segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Deus Aprova a Mentira? Como Deus poderia usar “espíritos mentirosos” para fazer Sua vontade se Ele proíbe mentira?

Como Deus poderia usar "espíritos mentirosos" para fazer Sua vontade ele proíbe mentira?

As Escrituras ensinam que "Deus é a verdade" (Dt 32.4 SBTB) e que "é impossível que Deus minta" (Hb 6.18). Ainda, Deus nos ordena a não mentir (Êx 20.16), e ele punirá com severidade aqueles que forem mentirosos (Ap 21.8). Contudo, apesar de tudo isso, nesta passagem Deus é representado como Aquele que recruta um espírito de mentira para seduzir o rei Acabe a selar o seu próprio destino. O texto diz: "Eis que o Senhor pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas" (1Rs 22.23).

Vários fatores devem ser considerados para entendermos esta situação.

Primeiro, trata-se de uma visão. Como tal, é uma visão de uma cena no céu, que procura explicar a autoridade soberana de Deus com imagens de sua posição como rei.

Segundo, toda encenação disso representa Deus com a ampla autoridade que ele possui, de forma que até mesmo os espíritos malignos aparecem como estando sujeitos ao controle final de Deus.

Terceiro, o Deus da Bíblia, em contraste com os deuses das religiões pagãs, soberanamente está no controle de todas as coisas, inclusive das forças malignas que ele usa para realizar os seus bons propósitos (cf. Jó 1-3).

Quarto, a Bíblia às vezes fala de Deus "endurecer" o coração das pessoas ou ainda de enviar-lhes a "operação do erro, para darem crédito à mentira" (2Ts 2.11). Entretanto, examinando com mais cuidados o texto, descobrimos que Deus agiu assim somente nas pessoas que por si mesmas tinham endurecido o seu coração (Êx 8.15) e que não haviam dado "crédito à verdade" (2Ts 2.12).

Para resumir, Deus não está aprovando a mentira. Ele simplesmente a está utilizando para cumprir Seus propósitos. Deus não está promovendo a mentira, mas permitindo que ela venha trazer juízo sobre o mal.

Isso significa que o Senhor, visando os Seus propósitos de justiça, permitiu que Acabe fosse enganado por um espírito maligno, por meio do qual Deus sabia, segundo a sua onisciência, que a Sua soberania e boa vontade acabaria sendo realizada.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Deus: Arca, Morte, Dança e Esterilidade – Banalizações - Boas Intenções - Malícias – 2Sm 6 – Final

Em seguida vem a reação de toda esta confiança. "Davi teve medo de Jeová naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca de Jeová? Assim passamos de um extremo a outro, e de acordo com a medida da nossa primeira confiança, vem a ser a profundeza do nosso desespero. Onde esperamos encontrar as provas de uma benigna aceitação e aprovação de Deus, temos, por vezes, achado os sinais do seu desagrado. Mas, como temos visto, o caso é simples. Como podia Deus aceitar o completo abandono da Sua Palavra e a adoção dos meios dos filisteus, quando Ele tinha revelado a Sua vontade? E isto feito bem publicamente, e por todo povo".

Obede-Edom. Receber a arca de Deus na sua casa era uma experiência inesperada. Dias antes ele não tria sonhado em tal coisa. Isso significa receber Cristo no coração. Para alguns, é uma experiência gloriosa e abençoada. Para outros é uma experiência ainda a ser realizada.

Podemos crer que Obede-Edom recebeu a arca reverente, humilde, esperançosamente, crendo que nisso ele fazia a vontade de Deus. Receber a arca de Deus na sua casa era uma experiência passageira. A arca não ficaria ali para sempre. Era necessário aproveitar bem as semanas, porque no ano seguinte não haveria oportunidade.

Davi. Neste trecho, parece-nos ser um homem piedoso, desejoso, sobretudo, de ter bem perto dele sempre o símbolo da presença de Deus. Somos assim, porventura, também desejosos de sentir Deus bem perto, mesmo nas nossas horas mais íntimas? Davi era um homem instruído, e compreendia que não podia aproximar-se de Deus sem o devido sacrifício (v.13).

Davi era um homem entusiasta, que não se poupava em demonstrar o seu fervor religioso. Davi era um homem generoso, que fez uma festa para o povo ao mesmo tempo que adorava a Deus.

Mical. É o tipo de uma pessoa carnal, que desprezava porque não compreendia um entusiasmo espiritual. Evidentemente, era indigna de ser esposa de Davi, porque ela não podia compreender seu culto a Deus; porque não era submissa, como deve ser uma esposa; porque usava um exagero malicioso e mentiroso em descrever a cena que presenciara (v.20); não podemos pensar que Davi tenha feito qualquer coisa indecente com o uso do vestuário de sacerdote. (vj Lv 16.4)

A conseqüência para Mical desta crítica carnal de um ato religioso foi perder a intimidade com Davi que, como esposa, havia de esperar (v.33).

Devemos recear que, em consequência de sentidos carnais em assuntos espirituais, percamos nossa intimidade com Cristo.

Deus: Arca, Morte, Dança e Esterilidade – Banalizações - Boas Intenções - Malícias – 2Sm 6 – Parte 1

Davi traz a arca para Perez-Uzá. 2Sm 6

Davi, embora quisesse ser um servo fiel, comete um grande erro que acarreta conseqüências graves. É bastante estranho que, num assunto como este, ele não indague nada de Deus nem se lembre da direção dada na Lei referente ao transporte da arca e vasos sagrados. Ainda mais estranho é que, de todas as pessoas apartadas para o serviço do santuário, não tenha havido nenhum sacerdote ou levita para advertir o bem-intencionado rei sobre o modo prescrito de conduzir a arca. Muito já tinham sofrido os filisteus devido à desonra feita à arca. Muito sofreram os homens de Betes-Semes.

Contudo o expediente dos filisteus – o carro de vacas – para descobrirem, da melhor maneira que sabiam se deveras foi a mão de Jeová que os ferira: esse é o modo que Davi adota para levar a arca a Sião!

É verdade que Deus permita aos filisteus aprender a sua lição desse modo, e isso talvez fosse o motivo de Davi adotar o mesmo meio, mas essa imitação não tinha desculpa. Deus falara sobre o assunto e a ignorância do que Ele determinara mostrava descuido, ou aquecimento culpável.

Como podia Deus neste frisante exemplo, perante os olhos da nação inteira, estabelecer um precedente para os tempos futuros, e fazer pouco caso da Sua própria honra?

E vão atrás dos filisteus, como todos os imitadores costumam fazer. Os filisteus tinham pensado que, se Jeová era Deus, o gado havia de Lhe obedecer em qualquer direção humana, e até contra seus próprios instintos. Mas os israelitas, ao entregarem a arca ao carro, querem que Uzá e Aio guiem o gado. Não têm confiança no seu próprio expediente e já estão entregues à obra perigosa de contas os próprios recursos no caso de aparecer qualquer dificuldade. Nada mais então tinham aprendido durante todos os anos em que a arca estivera na casa de Abinadabe!

Contudo a coisa vai bem no princípio. Há regozijos e abundantes demonstrações de lealdade da parte do povo, até que chegando ao lugar preparado, os bois tropeçam e Uzá estende a mão e segura a arca. Uzá significa "força", mas ele não se havia medido na presença de Deus, nem aprendido a verdadeira fonte da força. Seu ato revela o que a arca significa para ele – o ato de uma alma ignorante de Deus e de si mesmo. Ele é ferido, e o eirado preparado vem a ser Perez – Uzá, "o quebramento da força". Uzá morreu porque a obra de Deus naqueles dias se tornou uma coisa comum. Tão comum que os sacerdotes esqueceram que a arca só poderia ser transportada nos ombros dos sacerdotes (1Cr 15.13-15).

É estranho que no serviço do santuário Davi fosse tão ignorante: mas casos semelhantes abundam entre nós hoje. O fato de ser bem-intencionada muitas vezes impede a pessoa de procurar indagar a vontade do Senhor, ou de verificar tudo pela Sua Palavra. Se a coisa proposta for boa em si, por que tanto escrúpulo quanto a modos e métodos? Quão pouco compreendemos a falta de reverência que jaz sob uma aparência de devoção honesta, onde presume-se que a sabedoria humana é suficiente para tomar uma resolução sem consultar a Deus, ou a força humana suficiente para operar a Sua vontade! Quantas vezes nossos "Uzás são feridos, justamente quando imaginamos que nosso serviço deve ser bem aceitável a Deus!

Se o suicídio é um pecado, por que Deus abençoou Sansão por tê-lo cometido?

Se o suicídio é um pecado, por que Deus abençoou Sansão por tê-lo cometido?

O suicídio é uma forma de assassinato e Deus disse: "Não matarás" (Êx 20.13). Há muitos casos de suicídio na Bíblia e nenhum deles recebeu aprovação de Deus. Contudo, Sansão cometeu suicídio com o aparente consentimento do Senhor.

Sansão não tirou a sua vida; ele sacrificou-se por seu povo. Há uma grande diferença. Jonas orou: "Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver" (Jn 4.3). Mas Jonas nunca tirou a sua vida.

O suicídio é um ato "para si mesmo". O que Sansão fez foi entregar a sua vida pelos outros – pelo seu povo. O ato de Sansão foi um ato de suicídio tanto quanto o foi o ato de Cristo, quando este disse: "dou a minha vida" (Jo 10.15), porque "o bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (Jo 10.11). Com efeito, "ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria a vida em favor dos seus amigos" (Jo 15.13).

É claro que nem toda aparente morte "pelos outros" é realmente um ato de amor. Paulo deixou isso evidente no seu grande capítulo acerca do amor: "e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará" (1Co 13.3). Até mesmo um mártir pode morrer sem que haja amor, mas numa obstinada entrega a uma causa centralizada na SUS própria pessoa. Saul optou pela morte, dizendo: "para que porventura ao venham estes incircuncisos, e me traspassem e escarneçam de mim" (1Sm 31.4).

Abimeleque procurou a morte, e disse a seu escudeiro: "mata-me, para que não se diga de mim: Mulher o matou" (Jz 9.54).

Em contraste, Sansão pediu permissão a Deus para morrer, e orou: "Morra eu com os filisteus" (Jz 16.30). Deus acedeu ao seu pedido, "e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida" (v.30). Paulo também desejou "ser anátema, separado de Cristo, por amor de "seus irmãos (Rm 9.3). O soldado que se atira sobre uma granada para salvar a vida de seus companheiros não está tirando a sua vida, não está se suicidando; ele está dando a sua vida pelos outros.

De igual modo, Cristo não cometeu suicídio, tendo ele vindo para "dar a Sua vida em resgate por muitos" Mc 10.45

O que é de fato o pregador – Parte 1 - John Stott

 

A primeira observação que desejo fazer com respeito ao que é ou deve ser o pregador.

Não é um profeta. Ele não recebe uma mensagem de Deus como revelação original e direta. Na verdade, algumas pessoas usam de forma errada a palavra "profeta" hoje em dia. Com freqüência ouvimos que quem prega com fervor ser descrito como quem tem "unção profética"; já que ele sabe interpretar e discernir os sinais dos tempos, que vê a mão de Deus nos fatos do dia-a-dia e procura interpretar o significado das tendências sociais e políticas, diz-se às vezes que é profeta ou tem intuição profética. Afirmo com convicção que o uso do título "profeta" é inadequado.

A característica essencial do profeta não era prever o futuro nem interpretar a atividade presente de Deus, mas falar as palavras de Deus. Como Pedro explicou, "nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo" (2Pe 1.21).

Então, o pregador precisa ter cuidado quando afirma do púlpito eu: "profetizo", vez que o termo foi banalizado, tornando-se uma falácia,de maneira que, é como atirar no escuro, se pegar pegou,ou seja, se der certo foi Deus. E se não der certo? Quem assumirá as responsabilidades?

Portanto o pregador cristão não é um profeta. Ele não recebe nenhuma revelação original; sua tarefa é expor a revelação que já foi definitivamente dada. E embora pregue no poder do Espírito Santo, ele não é "inspirado" pelo Espírito no sentido em que os profetas o foram. Certo, "se alguém fala", deve falar "de acordo com os oráculos de Deus", ou "como se pronunciasse palavras de Deus" (1Pe 4.11).

Agora que a Palavra de Deus escrita está à disposição de todos nós, a Palavra de Deus no discurso profético não é mais necessária. A Palavra de Deus não vem mais aos homens hoje. Ela já veio a todos os homens; agora os homens é que precisam ir a Ela.

Não é um apóstolo. O pregador cristão, também não é um apóstolo. A igreja é apostólica por ter sido fundada sobre a doutrina dos apóstolos e enviada ao mundo para pregar o evangelho. Mas os missionários que plantam igrejas não devem ser chamados "apóstolos". O termo é incorreto, mas este assunto é matéria para outro momento. A única base para o apostolado era a comissão pessoal, à qual devemos acrescentar um encontro com Jesus após a ressurreição. Nunca mais haverá ou poderá haver pessoas que possuam todas as qualificações para o serem.

Portanto assim como a palavra "profeta" deve ser reservada para as pessoas no Antigo Testamento e no Novo, a quem a palavra de Deus veio diretamente, quer sua mensagem tenha chegado até nós, quer não a caracterização de alguém como "apóstolo" deve ser reserva aos Doze e Paulo, pois foram especialmente comissionados e investidos de autoridade por Jesus como tal. Esses homens eram únicos. Não deixaram sucessores.

Não é um falso profeta ou falso apóstolo. O pregador não é e nem deve ser um falso profeta ou um falso apóstolo. Ambos aparecem na Bíblia, e a diferença entre o verdadeiro e o espúrio é claramente definida em Jeremias 23. O verdadeiro profeta é alguém que "esteve no conselho do Senhor, e viu e ouviu a sua palavra" (v.18,22). Já os falsos profetas "falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor" (v.16).

Eles proclamam só o engano do seu próprio coração "(v.26). Proclamam mentiras em nome de Deus (v.25). O contraste aparece com toda a força no versículo 28: "... o profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor". A opção é entre ouvir "cada um a sua própria palavra" e "ouvir as palavras do Deus vivo" (v.36).

Embora não existam mais profetas e apóstolos, temo que haja falsos profetas e falsos apóstolos. Gente que fala as próprias palavras e não a Palavra de Deus. A mensagem vem de suas mentes. Gente que gosta de ventilar suas opiniões sobre religião, ética, teologia e política. Elas podem até seguir a tradição de iniciar seus sermões com um texto bíblico, mas o texto tem pouca ou nenhuma relação com a mensagem que se segue, e não há nenhuma tentativa de interpretar o texto dentro de seu contexto próprio.

Além disso, com muita freqüência esses pregadores, a exemplo dos falsos profetas do Antigo Testamento, usam palavras agradáveis, "dizendo: Paz, paz; quando não há paz" (Jr 6.14, 18.11, cf. 23.17). E nem tocam nos pontos menos "agradáveis" do evangelho, para não ofender o gosto dos ouvintes (Jr 5.30-31).

Não é um tagarela. Essa foi a palavra usada pelos filósofos atenienses no Areópago para descrever Paulo (At 17.18). Metaforicamente, a palavra passou a ser aplicada a mendigos e moleques de rua, "pessoas que vivem de recolher sobras, catadoras de lixo". Daí, passou a indicar o tagarela ou fofoqueiro, "pessoa que recolhe fragmentos de informação aqui e acolá". O "tagarela" repassa idéias como mercadoria de segunda mão, colhendo fragmentos e detalhes onde se encontra; Seus sermões são uma verdadeira colcha de retalhos.

A característica essencial do tagarela é que ele não é capaz de pensar por si. Sua opinião em dado momento é certamente a da última pessoa que ele ouviu. Ele depende das idéias dos outros, sem peneirá-las nem pesá-las, nem apropriar-se delas para si. Como os falsos profetas criticados por Jeremias, ele usa apenas a "língua", e não a mente ou o coração, e é culpado de "furtar" a mensagem de outra pessoas (Jr 23.30,31).

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Deus é autor ou causador de todas as mazelas praticadas pelo ser humano? A falsa afirmação do Determinismo – Livre arbítrio – Final

Determinismo não é bíblico. Os oponentes teístas do determinismo oferecem várias objeções a partir das Escrituras. Definir livre-arbítrio como "fazer o que se quer" é contrário à realidade. Pois as pessoas nem sempre fazem o que querem, nem desejam sempre fazer o que fazem (cf. Rm 7.15,16)

Se Deus deve conceder o desejo antes de a pessoa poder executar uma ação, então Deus deve ter dado a Lúcifer o desejo de se rebelar contra Ele. Mas isso é impossível, pois nesse caso Deus daria um desejo contra Deus. Deus estaria contra Si mesmo, o que é impossível.

Os deterministas teístas como Edwards têm uma visão falha e mecanicista da personalidade humana. Ele equipara o livre-arbítrio humano a balanças que precisam de mais pressão de fora para pender. Seres humanos, entretanto, não são máquinas; são pessoas feitas à imagem de Deus (Gn 1.27).

Edwards pressupõe equivocadamente que autodeterminismo é contrário à soberania de Deus. Pois Deus poderia ter predeterminado as coisas de acordo com o livre-arbítrio, não em contradição a Ele. Até a Confissão de Fé de Westminster, que é calvinista, declara: "Posto que, em relação à presciência e ao decreto de Deus que é a causa primária, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, contudo, pela mesma providência. Deus ordena que elas sucedam, necessária, livre ou contingentemente, conforme a natureza das causas secundárias"

 

Fontes:

Agostinho, Sobre o livre-arbítrio.

J.Edwards, Freedom of the Will

J.Fletcher, Cheeks to antinomianism.

D.Hume, The letters of David Hume

M. Lutero, Bondage of the Will – on Grace and free Will

B.F. Skinner, Beyond behaviorism – Beyhond freedom and dignity.

Thomás de Aquino, Summa theologica.

 

 

Deus é autor ou causador de todas as mazelas praticadas pelo ser humano? A falsa afirmação do Determinismo – Livre arbítrio – Parte 3

Resposta ao argumento da onisciência. É verdade que tudo o que Deus sabe deve acontecer segundo Sua vontade. Senão, Deus estaria errado quanto ao que soubesse, pois a Mente onisciente não pode estar errada sobre o que sabe. Mas isso não significa que todos os eventos são determinados (i.e., causados por Deus). Deus poderia simplesmente determinar que fôssemos seres autodeterminantes no sentido moral.

O fato de Ele saber com certeza o que as criaturas livres farão com sua liberdade é suficiente para estabelecer que as ações livres humanas não são determinadas (causadas) por outra pessoa. Deus determinou o fato da liberdade humana, mas as criaturas livres executam as ações da liberdade humana.

Pontos fracos do determinismo. O determinismo é contraditório. O determinista insiste em que deterministas e não-deterministas estão determinados a acreditar no que acreditam. Mas os deterministas acreditam que autodeterministas estão errados e devem mudar de opinião. Contudo " devem mudar" implica que eles estão livres para mudar, o que é contrário ao determinismo.

O determinismo é irracional. C.S. Lewis argumentou que o determinismo naturalista e completo é irracional. Para o determinismo ser verdadeiro, seria necessária uma base racional para seu pensamento. Mas, se o determinismo é verdadeiro, não há base racional para o pensamento, já que tudo é determinado por forças não racionai. Portanto, se o determinismo afirma ser verdadeiro, então deve ser falso.

O determinismo destrói a responsabilidade humana. Se Deus é a causa de todas as ações humanas, então os seres humanos não são moralmente responsáveis. A pessoa só é responsável por uma escolha se houve livre-arbítrio para fazer ou deixar de fazê-la. Toda responsabilidade implica a habilidade de responder, ou por si mesmo ou pela graça de Deus. Dever implica poder. Mas, se Deus causou a ação, então não poderíamos evitá-la. Logo, não somos responsáveis.

O determinismo anula o elogio e a culpa. Da mesma forma, se Deus causa todas as ações humanas, não faz sentido louvar os seres humanos por fazerem o bem, nem culpá-los por fazerem o mal. Pois, se os corajosos não tivessem outra escolha além de demonstrar coragem, por que recompensá-la? Se os maus não tivessem escolha além de cometer seus crimes, por que puni-los? Recompensas e castigos por comportamento moral só fazem sentido se as ações não foram causadas por outro.

Determinismo leva ao fatalismo. Se tudo é determinado além do nosso controle, por que fazer o bem e evitar o mal? Na verdade, se o determinismo estiver correto, o mal é inevitável. O determinismo destrói a própria motivação de fazer o bem e esquivar-se do mal.

Deus é autor ou causador de todas as mazelas praticadas pelo ser humano? A falsa afirmação do Determinismo – Livre arbítrio – Parte 2

Uma resposta ao determinismo teísta. Os não-deterministas, principalmente os autodeterministas, rejeitam as premissas dos argumentos deterministas. É importante distinguir duas formas de determinismo, rígido e moderado. O determinismo rejeitado aqui é o determinismo rígido:

Determinismo rígido 

Determinismo moderado 

Ação é causada por Deus. 

Ação não é causada por Deus 

Deus é a única causa. 

Deus é a causa primária; seres humanos são a causa secundária. 

O livre-arbítrio humano total é eliminado. 

O livre-arbítrio humano é compatível com a soberania. 

 O determinismo moderado às vezes é chamado compatibilismo, já que é "compatível" com o livre-arbítrio (autodeterminismo). Apenas o determinismo rígido é incompatível com o livre-arbítrio ou a causalidade e secundária do a alternativa.gente humano livre.

Resposta ao argumento da possibilidade alternativa. Todo comportamento humano é não causado, autocausado ou causado por outra coisa. Mas o comportamento humano pode ser autocausado, já que não há nada contraditório sobre uma ação autocausada (como há sobre um ser autocausado). Pois uma ação não precisa ser anterior a si mesma para ser causada por si própria. Apenas o ser (eu) precisa ser anterior à ação. Uma ação autocausada é apenas causada por mim mesmo. E eu mesmo sou anterior às minhas ações.

Resposta ao argumento da natureza da causalidade. Jonathan Edwards argumentou corretamente que todas as ações são causadas, mas isso não significa que Deus seja a causa de todas essas ações. A ação autocausada não é impossível, já que a pessoa é anterior às suas ações.

Portanto, nem todas as ações precisam ser atribuídas à Primeira Causa (Deus). Algumas ações podem ser causadas por seres humanos aquém Deus deu liberdade moral. Livre-arbítrio não é como Edwards afirma, fazer o que quer (com Deus dando os desejos). Mas é fazer o que se decide. E nem sempre fazemos o que desejamos, como é o caso em o que dever é colocado do desejo. Logo, não podemos concluir que todas as ações são determinadas por Deus.

Resposta ao argumento da soberania. Não é preciso rejeitar o controle soberano de Deus sobre o universo para acreditar que o determinismo está errado. Pois Deus tem o controle pela Sua onisciência, assim como por Seu poder causal. Como o próximo ponto revela, Deus pode controlar eventos ao desejar, segundo Seu conhecimento onisciente, o que acontecerá pelo livre-arbítrio. Deus não precisa criar (ou causar) a escolha do homem. Apenas ter a certeza de que uma pessoa fará algo livremente é suficiente para Deus controlar o mundo.