas ter a certeza de que uma pessoa fará algo livremente é suficiente para Deus controlar o mundo.

Deus é autor ou causador de todas as mazelas praticadas pelo ser humano? A falsa afirmação do Determinismo – Livre arbítrio - Parte 1

Determinismo. Determinismo é a crença de que todos os eventos, inclusive escolhas humanas, são determinados ou causados por outro. Os defensores dessa visão acreditam que escolhas humanas são o resultado de causas antecedentes, que por sua vez foram causadas por causas anteriores.

Tipos de determinismo. Há dois tipos básicos de determinismo: naturalista e teísta. Deterministas naturalistas incluem o psicólogo comportamental B. F. Skinner, autor de Beyond freedom and dignity. Ateu, Skinner escreveu que todo comportamento humano é determinado por fatores genéticos e comportamentais. Nessa teoria, humanos são como um pincel nas mãos de um "artista", ser uma mistura de manipulação societária e acaso. O ser humano à mercê dessas forças, simplesmente como instrumento por meio do qual elas se expressam.

A versão teísta dessa visão insiste em que Deus é a causa final que determina todas as ações humanas. Trata-se da visão defendida por todos os calvinistas ferrenhos.

Argumentos a favor do determinismo. O argumento da possibilidade alternativa. Todo comportamento humano é não causado, autocausado ou causado por outra coisa. Mas o comportamento humano não pode ser não causado, já que nada acontece sem uma causa. Além disso, ações humanas não podem ser autocausadas, pois nenhuma ação pode causar a si mesma. Para isso, teria que se anterior a si mesma, o que é impossível. A única alternativa restante, então, é que todo comportamento humano é causado por algo externo a ele.

O argumento da natureza da causalidade. Edwards argumentou com base na natureza da causalidade. Ele raciocinou que, já que o princípio da causalidade exige que todas as ações sejam causadas, então é irracional afirmar que coisas surgem sem uma causa. Mas para Edwards uma ação autocausada é impossível, já que a causa é anterior ao efeito, e algo não pode ser anterior a si mesmo.

Portanto, no final das contas, todas as ações são causadas pela Primeira Causa (Deus). "Livre-arbítrio" para Edwards é fazer o que se quer, mas Deus dá os desejos ou afeições que controlam a ação. Logo, todas as ações humanas são determinadas por Deus.

O argumento da soberania. Se Deus é soberano, então todas as ações devem ser determinadas por ele. Se deus controla tudo, então ele deve ser a causa de tudo. Senão, não controlaria tudo.

O argumento da onisciência. Alguns deterministas argumentam com base na onisciência de Deus. Pois, se Deus sabe tudo, então tudo que Ele sabe deve acontecer conforme Sua vontade. Se não fosse assim, Deus estaria errado sobre o que soubesse. Mas a Mente onisciente não pode estar errada sobre o que sabe.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Os galardões são iguais para todos, ou diferem em grau?

O internauta Wallace indaga:

3- A questão de eleição e predestinação, não entendo muito bem,sobre os "escolhidos":

"Mateus 20.16 Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos."

"Mateus 24.22

E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias."

"Mateus 24.24

Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos."

 

Respondendo em parte

Os galardões são iguais para todos, ou diferem em grau? (Mt 19.30; 20.16)

 

Jesus contou uma parábola do seu reino, na qual cada servo recebeu o mesmo pagamento, ainda que cada um tivesse trabalhado um número diferente de horas. Todavia, em outras partes, a Bíblia fala de diferentes graus de recompensa pelo trabalho no reino de Deus (cf. 1 Co 3.33-15; 2 Co 5.10; Ap 22.12)

 

Há diferentes graus de recompensa no céu, dependendo de nossa fidelidade a Cristo na terra. Jesus disse: "e eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras" (Ap 22.12) Paulo disse que a obra de cada crente vai ser provada pelo fogo e, " se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou esse receberá galardão" (1Co 3.14).

Em 2 Coríntios 5 está escrito que todos nós haveremos de aparecer perante o tribunal de Cristo, "para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito"(v.10)

Na parábola de Mateus 20, a questão não é predestinação, eleição, nem que todos os galardões serão o mesmo, mas que todas as recompensas são pela graça. É para mostrar que Deus recompensa com base na oportunidade, não simplesmente de acordo com a realização.

Nem todos os servos tiveram igual oportunidade para trabalhar para o senhor o mesmo número de horas; entretanto, todos receberam o mesmo pagamento. Deus olha para a nossa disposição assim como para as nossas ações, e nos julga segundo esses dois aspectos.

Observemos que os últimos são os trabalhadores que vieram por último, e os primeiros, os que vieram primeiro. Para trabalhar, os primeiros vêm primeiro, mas para receber o galardão, os últimos tornam-se os primeiros. É assim que o Senhor faz dos últimos primeiros e dos primeiros, últimos.

Por último, os versículos que você (Wallace) cita, nada têm com predestinação ou eleição. Estes dois últimos, em breve postarei com detalhes.

Quanto ao versículo 24 de Mateus 22, os "escolhidos" são os judeus. Este evento ocorrerá no período da Grande Tribulação, o que também é assunto para outro momento.

Batismo com fogo: O que é?

O internauta Wallace indaga:

1- Certo pastor com o qual eu caminhava, dizia que havia dois tipos de batismo, com o Espírito Santo, e o com fogo:

Mateus 3.11-12

"E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará."

Ele dizia que a palha era nossos defeitos, e o que nos impedia de receber o poder como os apóstolos receberam,de falar nas línguas de outros povos e eles entenderem,

curas, milagres de maneira abundante, seria o batismo com fogo.

Senão me engano ele mencionou até uma profecia que um vaso entregou a ele.

Isso é certo?

 

Respondendo ao internauta Wallace Amorim

Mateus 3.11-12

À luz da Hermenêutica e da Exegese, de acordo com o contexto, o fogo aqui não é o fogo de At 2.3, relacionado ao Espírito Santo, mas é o mesmo fogo dos vs. 10 e 12, o fogo do lago de fogo (Ap 20.15), onde os incrédulos sofrerão a perdição eterna. As palavras de João ditas aqui aos fariseus e saduceus significam que se eles verdadeiramente se arrependessem e cressem no Senhor, este os batizaria no Espírito Santo para terem a vida eterna; doutra sorte, o Senhor os batizará no fogo, lançando-os no lago de fogo como castigo eterno.

João Batista, não podendo sugerir uma pessoa em nome de quem batizasse o povo, apontou para o arrependimento como centro espiritual dos piedosos, e falou de outrem, que usaria outro batismo, não de água, mas como o Espírito Santo e com fogo.

O batismo de João visava somente o arrependimento, para conduzir as pessoas à fé no Senhor. O batismo do Senhor ou visa à vida eterna no Espírito Santo ou leva à perdição eterna no fogo.

O batismo do Senhor no Espírito Santo deu início ao reino dos céus, introduzindo os Seus crentes no reino dos céus, ao passo que Seu batismo no fogo porá fim ao reino dos céus, lançando os incrédulos no lago de fogo.

Portanto, o batismo do Senhor no Espírito Santo, o qual se baseia na Sua redenção, é o início do reino dos céus, enquanto Seu batismo no fogo, que se baseia no Seu juízo, é o fim desse reino.

Assim, neste versículo há três tipos de batismo: o batismo em água, o batismo no Espírito Santo e o batismo no fogo.

O batismo em água, efetuado por João, apresentou as pessoas ao reino dos céus. O batismo no Espírito Santo, efetuado pelo Senhor Jesus, iniciou e estabeleceu o reino dos céus no dia de pentecostes, e o levará até a consumação no final desta era. O batismo no fogo, a ser efetuado pelo Senhor de acordo com o julgamento no grande Trono Branco (Ap 20.11-15), concluirá o reino dos céus.

Os que são tipificados pelo trigo têm vida no seu interior. O Senhor os batizará no Espírito Santo e, pelo arrebatamento, os recolherá ao Seu celeiro nos ares. Os que são tipificados pela palha, como o joio em (Mt 13.24-30), não têm vida. O Senhor os batizará no fogo, lançando-os no lago de fogo.

A palha aqui se refere aos judeus impenitentes, enquanto o joio no capítulo 13 se refere aos cristãos nominais. O destino eterno de ambos será o mesmo: a perdição no lago de fogo (13.40-42).

Devemos guardar um "sábado”? - Não é um dos 10 mandamentos?

O internauta Wallace indaga:

2- Devemos guardar um "sábado"?

Um dia em sete para dedicarmos única e exclusivamente a Deus?

Não é um dos 10 mandamentos?

Não tenho essa questão muito bem esclarecida em minha mente.

Respondendo

O sábado (Mt 12.1-8)

Santificar o sábado

Embora a guarda do sábado fosse um sinal entre Deus e os "filhos de Israel" (Êx 31.17), essa parte da lei tem preciosa instrução para nós cristãos. Ensina-nos:

  1. Que trabalhar seis dias em sete é o suficiente.
  2. Que um descanso semanal é proveitoso física, mental e espiritualmente.
  3. Que um preocupação constante com o trabalho material pode resultar em prejuízo espiritual.
  4. Que Deus compreende melhor do que nós o nosso maior proveito
  5. Que o povo de Deus, nos seus dias disponíveis, tende a ocupar-se com serviço espiritual.
  6. Que o homem precisa trabalhar seis dias para merecer o descanso no sétimo.

Um dia de descanso, conforme mencionamos era concedido a Israel como privilégio: o sinal da aliança com Jeová. Não era baseado nos eternos princípios da moralidade como os outros mandamentos; seu caráter era mais cerimonial que moral, e o privilégio do descanso semanal poderia perder-se caso fosse violada a aliança. O Senhor "expõe toda a condição do povo perante Deus, (Mt 12.1-8) mostrando que devido à sua descrença nEle, o Senhor do sábado, os judeus, rejeitando-O, perderam o direito ao sábado."

Davi, o rei ungido, mas rejeitado, tinha necessidade de pão, e a aliança, com seus privilégios e cerimônias, estava suspensa, devido à rejeição do ungido do Senhor. Por isso o pão sagrado era, num sentido, comum. Quanto mais quando o antítipo de Davi estava no mundo, mas rejeitado, e eles estavam ocupados com a santidade do dia de descanso que Deus lhes tinha dado!Como podia o sábado permanecer para aqueles que rejeitaram o Senhor do sábado?

As palavras do Senhor aqui implicam que Ele é o verdadeiro Davi. Davi, aparentemente violando a lei levítica, comeu do pão da proposição. Agora, o verdadeiro Davi e Seus seguidores foram rejeitados e os discípulos colheram espigas e comeram, aparentemente indo contra o preceito sabático. Assim como Davi e seus seguidores não foram considerados culpados, assim também Cristo e Seus discípulos não deveriam ter sido condenados.

Além do mais, as palavras do Senhor aqui implicam a transição dispensacional do sacerdócio para a realeza. Nos tempos antigos, o surgimento de Davi mudou a dispensação, da era dos sacerdotes para a dos reis, na qual os reis estavam acima dos sacerdotes. Na era dos sacerdotes, o líder do povo tinha de dar ouvidos ao sacerdote (Nm 27.21-22). Mas na era dos reis, os sacerdotes tinham de submeter-se ao rei (1Sm 2.35-26).

Portanto, o que fez o rei Davi juntamente com seus seguidores não foi ilegal. Agora, a vinda de Cristo mudou a dispensação novamente, desta vez da era da lei para a da graça, na qual Cristo está acima de tudo. O que quer que Ele faça está correto.

Como Senhor do sábado, uma transição que lhe reivindicava os direitos, Ele tinha o direito de mudar os preceitos relacionados ao sábado.

De forma mais detalhada podemos asseverar:

  1. A base para o mandamento de observar o sábado, como estabelecido em Êxodo 20.11, é que Deus descansou no sétimo dia, depois de seis dias de trabalho, e que Ele abençoou e santificou o sétimo dia. O dia de sábado foi instituído como um dia de descanso e culto. O povo de Deus deveria seguir o exemplo do próprio Deus, no seu trabalho e descanso. Entretanto, como Jesus disse, corrigindo a visão distorcida dos fariseus, "O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado" (Mc 2.27). O que Jesus quis dizer é que o sábado não foi instituído para escravizar as pessoas, mas para beneficiá-las. O espírito da observância do sábado é preservado no Novo Testamento com a observância do descanso e do culto no primeiro dia da semana.
  2. Deve-se lembrar que, de acordo com Colossenses 2.17, o sábado era uma "sombra das coisas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo". A observância do sábado estava associada com a redenção citada em Deuteronômio 5.15, onde Moisés determinou: "porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o senhor teu Deus te tirou dali com mão poderosa, e braço estendido: pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado". O sábado era sombra da redenção que viria com Cristo; simbolizava o descanso de nossas obras e a entrada no descanso que Deus propiciou com a sua obra consumada.

Finalmente, embora os princípios morais expressos nos mandamentos sejam reafirmados no Novo Testamento, o mandamento de separa o sábado como o dia de descanso e de culto a Deus é o único mandamento que não é repetido. Há muito boas razões para isso.

Os crentes do Novo Testamento não estão debaixo da Lei do antigo Testamento (Rm 6.24; Gl 3.24-25). Pela ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana(Mt 28.1), por suas contínuas aparições em vários domingos (Jo 20.26), e pela descida do Espírito santo num dia de domingo (At 2.1), a igreja primitiva passou a cultuar no domingo, regularmente (At 20.7; 1Co 16.2).

O culto no domingo foi ainda consagrado pelo Senhor quando ele apareceu a João naquela última grande visão "no dia do Senhor" (Ap 1.10). É por estas razões que os cristãos cultuam no domingo, em vez de o fazerem no sábado do judeus.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

DEVO APRENDER A COMO INTERPRETAR A BÍBLIA?

(Continuação) Princípio V de D. A. Carson -

Como A Universalidade Formal Dos Provérbios E Ditos Proverbiais Raramente São Uma Universalidade Absoluta

Compare estes dois ditos de Jesus: (a) "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha" (Mt 12.30). (b) "... Porque quem não é contra nós é por nós" (Mc 9.40; cf. Lc 9.50). Como com freqüência tem-se notado, estes ditos não se contradizem, se o primeiro foi expresso a pessoas indiferentes contra si próprias, e o segundo aos discípulos sobre outros, cujo zelo ultrapassa seus conhecimentos. Mas as duas afirmações são com certeza difíceis de conciliar, se cada um forem tomados absolutamente, sem pensar em tais questões.

Ou considere dois provérbios adjacentes em Provérbios 26: (a) "Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia..." (26.4). (b) "Responde ao tolo segundo a sua estultícia…" (26.5). Se estes dois versículos são estatutos ou exemplos de leis casuísticas, há uma inevitável contradição. Por outro lado, a segunda linha de cada provérbio dá explicação suficiente de modo que enxergamos o que deveríamos ter visto: provérbios não são estatutos. Eles são sabedoria destiladas, freqüentemente escritas de forma pungente e aforística, que exige reflexão, ou que descreve efeitos na sociedade como um todo (mas não necessariamente em cada individuo), ou que exigem consideração de exatamente como e quando tal sabedoria é aplicada.

Escrevamos por inteiro estes dois provérbios de novo, mas desta vez com a segunda linha inclusa em cada caso: (a) "Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para que também te não faças semelhante a ele". (b) "Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus olhos". Os versículos lado a lado como estão, estes dois provérbios exigirão reflexão sobre quando é a vez da prudência para refrear-se de responder aos tolos, a menos que sejamos arrastados para o nível deles, e quando é a vez da sabedoria oferecer réplica afiada, "tola" que tem o efeito alfinetar as pretensões do tolo. O texto não esmiúça isto explicitamente, mas se as explicações destes dois casos forem lembrados, nós teremos um princípio sólido de discriminação.

Então, quando uma bem conhecida organização eclesiástica ficar repetindo "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele", como se fosse uma lei casuística, o que devemos pensar? Esta afirmação proverbial não deve ser roubada de sua força: um incentivo poderoso a uma educação infantil responsável, temente a Deus. Contudo, este versículo é um provérbio, e não uma promessa de uma aliança. Nem tão pouco o versículo especifica a que ponto a criança vai entrar na linha. É claro, muitas crianças, que cresceram em lares cristãos se desviam, porque os seus pais foram realmente tolos, ou não-bíblicos, ou completamente pecaminosos. Mas, muitos de nós já testemunhamos os fardos de culpa desnecessária e vergonha que pais realmente piedosos carregaram, quando seus filhos adultos, digamos já aos 40, e claramente não se converteram. Aplicar o provérbio de tal forma como se fosse para causar ou reforçar tal culpa não é somente pastoralmente incompetência, é hermeneuticamente incompetência. É fazer as Escrituras dizerem algo um pouco diferente do que seguramente pode ser inferido. Aforismos e provérbios dão percepção de como uma cultura sob Deus funciona, como relacionamentos funcionam, quais devem ser as prioridades. Eles não dão todas as exceções individuais em notas de rodapé e sob quais circunstâncias devem ser aplicados, e assim por diante.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Como é Deus? - Será que Deus é bom mesmo?

Por milhares de anos os judeus fizeram a seguinte oração: " Daí graças ao Senhor, pois Ele é bom, porque o Seu amor dura para sempre". Eis uma oração excelente para a nossa reflexão, porque são exatamente as duas coisas de que mais duvidamos hoje. O Senhor é bom? O Seu amor dura para sempre?

Basta uma breve observação da história ou um exame das manchetes de qualquer dia, e uma pessoa racional começa a duvidar dessas afirmações tão ousadas. Essas também são razões por que o Antigo Testamento merece a nossa atenção, pois os judeus evidentemente duvidaram da oração própria que faziam. Porém como é comum nos relacionamentos íntimos, levavam essas dúvidas à outra parte, ao próprio Deus, e recebiam resposta direta.

Aprendemos no Antigo Testamento como Deus age muito diferente do que poderíamos imaginar. Ele se move lentamente, de forma imprevisível e paradoxal. Os primeiros onze capítulos de Gênesis apresentam uma série de falhas humanas que questionam todo o projeto da criação de Deus.

Como solução para essas falhas, Deus manifesta seu plano em Gênesis 12: lidar com o problema da humanidade estabelecendo uma família especial, uma tribo conhecida como os hebreus(mais tarde chamados judeus). Por intermédio deles, o útero da Encarnação, Deus trará restauração para toda a terra, a volta para o projeto inicial.

Uma vez apresentado o plano, Deus continua a agir de forma muito misteriosa. Par afunda sua tribo, escolhe um pagão da região que hoje é o Iraque e o faz passar uma série de testes, em muitos dos Abraão não se sai bem. No Egito, por exemplo, ele demonstra uma moral inferior à dos adoradores do sol.

Depois de prometer uma descendência numerosa como as estrelas do céu e a areia do mar, o que Deus faz é dar prosseguimento a uma "clínica de infertilidade". Abraão e Sara esperam até os noventa anos para ver o primeiro filho; a nora deles, Rebeca, permanece estéril por muito tempo; o filho dela, Jacó, tem de esperar catorze anos pela esposa dos seus sonhos, para descobrir então que ela também é estéril. Três gerações de mulheres estéreis não parece ser uma maneira muito eficiente de constituir uma grande nação.

Depois de fazer promessas semelhantes de uma terra especial (Abraão possuía somente um túmulo em Canaã), Deus faz os israelitas passarem por um desvio no Egito, onde eles apodrecem por quatro séculos até que Moisés chega pra conduzi-los à terra prometida, peregrinação deplorável que leva quarenta anos em vez das duas semanas esperadas. Evidentemente Deus trabalha com um calendário diferente do usado por seres humanos impacientes.

As surpresas continuam na era do Novo Testamento, pois nenhum dos orgulhosos mestres reconhece Jesus de Nazaré como o Messias anunciado de forma triunfal nos Salmos e nos Profetas. Aliás, continua acontecendo hoje quando profetas autoproclamados identificam com o anticristo, de forma convicta, uma sucessão de tiranos e de pessoas de expressão mundial, para depois verem Hitler, Stalin, Kissinger e Hussein simplesmente desaparecer de cena.

Os cristãos que vivem na atualidade deparam com muitas promessas não-cumpridas. A pobreza e a população mundial continuam crescendo assustadoramente, e o cristianismo com muita dificuldade procura manter sua percentagem entre a população. O planeta tende à autodestruição. Esperamos e continuamos esperando os dias gloriosos prometidos pelos profetas e pelo Apocalipse.

Com Abraão, José, Moisés e Davi aprendemos, pelo menos, o fato de que Deus age por meios que não poderíamos prever, nem mesmo desejar. Às vezes a história de Deus parece operar num plano totalmente diferentemente do nosso.

O Antigo Testamento dá um vislumbre do tipo de história que Deus está escrevendo. O Êxodo identifica pelo nome as duas parteiras hebréias que ajudaram a salvar a vida de Moisés, mas não se importa em registrar o nome do Faraó que estava regendo o Egito na época(omissão que tem deixado os estudiosos perplexos desde aquela época). O Primeiro Livro dos Reis dedica um total de oito versículos ao rei Onri, ainda que os estudiosos seculares o considerem um dos reis mais poderosos de Israel.

Na Sua maneira de fazer a história, Deus não se impressiona com tamanho, poder ou riqueza. Fé é o que ele está esperando, e os heróis que vemos surgir são heróis da fé, não de poder ou riqueza.

Portanto a história de Deus concentra-se nos fies a Ele, não importa o resultado dos fatos. Quando Nabucodonosor, um dos muitos tiranos que perseguiram os judeus, ameaça três jovens de ser torturados pelo fogo, eles respondem: Se formos lançados na fornalha de fogo ardente, o nosso Deus, a quem nós servimos, pode livrar-nos dela, e Ele nos livrará da tua mão, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste".

Impérios erguem-se e caem, líderes poderosos são catapultados ao poder e depois despencam de lá. O mesmo Nabucodonosor que lançou esses três jovens na fornalha acaba insano, pastando no campo como uma vaca. Os impérios que se seguem ao dele – Pérsia., Grécia e Roma – tão poderosos em seus dias, são postos na lata do lixo da história. Enquanto isso o povo de Deus sobrevive até aos pogroms assassinos. Aos poucos, com esmero, Deus escreve Sua história na terra por meio dos atos de seus fiéis seguidores, um por um.

Com sua história de tortura, os judeus demonstram a lição mais surpreendente de todas: não se erra quando Deus é levado a sério como pessoa. Deus não é um poder indistinto que vive em algum lugar do céu, não é uma abstração como os gregos propuseram, não é um super-homem sensual como o que os romanos adoravam e com certeza não é o relojoeiro ausente dos deístas. Deus é pessoal. Ele entra na vida de pessoas, vira famílias de cabeça para baixo, aparece em lugares inesperados, escolhe líderes com poucas probabilidades de sucesso, chama as pessoas a prestar contas. Acima de tudo, Deus ama.

La Victoria es Nuestra - Billy Graham

Saudades de Mensagens desta magnitude!!!

Tradução de João Cruzué

Nosso maior inimigo é a morte. A morte implica em certo temor. A Bíblia diz que: "O aguilhão da morte é o pecado," e a partir do momento em que o primeiro casal sepultou seu filho em uma cova, as pessoas vêm temendo a morte. É o grande monstro misterioso cujos grandes dedos gelados fazem muitos se estremecerem aterrorizados.

O testemunho unânime da história é que a morte é inevitável. Gerações vêm e vão, e cada uma tem deitado seus mortos na tumba.

A Bíblia sempre relaciona a morte com o pecado. Ela diz que: "Como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim a morte infectou a todos os homens porquanto todos pecaram."

Estamos procurando prolongar a vida mediante fórmulas químicas nos laboratórios científicos de todo o mundo. Mas até que a ciência não pode encontrar uma solução para o problema da morte. Ainda assim, os cientistas descobriram um segredo que prolonga a vida terrena, ao mesmo tempo só conseguiriam êxito em estender nossos dias de tristeza e aflição.

Centenas de filósofos de todas as épocas têm procurado esquadrinhar mais e além do véu da morte. Suas especulações enchem volumes com respeito às possibilidades de vida além da sepultura.

A morte ronda entre ricos e pobres, eruditos e ignorantes. A morte não faz distinção de raça, cor nem credo. Suas sombras nos acercam dia e noite. Nunca sabemos quando chegará o momento temido.

Procuramos dissimular o desastre custeando um seguro de vida, e temos inventado outros mecanismos para tornar mais confortáveis nossos últimos dias; todavia sempre está presente a dura realidade da morte.

Muitos se perguntam: Há alguma esperança? Existe alguma porta de escape? Há uma possibilidade de imortalidade?

Não vou levá-los a um laboratório científico, nem à aula de um filósofo, nem ao consultório de um psicólogo. Em seu lugar, vou levá-lo à tumba vazia de José de Arimateia. Maria, Maria Madalena e Salomé tinham ido à tumba para ungir o corpo do Cristo crucificado. Elas ficaram surpresas ao ver a tumba vazia. Um anjo se colocou ao lado do sepulcro e lhes disse: "Buscais a Jesus nazareno? E logo adiantou: Ele ressuscitou, não está mais aqui."

 

Esta foi a maior notícia que o mundo jamais tinha ouvido. Jesus Cristo havia ressuscitado dentre os mortos, como havia prometido.

A ressurreição de Jesus Cristo é a verdade primordial da fé cristã. Ela descansa na mesma raiz do Evangelho. Sem uma fé na ressurreição não pode haver salvação pessoal. A Bíblia diz: "Se confessares com tua boca que Jesus é o Senhor, e creres em teu coração que Deus o levantou dos mortos, serás salvo." Temos que crer nisto ou nunca poderemos ser salvos.

Para muitas pessoas a ressurreição tem chegado a ser pouco mais que um símbolo consolador da imortalidade da alma. Porém, a ressurreição abarca muito mais que a perpetuidade da vida. Crer na imortalidade por si mesma poderia ser algo trágico e horrível. A Bíblia ensina que a fé deve ser acompanhada de uma segura convicção de que Deus uma existência eterna em sua presença gloriosa, através do conhecimento pessoal de seu Filho.

Começamos com o fato de que ao terceiro dia, Jesus Cristo havia ressuscitado dos mortos, saiu do sepulcro e apareceu aos desanimados e assombrados discípulos que haviam perdido toda a esperança de revê-lo. Sem nossa aceitação da realidade da ressurreição, essa celebração não é mais que uma ilusão. Como escreveu o apóstolo Paulo há muito tempo: "E se Cristo não ressuscitou, então é vã nossa pregação e vã também será a nossa fé"

Quando se contempla a ressurreição de Cristo como um feito histórico, o Domingo da Ressurreição se converte no dia dos dias e se deve reconhecer e celebrar como a maior vitória de todos os tempos.

A ressurreição foi, em um sentido, uma vitória suprema para a raça humana. Foi uma vitória sobre a morte: "Mas agora Cristo tem ressuscitado dos mortos; e foi feito as primícias dos que dormem." Sua ressurreição dos mortes é a garantia que também para nós a sepultura será aberta e que seremos também ressuscitados: Porque assim como em Adão todos morreram, também em Cristo todos serão vivificados."

A Ressurreição foi também uma vitória sobre o pecado: "O salário do pecado é a morte." O pecado de Adão no jardim do Éden teve como resultado a culpa, a condenação e a separação da presença de Deus. De fato, ali também se deu a gloriosa promessa de que apareceria a semente da mulher, e que Deus poria inimizade entre sua semente (Cristo) e a serpente (Satanás).

No conflito resultante, a semente da mulher seria ferida no calcanhar, porém a troca feriria a cabeça da serpente, infligindo-lhe uma chaga mortal. Isto se cumpriu e manifestado abertamente na ressurreição de Cristo.

A ressurreição também nos dá vitória sobre as dúvidas. Parece que há milhares de cristãos escravos das dúvidas. Não quero dizer que tais pessoas duvidam da existência de Deus ou das verdades bíblicas. Podemos aceitar tudo isso enquanto seguimos duvidando em nossa relação pessoa com o Deus em quem professamos crer. Algumas pessoas têm dúvidas quanto ao perdão de seus pecados, outras duvidam que sua esperança de ir ao céu, e ainda outras desconfiam de sua própria experiência interior.

Durante seu ministério terreno, Jesus fez uma série de assombrosas afirmações e promessas a seus discípulos, que podem ter lhes parecido inacreditáveis enquanto ele estava no sepulcro. Jesus lhes havia dito: "Eu vim para que tenham vida... todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente." Porém agora ele que havia feito essas promessas estava morto, e o sepulcro estava fechado sobre aquele que havia prometido vida eterna a todos os que creram nele. SE ele não tivesse ressuscitado, teríamos motivos suficientes para duvidar da validade de suas promessas.

Mas quando ele saiu do sepulcro, todas suas promessas e suas palavras saíram com ele e hoje vivem em gloriosa vitalidade, poder e autoridade.

A ressurreição é também uma garantia da vitória sobre nossos temores. Os temores são íntimos aliados das dúvidas. O presidente da faculdade de história de uma de nossas grandes universidades uma vez me confidenciou esta opinião: "Nós temos nos convertido em uma nação de covardes." Não aceitei sua declaração, porém ele arguiu que muitas pessoas têm se mostrado resistentes a seguir um curso não se trata de algo popular. Inclusive se estamos convencidos de que algo é correto, procuramos não nos comprometer porque ficamos com temor. Se as probabilidades nos favorecem, nos colocamos a seu favor, porém se implica em algum risco em defender o que é correto, procuramos nos colocar a salvo.

Você que tem medo da morte, medo de perder a saúde ou de perder os amigos, examine as palavras de Paulo: "Porque Deus não nos tem dado um espírito de covardia, mas de poder, e de amor, e de domínio próprio." Deus nos tem dado uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos. Este e outras passagens similares assinalam o fato de que nenhum cristão tem razão alguma perante os olhos da vontade de Deus; "Se Deus é por nós, quem será contra nós.

O poder do Espírito Santo levantou o corpo de Cristo dentre os mortos. Esse mesmo Espírito Santo, agora operando em nós, pode nos livrar dos poderes da ansiedade e do temor, e fazer com que nos regozijemos na segura e gloriosa esperança que ele tem preparado para nós.

A ressurreição nos garante a vitória em nosso dia a dia. A vitória que Cristo conquistou para nós quando ressuscitou do sepulcro pode ser vista em nossa vida diária. Pode ser manifesta em nós e por meio de nós em todo lugar, e em toda circunstância pelo seu poder ressuscitador para a glória de Deus.

Podemos estar conscientes cada dia de seu poder vitorioso operando em nós, por nós e por meio de nós para sua glória. Podemos exclamar como o apóstolo Paulo: "Mas graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo".

Se você fizer este compromisso com Cristo hoje, por favor, conte-nos a respeito.

 

cruzue@gmail.

Fonte: www.billygraham.org