segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"A História Patriarcal" Gn 11.26 -22.19 - Final

A Narrativa Bíblica

A erudição moderna concorda em atribuir aos patriarcas um lugar na história do Crescente Fértil, na primeira metade do segundo milênio a.C. A assertiva de que a narrativa bíblica consiste tão-somente de lendas fabricadas tem sido substituída pelo respeito geral pela qualidade de Gn 12-50. Grandemente responsável por essa mudança revolucionária foi a descoberta e publicação dos tabletes de Nuzu (ou Nuzi), além de outras informações arqueológicas que vieram à luz desde 1925. Embora nenhuma evidência concreta seja disponível e que nos permita identificar quaisquer nomes ou eventos específicos com base em fontes externas com aqueles mencionados na narrativa do Gênesis, é fácil reconhecer que o meio ambiente  cultural é o mesmo em ambos os casos. A única evidência em prol da existência de Abraão procede da narrativa hebraica, mas muitos eruditos do Antigo Testamento reconhecem agora o seu devido lugar nos primórdios da história dos hebreus.

Fato é que a cronologia relativa  aos patriarcas continua sendo um ponto debatido. Dentro desse período geral, a data advogada para Abraão varia do século XXI ao século XV a.C. visto que as cronologias relativas a esse período estão em estado de fluxo, convém dar atenção a vários pontos de vista quando se fixam as datas sobre os patriarcas.

Com bases em certas notas cronológicas que são dadas nas Escrituras, a entrada de Abraão em Canaã pode ser calculada como algo que teve lugar em 2091 a.C. Isso dá margem para uns 215 anos para a vida dos patriarcas em Canaã, 430 anos para a servidão no Egito, e para uma data recuada para o Êxodo do Egito (1447a.C.) A correlação entre os eventos seculares e os bíblicos, baseados nessa cronologia, tem sido sujeitada a revisões. A teoria que identifica Anrafael (Gn 14) como Hamurábi[1], requer um reinterpretação dos informes bíblicos juntamente com a aceitação de uma cronologia babilônica mais baixa.

Embora Gordom tenha sugerido uma data posterior, parece que a Era Patriarcal se ajusta melhor com o período aproximado de cerca de 2000  - 1750 a.C., de acordo com Kenneth  A. Kitchen. Ele frisa que grandes acontecimentos e a história externa, como a densidade da população, os nomes  dos reis orientais (cf. Gn 14), e o sistema de alianças mesopotâmicas são características dessa era. Os nomes pessoais dos patriarcas combinam bem com os nomes dos documentos mesopotâmicos e egípcios desse período. Também era durante essa época que o Neguebe era ocupado em certas estações do ano. 

 

Entendemos que não é possível reunir a partir das narrativas de Gênesis 12-50 um quadro completo da vida religiosa dos patriarcas. Mesmo assim, há informações suficientes para dar uma descrição geral e inserir a religião deles em seu contexto cultural. Esse quadro pode ser aumentado pelas redescobertas arqueológicas com respeito à era patriarcal.

 

 


[1] Em cerca de 1700 a.C., Hamurábi, que ampliara a pequena aldeia de Babilônia para tornar-se um grande centro comercial, pôde conquistar Mari, como seus extensos domínios. Não somente dominou ele o Eufrates superior mas também subjugou o reino de Samsi-Adade I, cuja capital era Assur, no rio Tigre. Marduque, o deus supremo da Babilônia, obteve reconhecimento proeminente no império. A mais significativa das realizações de Hamurábi foi seu código legal, descoberto em Susa, em 1901, onde também fora apossado pelos elamitas, ao cair o reino de Hamurábi. Visto que antigos costumes sumérios haviam sido incorporados nessas leis, é provável que elas representem a cultura que prevalecia na Mesopotâmia durante os tempos patriarcais. Muitas das cartas de Hamurábi, dentre as que têm sido achadas, indicam que ele foi um governante eficiente, expedindo ordens com clareza e dando atenção a detalhes. A Primeira Dinastia da Babilônia(cerca de 1800 – 1500 a.C.) esteve em seu ponto culminante sob Hamurábi. Seus sucessores foram cedendo gradualmente aos cassitas invasores, os invasores conquistaram a Babilônia em cerca de 1500 a.C.

Um comentário:

  1. Muito bom artigo pastor.. estava com uma enorme dúvida se Hamurabi era realmente Anrafel.. Deus abençoe pastor

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