domingo, 11 de abril de 2010

JAMAIS VI O JUSTO DESAMPARADO, NEM A SUA DESCENDÊNCIA MENDIGAR O PÃO

Paulo Neves

em 10/04/2010

Como se explica essa passagem no contexto dos países da África: Sl 37.25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão."

Prezado Paulo Neves

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Deus, em Cristo, te abençoe.

Davi declara: "... jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão" (Sl 37.25). Mas obviamente isso não é sempre verdade. Muitos dos milhares que passam fome no mundo hoje são cristãos. Até mesmo a Bíblia falou de "um certo mendigo, chamado Lázaro" que estava no céu (Lc 16.20). A afirmação de Davi, então, parece ser falsa.

Primeiro, várias coisas devemos ter em conta com relação à a firmação de Davi. Antes de mais nada, a, a rigor esta não é uma declaração universal – é simplesmente o que Davi disse sobre sua própria experiência. Ele começa dizendo: "fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi..." (v. 25).

Segundo, ele não diz que o justo nunca passa fome, mas simplesmente que ele, Davi, jamais viu o justo "mendigar o pão". Há uma diferença.

Terceiro, o contexto de sua afirmação era a economia judaica no Antigo Testamento em que ninguém precisaria passar fome, uma vez que alei permitia que o necessitado rebuscasse nos campos (cf. Lv 19,10; Dt 24.21). Com esse sistema, geralmente não havia necessidade de se "mendigar o pão"-ele podia ser respigado de graça nos campos. Na época de Davi, também hoje, muitas crianças passam fome hoje. É necessário considerar o contexto deste Salmo. Israel à época de Davi obedecia às leis do Senhor, que asseguravam que o pobre deveria ser tratado com justiça e misericórdia. A nação, quando obediente, tinha alimento suficiente para todos. Quando se esquecia de Deus, (como é o caso de várias nações hoje, sobretudo a AFRICA – lembremo-nos que quando da primeira fome no mundo, foi a África quem socorreu os necessitados) os ricos o ricos cuidavam somente de seus interesses, e os pobres muito sofriam (Am 2.6,7).

Quando deparamos com um justo sofrendo podemos considerar três situações: a) como os amigos de Jó, podemos dizer que a pessoa acarretou a situação; b) que se trata de uma prova para desenvolver a paciência e confiança da pessoa em Deus; c) podemos ajudá-la. Davi aprovaria apenas a última opção. Embora hoje muitos governos tenham programas para ajudar os necessitados, isto não é desculpa para ignorarmos o pobre e o carente que esteja próximos de nós.

Finalmente, como ocorre no livro de Provérbios, esta afirmação não é para ser tomada de forma universal, mas apenas como uma regra geral numa sociedade organizada, baseada no bem mútuo e comum de acordo com a lei de Deus, segundo a qual aqueles que vivem retamente em geral não terão necessidade de mendigar o pão.

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