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terça-feira, 3 de novembro de 2009

DEVO APRENDER A COMO INTERPRETAR A BÍBLIA?

(Continuação) Princípio V de D. A. Carson -

Como A Universalidade Formal Dos Provérbios E Ditos Proverbiais Raramente São Uma Universalidade Absoluta

Compare estes dois ditos de Jesus: (a) "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha" (Mt 12.30). (b) "... Porque quem não é contra nós é por nós" (Mc 9.40; cf. Lc 9.50). Como com freqüência tem-se notado, estes ditos não se contradizem, se o primeiro foi expresso a pessoas indiferentes contra si próprias, e o segundo aos discípulos sobre outros, cujo zelo ultrapassa seus conhecimentos. Mas as duas afirmações são com certeza difíceis de conciliar, se cada um forem tomados absolutamente, sem pensar em tais questões.

Ou considere dois provérbios adjacentes em Provérbios 26: (a) "Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia..." (26.4). (b) "Responde ao tolo segundo a sua estultícia…" (26.5). Se estes dois versículos são estatutos ou exemplos de leis casuísticas, há uma inevitável contradição. Por outro lado, a segunda linha de cada provérbio dá explicação suficiente de modo que enxergamos o que deveríamos ter visto: provérbios não são estatutos. Eles são sabedoria destiladas, freqüentemente escritas de forma pungente e aforística, que exige reflexão, ou que descreve efeitos na sociedade como um todo (mas não necessariamente em cada individuo), ou que exigem consideração de exatamente como e quando tal sabedoria é aplicada.

Escrevamos por inteiro estes dois provérbios de novo, mas desta vez com a segunda linha inclusa em cada caso: (a) "Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para que também te não faças semelhante a ele". (b) "Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus olhos". Os versículos lado a lado como estão, estes dois provérbios exigirão reflexão sobre quando é a vez da prudência para refrear-se de responder aos tolos, a menos que sejamos arrastados para o nível deles, e quando é a vez da sabedoria oferecer réplica afiada, "tola" que tem o efeito alfinetar as pretensões do tolo. O texto não esmiúça isto explicitamente, mas se as explicações destes dois casos forem lembrados, nós teremos um princípio sólido de discriminação.

Então, quando uma bem conhecida organização eclesiástica ficar repetindo "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele", como se fosse uma lei casuística, o que devemos pensar? Esta afirmação proverbial não deve ser roubada de sua força: um incentivo poderoso a uma educação infantil responsável, temente a Deus. Contudo, este versículo é um provérbio, e não uma promessa de uma aliança. Nem tão pouco o versículo especifica a que ponto a criança vai entrar na linha. É claro, muitas crianças, que cresceram em lares cristãos se desviam, porque os seus pais foram realmente tolos, ou não-bíblicos, ou completamente pecaminosos. Mas, muitos de nós já testemunhamos os fardos de culpa desnecessária e vergonha que pais realmente piedosos carregaram, quando seus filhos adultos, digamos já aos 40, e claramente não se converteram. Aplicar o provérbio de tal forma como se fosse para causar ou reforçar tal culpa não é somente pastoralmente incompetência, é hermeneuticamente incompetência. É fazer as Escrituras dizerem algo um pouco diferente do que seguramente pode ser inferido. Aforismos e provérbios dão percepção de como uma cultura sob Deus funciona, como relacionamentos funcionam, quais devem ser as prioridades. Eles não dão todas as exceções individuais em notas de rodapé e sob quais circunstâncias devem ser aplicados, e assim por diante.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Jesus Apareceu em Corpos Diferentes Depois de Sua Ressurreição

Jesus apareceu em corpos diferentes depois de sua ressurreição? Mc 16.12

De acordo com Marcos, Jesus apareceu "em outra forma". Com base nisso, alguns argumentam que depois da ressurreição Jesus assumiu copos diferentes em ocasiões diferentes, não tendo o mesmo corpo físico que tivera antes da ressurreição. Mas isso é contrário ao ortodoxo entendimento que se tem da ressurreição, como é indicado por muitos outros versículos.

Tal conclusão não tem cabimento por várias razões. Primeiro, há sérias questões quanto à autenticidade do texto envolvido. Marcos 16.9-20 não é encontrado em alguns dos mais antigos e melhores manuscritos.

E sobre a reconstrução dos textos originais disponíveis, muitos eruditos crêem que os textos mais antigos são mais confiáveis, já que são mais próximos do manuscrito original.

Segundo, mesmo admitindo autenticidade do texto, o evento do qual ele é um resumo (Lc 24.13-32) simplesmente diz que " os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer" (Lc 24.16). Isso torna claro que o elemento miraculoso não estava no corpo de Jesus, mas nos olhos daqueles discípulos (Lc 24.16,31). O reconhecimento de Jesus lhes tinha sido impedido até que os olhos deles foram abertos.

Terceiro, na melhor das hipóteses, essa é uma referência obscura e isolada. E não é sábio basear nenhum pronunciamento doutrinário num texto assim.

Quarto, seja qual for o significado de "em outra forma", com certeza não é o de uma forma diferente do seu corpo material, físico, real. Pois, nessa mesma ocasião, Jesus comeu comida material (Lc 24.30), e mais tarde nesse mesmo capítulo de Lucas, ele deu uma prova de que era "carne e ossos", e não um " espírito" não-material (VS.38-43).

Finalmente, "em outra forma" provavelmente tenha o sentido de ser diferente da figura do jardineiro com que Maria anteriormente o confundira (Jo 20.15). Nesse tempo Jesus apareceu na forma de um viajante (Lc 24.13-14).

terça-feira, 23 de junho de 2009

"IGREJA DA CASA, FAMÍLIA, TEMPLO, PARTE IV - "A CASA NO EVANGELHO DE LUCAS E ATOS"

No "evangelho da infância", casa e templo aparecem em destaque. No templo, João Batista foi anunciado, Lc 1.5-22. No templo, Jesus foi apresentado e reconhecido como o salvador prometido por Simeão e Ana, Lc 2.22-38. No templo, surpreendeu os doutores da Lei por sua sabedoria, Lc 2.46-47.

Na casa, a anunciação de Jesus, Lc 1.26-38, os cânticos de Maria, Lc 1.46-55, e Zacarias, Lc 1.67-79, e a vida oculta de João Batista, Lc 1.80 e de Jesus , Lc 2.39 -40.51,52.

A recuperação da vida de Zaqueu começa por um convite de Jesus: " Hoje devo ficar em tua casa" e se completa pela constatação de que " hoje a salvação entrou nesta casa", Lc 19.5,9. 

Foi numa casa que Jesus se revelou aos discípulos em Emaús, Lc 24.29-31, e depois em Jerusalém, Lc 24.36-42.

É numa casa que acontece o pentecoste, quando "veio do céu um ruído como de um vento impetuoso, que encheu toda a casa", At 2.2. A fraça do pão era celebrada nas casas, At 2.46, assim como nelas era ministrada a doutrina dos apóstolos, At 2.42-46. 

Paulo, ainda perseguidor, sabia que as reuniões cristãs eram  nas casas: " Saulo devastava a Igreja entrando nas casas; e arrastando homens e mulheres, os entregava à prisão" At 8.3.

Pela casa do centurião Cornélio, inicia-se a Igreja entre os gentios, At 10.22; 11.12-14. Em Filipos, Paulo foi acolhido na casa de Lídia e depois na casa do carcereiro, At 16-15.31-34.