segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Crucificação de Cristo - A partir de um ponto de Vista Médico – Parte 1

A Crucificação de Cristo, a partir de um ponto de vista médico

de C. Truman Davis

Lendo o livro de Jim Bishop "O Dia Que Cristo Morreu", eu percebi que durante vários anos eu tinha tornado a crucificação de Jesus mais ou menos sem valor, que havia crescido calos em meu coração sobre este horror, por tratar seus detalhes de forma tão familiar - e pela amizade distante que eu tinha com nosso Senhor. Eu finalmente havia percebido que, mesmo como médico, eu não entendia a verdadeira causa da morte de Jesus. Os escritores do evangelho não nos ajudam muito com este ponto, porque a crucificação era tão comum naquele tempo que, aparentemente, acharam que uma descrição detalhada seria desnecessária. Por isso só temos as palavras concisas dos evangelistas "Então, Pilatos, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado."

Eu não tenho nenhuma competência para discutir o infinito sofrimento psíquico e espiritual do Deus Encarnado que paga pelos pecados do homem caído. Mas parecia a mim que como um médico eu poderia procurar de forma mais detalhada os aspectos fisiológicos e anatômicos da paixão de nosso Senhor. O que foi que o corpo de Jesus de Nazaré de fato suportou durante essas horas de tortura?

Dados históricos

Isto me levou primeiro a um estudo da prática de crucificação, quer dizer, tortura e execução por fixação numa cruz. Eu estou endividado a muitos que estudaram este assunto no passado, e especialmente para um colega contemporâneo, Dr. Pierre Barbet, um cirurgião francês que fez uma pesquisa histórica e experimental exaustiva e escreveu extensivamente no assunto.

Aparentemente, a primeira prática conhecida de crucificação foi realizado pelos persas. Alexandre e seus generais trouxeram esta prática para o mundo mediterrâneo--para o Egito e para Cartago. Os romanos aparentemente aprenderam a prática dos cartagineses e (como quase tudo que os romanos fizeram) rapidamente desenvolveram nesta prática um grau muito alto de eficiência e habilidade. Vários autores romanos (Lívio, Cícero, Tácito) comentam a crucificação, e são descritas várias inovações, modificações, e variações na literatura antiga.

Por exemplo, a porção vertical da cruz (ou "stipes") poderia ter o braço que cruzava (ou "patibulum") fixado cerca de um metro debaixo de seu topo como nós geralmente pensamos na cruz latina. A forma mais comum usada no dia de nosso Senhor, porém, era a cruz "Tau", formado como nossa letra "T". Nesta cruz o patibulum era fixado ao topo do stipes. Há evidência arqueológica que foi neste tipo de cruz que Jesus foi crucificado. Sem qualquer prova histórica ou bíblica, pintores Medievais e da Renascença nos deram o retrato de Cristo levando a cruz inteira. Mas o poste vertical, ou stipes, geralmente era fixado permanentemente no chão no local de execução. O homem condenado foi forçado a levar o patibulum, pesando aproximadamente 50 quilos, da prisão para o lugar de execução.

Muitos dos pintores e a maioria dos escultores de crucificação, também mostram os cravos passados pelas palmas. Contos romanos históricos e trabalho experimental estabeleceram que os cravos foram colocados entre os ossos pequenos dos pulsos (radial e ulna) e não pelas palmas. Cravos colocados pelas palmas sairiam por entre os dedos se o corpo fosse forçado a se apoiar neles. O equívoco pode ter ocorrido por uma interpretação errada das palavras de Jesus para Tomé, "vê as minhas mãos". Anatomistas, modernos e antigos, sempre consideraram o pulso como parte da mão.

Um titulus, ou pequena placa, declarando o crime da vítima normalmente era colocado num mastro, levado à frente da procissão da prisão, e depois pregado à cruz de forma que estendia sobre a cabeça. Este sinal com seu mastro pregado ao topo teria dado à cruz um pouco da forma característica da cruz latina.

O suor como gotas de sangue

O sofrimento físico de Jesus começou no Getsêmani. Em Lucas diz: "E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra." (Lc 22.44) Todos os truques têm sido usados por escolas modernas para explicarem esta fase, aparentemente seguindo a impressão que isto não podia acontecer. No entanto, consegue-se muito consultando a literatura médica. Apesar de muito raro, o fenômeno de suor de sangue é bem documentado. Sujeito a um stress emocional, finos capilares nas glândulas sudoríparas podem se romper, misturando assim o sangue com o suor. Este processo poderia causar fraqueza e choque. Atenção médica é necessária para prevenir hipotermia.

Após a prisão no meio da noite, Jesus foi levado ao Sinédrio e Caifás o sumo sacerdote, onde sofreu o primeiro traumatismo físico. Jesus foi esbofeteado na face por um soldado, por manter-se em silêncio ao ser interrogado por Caifás. Os soldados do palácio tamparam seus olhos e zombaram dele, pedindo para que identificasse quem o estava batendo, e esbofeteavam a Sua face.

A condenação

De manhã cedo, Jesus, surrado e com hematomas, desidratado, e exausto por não dormir, é levado ao Pretório da Fortaleza Antônia, o centro de governo do Procurador da Judéia, Pôncio Pilatos. Você deve já conhecer a tentativa de Pilatos de passar a responsabilidade para Herodes Antipas, tetrarca da Judéia. Aparentemente, Jesus não sofreu maus tratos nas mãos de Herodes e foi devolvido a Pilatos. Foi em resposta aos gritos da multidão que Pilatos ordenou que Bar-Abbas fosse solto e condenou Jesus ao açoite e à crucificação.

Há muita diferença de opinião entre autoridades sobre o fato incomum de Jesus ser açoitado como um prelúdio à crucificação. A maioria dos escritores romanos deste período não associam os dois. Muitos peritos acreditam que Pilatos originalmente mandou que Jesus fosse açoitado como o castigo completo dele. A pena de morte através de crucificação só viria em resposta à acusação da multidão de que o Procurador não estava defendendo César corretamente contra este pretendente que supostamente reivindicou ser o Rei dos judeus.

Os preparativos para as chicotadas foram realizados quando o prisioneiro era despido de suas roupas, e suas mãos amarradas a um poste, acima de sua cabeça. É duvidoso se os Romanos teriam seguido as leis judaicas quanto às chicotadas. Os judeus tinham uma lei antiga que proibia mais de 40 (quarenta) chicotadas.

O açoite

O soldado romano dá um passo a frente com o flagrum (açoite) em sua mão. Este é um chicote com várias tiras pesadas de couro com duas pequenas bolas de chumbo amarradas nas pontas de cada tira. O pesado chicote é batido com toda força contra os ombros, costas e pernas de Jesus. Primeiramente as pesadas tiras de couro cortam apenas a pele. Então, conforme as chicotadas continuam, elas cortam os tecidos debaixo da pele, rompendo os capilares e veias da pele, causando marcas de sangue, e finalmente, hemorragia arterial de vasos da musculatura.

As pequenas bolas de chumbo primeiramente produzem grandes, profundos hematomas, que se rompem com as subseqüentes chicotadas. Finalmente, a pele das costas está pendurada em tiras e toda a área está uma irreconhecível massa de tecido ensangüentado. Quando é determinado, pelo centurião responsável, que o prisioneiro está a beira da morte, então o espancamento é encerrado.

Então, Jesus, quase desmaiando é desamarrado, e lhe é permitido cair no pavimento de pedra, molhado com Seu próprio sangue. Os soldados romanos vêm uma grande piada neste Judeu, que se dizia ser o Rei. Eles atiram um manto sobre os seus ombros e colocam um pau em suas mãos, como um cetro. Eles ainda precisam de uma coroa para completar a cena. Um pequeno galho flexível, coberto de longos espinhos é enrolado em forma de uma coroa e pressionado sobre Sua cabeça. Novamente, há uma intensa hemorragia (o couro do crânio é uma das regiões mais irrigadas do nosso corpo).

Após zombarem dele, e baterem em sua face, tiram o pau de suas mãos e batem em sua cabeça, fazendo com que os espinhos se aprofundem em sua cabeça. Finalmente, cansado de seu sádico esporte, o manto é retirado de suas costas. O manto, por sua vez, já havia aderido ao sangue e grudado nas feridas. Como em uma descuidada remoção de uma atadura cirúrgica, sua retirada causa dor torturante. As feridas começam a sangrar como se ele estivesse apanhando outra vez.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

CGADB: o baile da Ilha Fiscal - Que tristeza!!!

CGADB: o baile da Ilha Fiscal

Relutei muito em escrever esta postagem. Esperava que as coisas não chegassem ao ponto em que chegaram, no âmbito da CGADB. Tanto eu quanto outros companheiros nos posicionamos, sempre que nos foi possível, com a expectativa de que a atual gestão, eleita em abril de 2009, pusesse ordem na casa, programasse uma celebração do Centenário a altura de nossa história, apoteótica, com a inclusão da igreja-mãe, e preparasse uma transição pacífica em 2013. Confesso que estou humanamente decepcionado. O quadro que se nos apresenta hoje mais parece com o baile da Ilha Fiscal. Para quem não se lembra, foi a última grande festa da monarquia brasileira, "considerado o mais extraordinário entre todos os bailes promovidos pelo império", que teve lugar nos luxuosos salões do Palácio da Ilha Fiscal, situada na entrada da Baía da Guanabara, seis dias antes de ser instaurada a República. Segundo dados históricos, "dançou-se muito no baile da Ilha Fiscal, mas o que os convidados não imaginavam, nem o Imperador Pedro II, é que se dançava sobre um vulcão". O resto todos sabem. A ilustração parece forte, mas não vejo outra mais apropriada para o momento. Enquanto um vulcão sem proporções está prestes a explodir sob os nossos pés, os nossos líderes parecem não se dar conta disso e deixam a impressão de que agem como se nada estivesse acontecendo. Paira no ar a noção que o seu interesse é manter o "status quo", custe o que custar, aparentar uma situação sob controle, em que o Titanic parece navegar em águas tranquilas, quando, de fato, há não só um imenso iceberg adiante, mas também uma insatisfação que se alastra a olhos vistos entre os convencionais pelo descalabro em que se encontra a nossa instituição. Não me lembro, em toda a minha história de ministério, de uma crise tão séria como a que experimentamos. Mas os nossos líderes parecem viver como se estivessem em céu de brigadeiro.

Veja em que estágio se encontra o vulcão, enquanto o "baile" prossegue aparentemente sem qualquer percepção da realidade que cerca a nossa instituição. Primeiro foram duas demissões até hoje não esclarecidas de dois funcionários de confiança da CPAD antes da Assembleia Geral Ordinária de abril de 2009. Refiro-me ao Gerente Administrativo e Financeiro da Editora, Walter Alves de Azevedo, homem íntegro e de ilibada reputação, que, ao voltar de férias, quase não pôde entrar em sua sala, pois a fechadura da porta fora trocada antes de sua chegada, como se tratasse de um marginal. Foi substituído por alguém que, segundo me consta, tem laços de parentesco com a esposa do diretor executivo. A segunda demissão foi a do jornalista Antonio Mesquita, Gerente de Jornalismo da CPAD, que desfrutava de prestígio junto à direção da CPAD, sendo também homem de grande caráter. Sei que demissões são normais em qualquer empresa. Uns chegam, outros vão. Todavia, nos casos acima me faz lembrar a recente postagem do pastor Carlos Roberto em seu blog sob o título: "Santa" queima de arquivo. Acredito que em qualquer auditoria independente que se faça sobre a CGADB/CPAD estes deveriam estar na lista como os primeiros a serem ouvidos. Questão de bom senso. Depois veio a própria Assembleia Geral Ordinária de abril de 2009 em que o relatório financeiro da CGADB foi aprovado com ressalvas, após imensa batalha em plenário capitaneada pelo pastor Silas Malafaia. Cheguei o ouvir de um defensor do relatório que o fazia para preservar a CPAD. Creio que o pastor Silas tenha concordado com a aprovação, sob restrições, na esperança de que os rumos fossem corrigidos. Mas o que os fatos parecem demonstrar é que ao invés disso a coisa degringolou de vez. Nos meses recentes teve o imbróglio Dake que até hoje continua sob impasse em que pese duas resoluções determinativas do CD e da CA proibindo a publicação e a venda da obra sem que a editora tenha obedecido aos seus termos. Soube-se depois que a Mesa Diretora da CGADB, em reunião durante as comemorações dos 70 anos da CPAD, se teria pronunciado em favor de uma revisão com o acompanhamento de ambos os órgãos para "escoimar" os resquícios que ficaram. Mas nem isso, ao que eu saiba, aconteceu. Assim, enquanto os órgãos da CGADB caem em descrédito, a CPAD parece dispor de uma força que ultrapassa o poder da CGADB, a sua proprietária. Qual seria a razão? Não demorou muito e veio não só a renúncia do pastor Silas Malafaia à primeira vice-presidência da CGADB, mas o próprio desligamento da entidade. Apesar de ser seu amigo, tenho veemente discordância da teologia que hoje esposa e não compactuo uma filigrana sequer com as campanhas de Mike Murdock e Morris Cerullo levadas a cabo em seu programa. Como então diretor de publicações da editora, isso fica claro em minha decisão de lançar o livro Cristianismo em Crise pela CPAD, que condena tais práticas. Mas tenho de concordar com os motivos alegados para a decisão que tomou, segundo ele "de arrepiar os cabelos", pois, em sendo verdade, refletem o descalabro de nossa instituição. Agora somos apanhados por outra renúncia. O pastor Antonio Silva Santana, 1° tesoureiro da CGADB, homem cuja reputação ninguém discute, também abriu mão do cargo. Nesta segunda-feira, dia 31 de maio, protocolou carta na secretaria-geral da CGADB (já amplamente divulgada na internet como a do pastor Silas Malafaia) onde pinta com cores ainda mais fortes do que o pastor Silas Malafaia as razões para a sua decisão. O que se lê em ambos os documentos e em emails que nos chegam me levam a uma única conclusão: como está não pode ficar. Ou a mesa diretora da CGADB assume o controle da situação, promove uma auditoria independente, rearruma a estrutura administrativa da CGADB/CPAD e permite que em setembro a eleição do cargo vago de 1° vice-presidente seja democrática ou teremos demandas judiciais extremamente danosas pela frente, que poderá resultar no esfacelamento total de nossa já combalida CGADB. Mas se os nossos líderes preferirem continuar repetindo o mesmo frenesi do baile da Ilha Fiscal, como se tudo fosse uma festa, saibam que estão celebrando um centenário desenxabido, em que a igreja-mãe é excluída da programação, a liderança está fragmentada e o dia seguinte pode ser de profunda tristeza para uma denominação que não merecia estar passando por essa vergonha inominável. Alguém poderá criticar-me por tratar do assunto no blog. Mas saiba que, além de não trazer nenhum ponto específico do que circula à boca pequena, em respeito aos colegas convencionais, faço apenas refletir o que, infelizmente, já está espalhado por toda a mídia, sobretudo na internet. Há algum mal nisso? É possível. No entanto, pode ser também a forma que Deus esteja usando para tratar conosco, enquanto líderes que queremos seguir o nosso próprio caminho, não o dEle. Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

Fonte:

http://geremiasdocouto.blogspot.com/

Pr Silas Malafaia pede Desligamento da CGADB. O que dizer?

Ilustríssimo Senhor Tabelião do Cartório de Títulos e Documentos da Cidade do Rio de Janeiro.

Silas Lima Malafaia, brasileiro, casado, Pastor Evangélico, Presidente da Igreja Assembléia de Deus da Penha, Vice-Presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil e Presidente da Associação Vitória em Cristo, membro da CGADB registrado sob o nº 005887, vem, em atendimento ao disposto no art. 7º, inciso IV do Estatuto da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil e seus demais artigos, em termos e tempestivamente, requerer seja realizada a

N O T I F I C A Ç Ã O E X T R A J U D I C I A L

para fins específicos de

P E D I D O D E D E S L I G A M E N T O E R E N Ú N C I A

da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, de sua Mesa Diretora e seu Presidente - Pr. José Wellington Bezerra da Costa, com fundamento nas razões de fato de direito que passa a expor:

1 – A CGABB - Notificada, como é de conhecimento geral, tem como uma de suas finalidades inscrever e credenciar como membros, os ministros das Assembléias de Deus no Brasil, exercendo ação disciplinar sobre os mesmos, conforme normas estabelecidas neste Estatuto e Regimento Interno; (Art. 3º, inc. IX, Estatuto da CGADB)

2 – Considerando tal fato e minha condição à época, de Vice-Presidente da Igreja Assembléia de Deus da Penha, tornei-me membro regular e atuante da Convenção Evangélica das Assembléias de Deus no Estado do Rio de Janeiro - CEADER, e, por conseguinte, da própria CGADB, tendo sempre atuado em conformidade com suas diretrizes e normas; (Art. 5º e Art. 5º § 3º, Estatuto da CGADB)

3 – Durante todo o período em que fui membro da CGABB – Notificada, cumpri integralmente meus deveres estatutários (Art. 8º, Estatuto da CGADB), bem como nunca pratiquei nenhuma das condutas vedadas pelo Estatuto Social da mesma; (Art. 9º, Estatuto da CGADB)

4 – Ao contrário, sempre atuando de maneira honesta, íntegra, inequívoca e cristalina, busquei o melhor para a CGABB – Notificada e seus membros. Precisamente por esse motivo, ainda no ano de 2008, me sentindo na obrigação de não ser omisso em relação ao descalabro financeiro vigente na CGABB – Notificada, formulei diversas denúncias, as quais foram integralmente reafirmadas no Plenário da Convenção da CGABB – Notificada no ano de 2009;

5 – Exatamente em razão da conduta reta, ilibada e cuidadosa, bem como em razão de meu indiscutível comprometimento com a CGABB – Notificada e seus membros, submeti, com sucesso destacado, meu nome ao crivo dos demais membros nas últimas eleições. Em razão de minha vivência enquanto Pastor Evangélico a frente da Igreja Assembléia de Deus da Penha, membro atuante da CEADER – Convenção Evangélica das Assembléias de Deus no Estado do Rio de Janeiro e da própria CGABB – Notificada, logrei ser eleito para o cargo de Primeiro Vice-Presidente da CGADB, o qual honrosamente ocupei e ao qual me dediquei com zelo e afinco inquestionáveis, realizando, com sucesso, todas as atribuições a ele destinadas;

6 – Entretanto, passados tantos anos, é com extremo pesar e o mais sincero desalento que, consternado, me vejo forçado a renunciar ao cargo de Primeiro Vice-Presidente da CGADB e a formular meu pedido de desligamento da mesma;

7 – Necessário se faz destacar que tão penosas atitudes têm como um dos motivos principais os desmandos administrativos, que fazem com que a CGABB – Notificada tenha hoje seu nome "negativado" junto aos órgãos de proteção ao crédito, padecendo até mesmo da suspensão de cheques para as contas bancárias da mesma e esteja, atualmente, com diversos tributos em aberto e não pagos;

8 – Não se pode olvidar que o maior patrimônio de um homem é o seu nome. Nesse sentido, textualmente, a Bíblia diz que: "Mais vale um bom nome a muitas riquezas" (Provérbios 22,1) e, ainda, "Cuida do teu bom nome, porque ele te acompanha, é mais do que milhares de tesouros preciosos." (Eclesiastes 41,12);

9 – Nesse contexto, não posso aceitar que, de nenhuma forma, sob nenhum argumento, possa vir a ser responsabilizado, considerado envolvido ou conivente, em algum momento futuro, por questões que não tenho o poder de decidir, corrigir ou evitar, mas que, pela função por mim exercida, podem, ainda que indiretamente, atingir-me se, nada fizer;

10 – Nos exatos termos acima descritos, desde o ano de 2008 venho denunciando à Presidência, à Mesa Diretora e ao Conselho Fiscal, diversas e graves irregularidades, as quais depõem contra a CGABB – Notificada e que não podem ser toleradas. Tais denúncias, por oportunidade da última Convenção da CGADB, restaram integralmente comprovadas em trabalho realizado por comissão formada para esse fim, cujo relatório só foi aprovado com as ressalvas e obrigações de apresentar balancetes;

11 – Lamentavelmente, mesmo em face das denúncias que fiz e das conclusões obtidas e tornadas públicas na última Convenção da CGADB, o descalabro administrativo-financeiro continua. A mesma CGADB que exige de seus membros que tenham e mantenham seus nomes impolutos, hoje, pelos absurdos praticados em sua administração, não ostenta tal condição!

Sendo assim e por todo o exposto, considerando que é direito de qualquer dos membros da CGADB pedir o seu desligamento, desde que cumprindo com a obrigatória devolução da credencial e com a quitação de eventuais débitos na tesouraria da Convenção Geral (Art. 7º, inc. IV, Estatuto da CGADB), venho, pelo presente instrumento, na melhor forma de direito:

  1. requerer meu desligamento da CGADB, assumindo, desde já, e expressamente, o compromisso de apresentar, em prazo razoável e menor possível, o documento de anuência da CEADER, quando então, deverei oferecer à devolução a credencial recebida por mim na Secretaria da CGADB mediante termo de entrega;

  2. requerer minha renúncia do cargo de Primeiro Vice-Presidente da CGADB, para o qual fui eleito e cujas funções exerci até a presente data;

  3. requerer à Mesa Diretora da CGADB que proceda, através de Resolução a ser publicada no Boletim Reservado, a homologação de meu desligamento; (Art. 30, inc. IV, Estatuto da CGADB)

Feita a NOTIFICAÇÃO ora pleiteada, venho requerer, ainda, a entrega a seu subscritor, independentemente de traslado, para fins de futuros procedimentos judiciais.

Termos em que,

Pede Deferimento.

Rio de Janeiro, 13 de maio de 2009.

Pr. Silas Lima Malafaia

terça-feira, 1 de junho de 2010

VOCÊ NÃO PODE PERDER!!! SEMINÁRIO DE ESCATOLOGIA BÍBLICA.

1º

SEMINÁRIO TEOLÓGICO

A ESCATOLOGIA

ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Dia 17 de julho de 2010

Programação

Início: 07h30min – Café da Manhã

08h00min às 10h00min

Escatologia no Antigo Testamento

Presbítero Marco Antônio

Igreja Assembleia de Deus em Irajá

10h00min às 12h00min

Cumprimento da Escatologia

Pastor João L. Marques

Igreja Assembleia de Deus na Tijuca

12h00min às 13h30min – Almoço

14h00min às 16h00min

O Esfriamento da Igreja na Atualidade

Pastor Elias Cardoso

CANEVAM (Centro de Aconselhamento de Missões e Evangelismo

16h00min às 18h00min

O Arrebatamento da Igreja

Pastor Roberto de Medeiros

Igreja Assembleia de Deus em Vigário Geral – ADEVIG

Teologia - Por quê? Pra quê?

Teologia - Por quê? Pra quê?

A Palavra Deus na língua portuguesa é a mesma que se usa no latim, No grego é Theos. Em ambas as línguas quer dizer: O Soberano Senhor e Governador.

Teologia (do grego θεóς, transliterado - Theos = "Deus" + λóγος, logos = "palavra", por extensão, "estudo"), no sentido literal, é o estudo sobre Deus. Porém partindo do princípio da definição hegeliana do termo "Teologia", a teologia é o estudo das manifestações sociais de grupos em relação às divindades. Como toda área do conhecimento, possui então objetos de estudo definidos.

Teologia é uma palavra usada nos seminários e nos livros. Mas teologia é coisa que todo mundo faz. Quando, por exemplo, uma pessoa próxima sofre algum infortúnio, e um crente aproxima-se numa atitude de conforto e diz: "Não se deixe abater: Deus sabe o que faz!", o que esse crente está fazendo é teologia. Quando Jó, diante de toda a desgraça que lhe caiu na cabeça, afirmou: "O Senhor deu, e o Senhor tirou" (Jó 1.21b), Jó fez teologia. Quando a mulher cananéia respondeu a Jesus, dizendo: "Sim, mas até os cachorrinhos comem das migalhas" (Mt 15.27b), também ela fez teologia

O estudo da verdade religiosa deveria ser empreendido e continuado com base no senso do dever, tendo como escopo o aprimoramento do coração. Uma vez aprendida, essa verdade não deveria ser guardada em uma estante, como se fosse um objeto de pesquisa; mas deveria ser implantada profundamente no coração, onde o seu poder santificador pode ser sentido. Estudar teologia com o propósito de satisfazer à curiosidade ou de preprarar-se para uma profissão, seria um abuso, uma profanação daquilo que precisa ser considerado como extremamente santo. Aprender as realidades referentes a Deus meramente para efeito de diversão, ou buscando-se alguma vantagem secular, ou a fim de satisfazer o mero amor ao conhecimento é tratar o Altíssimo com desdém.

Nossos interesses eternos estão envolvidos na questão religiosa e deveríamos estudá-la dentro desses interesses. Um agricultor deveria estudar agronomia tendo em vista aumentar a sua produção; porém, se ao invés disso, vier a esgotar suas energias, indagando como as plantas multiplicam as suas espécies, ou como os diferentes tipos de solo foram originalmente formados, então os seus campos ficarão repletos de espinheiros e abrolhos, além de seu celeiro ficar vazio. Igualmente sem proveito será aquele estudo das doutrinas religiosas que for efetuado com o mero propósito da especulação. Seria como se o alimento necessário para o sustento do corpo, ao invés de estar sendo ingerido e digerido, fosse preparado apenas para satisfazer à vista. Em tal caso, o corpo certamente pereceria de fome; com idêntica certeza a alma perecerá de inanição espiritual, se não for nutrida com a verdade de Deus.

Quando a doutrina religiosa é considerada meramente como objeto de especulação, a mente não se contenta com a verdade simples, conforme ela pode ser encontrada em Jesus, mas corre atrás de questões sem proveito e acaba se enredando em dificuldades das quais é incapaz de desvencilhar-se. Disso é que resulta o ceticismo de muitos. A verdade que poderia salvar e santificar as suas almas é por eles intencionalmente rejeitada, por não satisfazer à sua imensa curiosidade e, tampouco, solucionar todas as suas perplexidades. Esses agem à maneira de um lavrador qualquer que rejeita a ciência inteira da agricultura, recusando-se a cultivar o seu terreno, tão-somente porque existem mistérios no desenvolvimento das plantas, os quais ele se sente incapaz de explicar.

O homem foi originalmente criado para seguir a religião, assim como o olho foi formado com o propósito. A mente humana está qualificada para um contínuo progresso no conhecimento e, assim sendo, para o estado da imortalidade. Essa adaptação inclui um insaciável desejo de obter conhecimento, bem como a capacidade de adquiri-lo.

Ao considerarmos as verdades da religião, podemos apreciá-las de vários ângulos. Podemos considerá-las como provenientes de Deus, ou como demonstradas por provas abundantes, ou como harmônicas entre si, ou como tendentes à glória de Deus. Como saber se o que estou dizendo a respeito de Deus é verdade? Por isso a Teologia fundamenta-se na crença de que Deus se revela na natureza, na história e nos negócios humanos. O Deus que se revelou dessas formas é aquele que fala na Bíblia e se fez homem em Jesus Cristo. Por isso a Teologia tenta compreender o que Deus nos revelou e o que essa revelação significa.

Na qualidade de seres religiosos, procuremos compreender as verdades da religião. Na qualidade de seres dotados de imortalidade, esforcemo-nos por nos familiarizar com a doutrina da qual depende a nossa felicidade eterna. Tenhamos o cuidado para não aceitar essa verdade com um frio entendimento, mas de tal maneira que o seu poder renovador jamais cesse de atuar em nossos corações.

A Rainha Esther - Final

- A segunda lição que Ester nos dá é que, nesta obediência e submissão, há o altruísmo, que é a virtude sobrelevada pelo ilustre comentarista nesta lição. Somente obedecemos ao outro quando o consideramos, quando o levamos em conta, quando reconhecemos a sua importância. Ester, mesmo quando era apenas uma órfã cativa, mas também quando se tornou na rainha da Pérsia, sempre considerou os outros superiores a si mesmo (Fp 2.3), guardando o seu lugar, mas não se fechando em si mesma, buscando sempre o bem-estar dos outros.

- O verdadeiro crente é altruísta, pois tem o mesmo sentimento de Cristo Jesus, "…que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.6-8). Negar-se a si mesmo e viver em função do outro é o primeiro requisito para servirmos a Cristo (Mc 8.34; Lc 9.23). Já foi dito supra que quem quiser viver para si, acabará perdendo a própria vida. Ester dá-nos um exemplo: alcançou uma posição inimaginável não só na sociedade da sua época, mas diante de Deus, única e exclusivamente porque não viveu em função de si própria, mas em função dos outros. O amor divino é demonstrado em nós na medida em que não buscamos apenas os nossos interesses (1 Co 13.5).

OBS: Lembremo-nos aqui das palavras do rabino judeu Hilel, que viveu algumas décadas antes de Cristo e que, em seu pensamento, sintetiza o espírito judaico a respeito do altruísmo, que foi totalmente incorporado pelo Senhor: "Se não for por mim, quem será por mim? Mas se eu for só por mim, o que sou eu? E se não agora, quando?" (Pirke Avot 1.14).

- A terceira lição dada por Ester é a de que sempre buscou manter um testemunho que a fizesse diferente e distinta no ambiente em que se encontrava. Ester chamava atenção por sua beleza, mas era o seu comportamento que a fazia achar graça seja aos olhos do guarda das mulheres do rei, seja aos olhos do rei, seja aos olhos de suas moças. Ester tinha um testemunho exemplar e isto a tornava agradável e alvo da graça e da benevolência das pessoas. O cristão deve ser alguém que seja agradável, ou seja, que faça a diferença pelo seu comportamento distinto dos demais nos ambientes de que faz parte.

- Sejamos bem claros. Ester não se sobressaía porque procurava agradar a todos, vivendo como eles, pois não estamos aqui para agradar aos homens, mas, sim, para agradar a Deus (Gl 1.10). Ocorre que, quando agradamos a Deus, tornamo-nos agradáveis aos homens, faz bem aos homens estar na nossa companhia, ainda que, por causa disso, venhamos a sofrer perseguições e injúrias. Nossa presença sempre traz o bem e a paz aos que nos cercam e era isto que fazia com que as pessoas favorecessem Ester onde quer que ela estivesse.

- Uma prova de que Ester era uma pessoa cativante, que atraía as pessoas pelo seu modo de viver está no comportamento do próprio Mardoqueu que, embora tivesse mandado a Ester que não revelasse nem sua nacionalidade, nem sua parentela, não cessava de acompanhar o cotidiano de sua filha de criação, sempre buscando saber como ela estava (Et 2.11,19). O que significa a nossa presença para aqueles que nos cercam?

- A quarta lição que Ester nos dá é a relevância do comportamento de um servo de Deus. A escolha de Ester para rainha, como vimos, trouxe alegria e paz para o reino. Ester era um instrumento de bênçãos para todos quantos estavam sob a sua área de influência, ou, podemos mesmo dizer, era uma bênção para todos eles. Como filhos de Deus, temos a mesma promessa que Deus deu a Abraão: "tu serás uma bênção" (Gn 12.2 "in fine"). Temos sido uma bênção? Os crentes de hoje em dia querem ser ricamente abençoados, gostam de dizer que lhe foram prometidas todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (embora utilizem, quase sempre, este versículo na sua incessante e incansável busca por bênçãos materiais…), mas se esquecem que o objetivo de Cristo é que eles mesmos sejam uma bênção para os que estão à sua volta. Sal da terra e luz do mundo, assim identifica Jesus os Seus discípulos. Que bênção temos sido para os que estão convivendo conosco debaixo do sol?

- A quinta lição que Ester nos dá é a referente à necessidade de preparação espiritual para que tomemos uma decisão. Antes de ir à presença do rei para pedir por seu povo, Ester jejuou e orou por três dias, pedindo, ainda, a intercessão dos judeus a seu favor. Ester sabia "…que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6.12). Verdade é que muitos vêem o diabo em todos os lugares, o que não é correto, mas também é reprovável desprezar a atuação maligna, cada vez mais intensa e freqüente nos dias difíceis que estamos a viver.

- A sexta lição que Ester nos dá é a de que a preparação espiritual é necessária e prioritária, mas não é suficiente. Aquilo que podemos fazer, devemos fazer. Somente Ester poderia vestir os vestidos reais e se fazer graciosa aos olhos do rei. Ela era a rainha e deveria cativar o rei. A sua parte fez e o resultado foi que, com oração, jejum e devida preparação material, Ester alcançou o favor do rei e teve o cetro de ouro apontado para si.

- A propósito, esta situação narrada no livro de Ester tem uma aplicação espiritual direta. Temos nos apresentado com vestes reais diante do Rei dos reis? Temos comparecido convenientemente diante de Deus quando entramos em Sua presença? O escritor aos hebreus diz-nos que, quando nos chegamos a Deus, devemos nos apresentar com verdadeiro coração, inteira certeza de fé, os corações purificados da má consciência e o corpo lavado com água limpa (Hb10.22). Porventura, são estas as nossas vestes, nós, que somos reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai, lavados que fomos dos nossos pecados pelo sangue de Cristo (Ap 1.5,6)? Ou estamos como o sumo sacerdote Josué, com vestidos sujos (Zc3.3)? Não nos iludamos: somente os que não contaminarem as suas vestes poderão entrar no reino de Deus.

- A sétima lição que Ester nos dá é a de que é preciso ter cautela e prudência, de estarmos sempre na direção do Espírito Santo. Ester, mesmo tendo a oferta de até metade do reino, soube esperar o momento certo para fazer a sua petição, o momento adequado, o momento sinalizado por Deus, depois da exaltação de Mardoqueu e da construção da forca por ordem de Hamã. "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" (Ec 3.1). Saibamos esperar no Senhor de modo paciente (Sl.40.1).

- Como ter prudência? Como saber qual é o tempo de Deus? A prudência, diz-nos a Bíblia, é a "ciência do Santo" (Pv 9.10), habita sempre com a Sabedoria (Pv 8.12), sabedoria esta que é o Senhor Jesus, o qual nos faz abundar em toda a prudência (Ef 1.8). Vemos, pois, que, para ter prudência, para saber qual é o tempo de Deus, precisamos habitar com Jesus, ter comunhão com Ele, conhecê-lO: "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito (Jo 15.7). O homem prudente é aquele que ouve e pratica as palavras do Senhor Jesus (Mt 7.24).

V – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM ESTER

- Apesar de sua linda biografia, Ester, como todo ser humano, teve suas falhas e nelas, também, devemos aprender, como contra-exemplo, a fim de que não venhamos a praticar os mesmos erros.

- A primeira lição que aprendemos com Ester como contra-exemplo é a de que não podemos ser indiferentes ao que nos ocorre. Mardoqueu, ao saber do decreto do rei, rasgou os seus vestidos, clamou no meio da cidade e se vestiu de saco. Todos os judeus começaram a jejuar e orar bem como a lamentar o acontecido, mas Ester se manteve impassível, indiferente. A indiferença com a dor dos outros, notadamente do povo de Deus, é um grande mal que tem de ser evitado a todo custo. Jesus sempre teve compaixão do próximo(Mt 9.36; 14.14; 20.34; Mc 1.41; 6.34; 8.2; Lc 7.13) e, mesmo rejeitado pelo povo, chorou sobre Jerusalém (Lc 19.41), demonstrando toda a sua tristeza pelo mal que os próprios judeus chamavam para si.

- O verdadeiro e genuíno cristão, assim como o Senhor, deve ter a mesma compaixão de Deus (Rm 12.1), não sendo indiferente ao sofrimento, à dor do próximo, acudindo-lhe em todas as suas necessidades. Agir como o samaritano da parábola, como o pai do filho pródigo, este é o ensino de Jesus para todos nós.

- A segunda lição que Ester nos dá do que não fazer é o instinto de autopreservação, é a busca da salvaguarda da própria vida, o que podemos muito bem denominar aqui de covardia, de timidez. Quem busca salvar a sua vida e, para tanto, não faz a obra de Deus, não declara que é filho de Deus, não se envolve com as tarefas da Igreja está perdendo a sua vida. Ester correu risco de ela mesma vir a perder a sua vida, buscando guardá-la, mas, a tempo, seguiu o sábio conselho de Mardoqueu e, ao pôr a sua vida em risco por amor ao seu povo, ao povo de Deus, alcançou não só a sua sobrevivência, mas de todo o povo. Assim devemos também proceder: buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, pois tudo o mais nos será acrescentado (Mt 6.33). Os tímidos ficarão fora do reino de Deus (Ap 21.8).

- A terceira lição de contra-exemplo que nos dá Ester, que está bem relacionada com a do instinto de preservação, é a do isolamento do meio do povo de Deus. Apesar de sua posição como rainha, Ester não poderia ter se isolado tanto do seu povo. Verdade que não poderia ter um relacionamento explícito, já que não declarara sua nacionalidade nem a sua parentela, mas era necessário ter se posicionado quando saiu o decreto do rei, antes que Mardoqueu a obrigasse a tanto. Tomar posições quando surgirem circunstâncias que nos obriguem a tanto, confessar publicamente o nome de Jesus é uma necessidade imperiosa a todos quantos se digam salvos na pessoa de Cristo. Mesmo que sejamos levados diante de autoridades, temos de confessar o nome de Jesus. Quem não O confessa, nega-O e, por isso, será também negado por Cristo diante do Pai (Mt 10.33). Lembre-se disto toda vez que estiver diante de uma circunstância em que precisemos confessar o nome do Senhor

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A Rainha Esther – Parte 3

- A indiferença, a inatividade, a timidez têm sido grandes adversários de muitos cristãos na atualidade. Apesar de terem uma posição privilegiada na sociedade, no local de trabalho, na vizinhança, na escola e na igreja local, muitos se calam, apresentam dificuldades formais e relacionadas com a própria estrutura humana das instituições para nada fazerem em prol do povo e da obra de Deus. Assim como Ester, apresentam justificativas para nada fazer. Ester alegou a Mardoqueu que o rei não a chamava há trinta dias e que se se apresentasse diante do rei sem ser chamada, corria sério risco de morte, o que, considerava ela, não era razoável.

- Assim muitos também têm procedido. Consideram que não podem pôr em risco a posição que têm, posição que, afinal de contas, é resultado de uma bênção divina nas suas vidas. Esquecem-se, porém, que não estão ali para manterem esta posição, para serem beneficiários dela, mas para ali realizar a obra de Deus. Cada um de nós é membro do corpo de Cristo e estamos neste mundo para fazer a vontade de Deus. Não há qualquer sentido em nossas vidas quando pensamos em Cristo única e exclusivamente para satisfação de nossos interesses ou para as coisas desta vida. Se assim procedemos, seremos os mais miseráveis de todos os homens (1 Co 15.19).

- Quantos, nos dias em que vivemos, agarram-se às coisas desta vida, agem tão somente para manter e conservar as suas posições, o seu "status" na sociedade, deixando de se comprometer com a obra do Senhor, nem sequer se importando com o que se passa em termos de reino de Deus e sua justiça. Correm apenas atrás de comida, bebida e vestido, conforto e comodidade, como qualquer gentio (Mt 6.32). Amam mais a glória dos homens do que a glória de Deus (Jo.12.43) e o resultado disto é que destinados estão à perdição eterna, pois quem não confessa o Senhor, também não terá a Sua confissão naquele dia (Mt 10.32,33; 1 Jo 2.23).

- Ester apresentou a justificativa mais plausível que alguém pode apresentar, qual seja, a sua própria vida. Não seria irrazoável exigir-se de Ester que pusesse a sua vida em risco? Como exigir dela, que nunca declarara sua nacionalidade nem sua parentela, quando isto lhe poderia ser vantajoso, fazê-lo neste instante em que havia condenação à morte para todos os judeus? Não teria ela sido colocada no trono precisamente para manter a nação judia viva, por meio de seus descendentes?

- Todas estas justificativas, porém, eram apenas subterfúgios, formas de se escapar ao dever que se exige de quem pertence ao povo de Deus, pois o sentimento que deve haver no servo de Deus é o do comprometimento prioritário com a obra do Senhor e com o Seu povo. Mardoqueu fez ver a Ester que, se ela não se empenhasse em lutar pela sobrevivência do Seu povo e pela continuidade da promessa divina sobre Israel e sobre a humanidade, salvação viria de outra parte, pois Deus era fiel, mas a indiferença, a omissão, a timidez da rainha não ficariam sem o devido castigo (Et 4.13,14).

- Nos dias em que vivemos, não é diferente. Se não nos dispusermos a fazer a obra de Deus, a nos comprometermos com a pregação do Evangelho e a salvação das almas, por causa das posições que tenhamos nesta vida debaixo do sol, nossa omissão não deixará de ser levada em conta pelo Senhor. Não existe neutralidade na dimensão espiritual: ou servimos a Deus, ou não O servimos. Ou ajuntamos com o Senhor, ou espalhamos (Mt 12.30; Lc 11.23). Nem mesmo a preservação de nossa vida é empecilho para servirmos a Deus. O apóstolo Paulo foi claro ao afirmar: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At 20.24). O verdadeiro e genuíno servo do Senhor vive o que foi dito pelo mesmo apóstolo: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Fp1.21). Como disse o Senhor: "… qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará" (Mc 8.35).

- Ester, uma vez mais, foi obediente e, na obediência está o segredo da vitória. Abandonou o seu indiferentismo, pediu a intercessão dos judeus e iniciou três dias de oração e jejum, decidida a arriscar a sua vida a fim de obter a salvação do seu povo (Et 4.16). Vemos aqui algumas lições importantes que nos dá a rainha dos persas. A primeira lição é de que se deve, sempre, ouvir os conselhos dos servos de Deus, deve-se sempre ouvir a repreensão daqueles que nos querem bem. "Ouve o conselho e recebe a correção, para que sejas sábio nos teus últimos dias" (Pv 19.20). Como é bom mudarmos nossas atitudes, conformando-as à Palavra do Senhor.

- A segunda lição que Ester nos dá é a de pedir a intercessão do povo de Deus. Devemos compartilhar com o povo do Senhor as nossas necessidades (Rm.12.13). Não vivemos sozinhos sobre a face da Terra e devemos pedir a ajuda dos irmãos em Cristo, dos verdadeiros irmãos, daqueles que são santos, vivem separados do pecado, para que nos ajudem em oração. Esta é uma das tarefas da igreja local: orar uns pelos outros, ajudar uns aos outros (Tg 5.16; Is 41.6).

- A terceira lição que Ester nos dá é a de não só pedir a intercessão do povo de Deus, mas de ela própria, juntamente com suas moças, orar e jejuar antes de entrar na presença do rei. Não basta pedirmos oração, é preciso que também oremos. Como são numerosos os crentes que apenas pedem oração, fazem questão de escrever seus pedidos de oração para serem lidos nas reuniões, põem suas necessidades nos "cadernos de oração", mas eles próprios não oram. São os conhecidos "crentes de carona", porque vivem na carona das orações intercessórias dos outros. Esquecem-se, porém, que ninguém levará outrem de carona ao ultrapassar os portões celestiais…

- A quarta lição que nos dá Ester é a de que era uma pessoa que, com seu testemunho, havia levado os seus a servirem a Deus. As suas moças, apesar de serem gentias, haviam se convertido a Deus, caso contrário não orariam nem jejuariam com Ester. Ester mantinha um bom testemunho e seu testemunho havia levado os que a cercavam, as suas moças, a serem, também, fiéis a Deus. Com seu exemplo, Ester ganhava almas para o reino do Senhor. O que o nosso exemplo tem gerado em termos espirituais?

- Após esta preparação espiritual, Ester vestiu-se de vestidos reais, pôs-se no pátio interior da casa do rei, em frente ao seu aposento(Et5.1). Embora soubesse da importância e prioridade da preparação espiritual, por meio de jejum e oração, Ester não descuidou dos aspectos materiais da questão. Para se apresentar diante do rei, deveria estar bem vestida, realçando a sua beleza natural e se mostrando agradável. Não iria vestir-se de saco, apesar da situação em que estava. Não iria, também, apresentar-se com semblante caído, ainda que tivesse ficado três dias em jejum e oração. Tinha de ter aparência alegre, a fim de alcançar graça aos olhos de Assuero, para que fosse possível a salvação do seu povo.

- Alguns até oram e jejuam, mas não fazem a sua parte na luta contra o mal e contra as adversidades da vida. Esquecem-se de que Deus nos quer ver parceiros nas Suas realizações e que, mesmo não precisando de nós, pelo Seu grande amor faz com que nos tornemos participantes das Suas obras. Assim, embora pudesse dos altos céus pregar o Evangelho, deixou esta tarefa para a Igreja. Embora pudesse ressuscitar Lázaro sem que a pedra fosse removida, mandou que os homens que ali estavam a removessem. Estamos fazendo a nossa parte?

- Assuero não resistiu a Ester e apontou a ela o cetro de ouro, garantindo-lhe a vida. Ester, mulher prudente, quando recebeu a oferta de até metade do reino, nada pediu, a não ser a presença do rei e de Hamã em um banquete. Ester não foi precipitada, mas, em consagração, sabia que deveria conduzir-se com cuidado e discrição, para obter a bênção. O momento era de iminente destruição, mas apressar-se, afobar-se nunca foi uma conduta que caracterizasse o servo de Deus, que, como seu Senhor, deve ser paciente e longânimo. Ester convidou o rei e Hamã para o banquete e o rei prontamente aceitou o convite.

- Observemos, a propósito, a extrema cautela de Ester, tratando o rei com toda a reverência que lhe era devida, mantendo-se na sua posição de rainha, num país onde havia sido decretado que todo homem era senhor em sua casa (Et1.22). Mesmo tendo sido apontado o cetro de ouro para si e oferecida metade do reino, Ester não deixou sua posição, mostrando a consciência de que a autoridade era do rei e que tudo era questão de concessão e de ter graça, ou seja, favor imerecido diante de Assuero (Et5.8).

- Assuero aceitou o convite e convocou Hamã para que estivesse presente. A arrogância de Hamã, então, atingiu o seu máximo degrau. Convidado que fora pela rainha, achou ser o mais importante de todos os homens sobre a face da Terra. Ninguém haveria de compartilhar a intimidade da rainha além do rei senão ele. Hamã envaideceu-se ainda mais, mas, como todo homem maligno, continuava a ter ódio de Mardoqueu, o porteiro do rei que vestido de saco chorava a própria desgraça e a de seu povo. Vemos, assim, como o orgulho cega as pessoas: Hamã tinha tudo, mas era um insatisfeito por causa do ódio que tinha a Mardoqueu. Que miséria a do homem sem Deus e sem salvação!

- Ester dá, então, o banquete, mas, dentro de sua prudência e cautela, nada revela ao rei na primeira noite. Apenas serve a ele e a Hamã com toda a presteza e pede para que tornem no outro dia. Ao agir assim, Ester estava sendo dirigida pelo Espírito de Deus, visto que, no dia seguinte, Deus providenciaria a devida honra a Mardoqueu diante de Hamã.

- Há, aliás, um nítido contraste entre a prudência e cautela de Ester e a precipitação de Hamã. No dia seguinte ao do banquete, quando Hamã se apresentou diante do rei, ao ser interpelado sobre o que se deveria fazer a cuja honra o rei se agradava, Hamã, que, no seu orgulho e presunção, a ninguém enxergava senão a si mesmo, descreveu uma série de honrarias, achando que as teria. Para sua surpresa, tudo quanto planejou e intentou foi destinado para Mardoqueu, tendo o próprio Hamã tendo de realizá-lo. Assim é a vida: aquele que tenta prejudicar o fiel, acabará por tudo fazer para a exaltação do servo do Senhor.

- No segundo banquete, então, Ester denuncia Hamã, sabendo que era o momento propício para tal. Certamente, vira a forca que fora construída por Hamã com o objetivo de matar Mardoqueu e tivera conhecimento de como Mardoqueu fora exaltado naquele dia. Diante de tais fatos, sabia que chegara o momento para que intercedesse pelo seu povo e assim se fez. Denunciado, Hamã se desesperou e acabou sendo enforcado na própria forca que mandara fazer e Mardoqueu foi posto em seu lugar. Como se não bastasse, Assuero, que não podia revogar a sua lei, permitiu que os inimigos dos judeus fossem destruídos antes da data marcada para a destruição do povo judeu e o povo judeu acabou sendo exaltado no meio do Império Persa, nunca mais correndo qualquer risco sob este domínio. O povo de Deus fora preservado e, com ele, o plano divino para a salvação do homem, pois, graças a esta preservação, menos de 500 anos depois nasceria o Cristo para tirar o pecado do mundo.

- Para celebração desta grande libertação do povo, instituiu-se, então, a festa de Purim (Et.9.20-32), que é comemorada pelos judeus até a presente data, nos dias catorze e quinze do mês de Adar, mês que corresponde aos nossos meses de fevereiro ou março. Ester tornara-se, assim, um instrumento divino para a salvação de seu povo, um instrumento divino para a salvação da humanidade, pois a preservação do povo judeu representou a preservação da "posteridade de Abraão" que tornaria benditas todas as famílias da Terra.

IV – O QUE APRENDEMOS COM ESTER

- Dentro da linha que tomamos desde o início do trimestre, diante do objetivo estabelecido de aprimorarmos nosso caráter através do estudo das personagens bíblicas, vejamos o que podemos aprender com Ester para melhorarmos nossos caminhos.

- A primeira lição que Ester nos dá é a da obediência aos pais. O primeiro mandamento com promessa foi integralmente cumprido por Ester. Por ter tido uma excelente educação com Mardoqueu, Ester pôde ser obediente não só a seu pai de criação, mas a Hegai e a Assuero, o que foi fundamental para que alcançasse a salvação de seu povo e da sua própria vida.

- Como vimos supra, os dias em que vivemos são dias de desobediência a pais e mães, dias em que se prega abertamente a "independência" para crianças, adolescentes e jovens, dias em que o desprezo para com os pais é a regra geral. No entanto, somente por meio da obediência aos pais teremos uma vida quieta e sossegada, uma vida abençoada por Deus.

A Rainha Esther – Parte 2

- Entretanto, não podemos seguir mais o curso deste mundo (Ef 2.1-6), nem nos conformarmos a ele (Rm 12.2). Devemos agir como Ester: sem deixar de fazer a nossa parte, procurando nos preparar para os desafios que nos apresentam em todos os aspectos de nossa vida (profissional, educacional, familiar, entre outros), jamais devemos abandonar o amor ao próximo, a consideração do outro, o "altruísmo", sempre fazendo bem, pois, quem pode fazer o bem e não o faz, peca (Tg 4.17) e quem peca, não viu nem conheceu a Cristo, nEle não permanece (1 Jo3.6), não é nascido de Deus (1Jo 5.18).

- Em meio à impiedosa e implacável concorrência dos dias de hoje, notadamente no âmbito profissional, devemos agir de modo a que alcancemos graças aos olhos dos outros. Isto significa que não podemos, de modo algum, tentar prejudicar os nossos concorrentes, "puxar-lhes o tapete", como costuma dizer o povo.

- Isto significa que não devemos, também, desejar mal ao próximo, ainda que seja nosso concorrente, pois, se somos salvos, queremos bem a todos, porque somos benignos (1C 13.4,5). Este querer bem é tão amplo que, inclusive, nos impede de nos contentarmos quando o concorrente se prejudica (Pv 24.17,18).

- Isto significa que não podemos suspeitar mal de pessoa alguma e que não podemos nos envolver em intrigas ou agir com desconfiança, pois o amor não suspeita mal (1 Co 13.5), ou seja, devemos vigiar para que não entremos em embaraços, artimanhas, que nossa imaginação seja levada a conceber atitudes e a efetuar verdadeiros "ataques preventivos" nem os nossos relacionamentos, levando-nos a iras, pelejas e dissensões que somente nos desgastarão e comprometerão nosso testemunho de servos do Senhor.

OBS: Recentemente, por ocasião da comemoração dos 40 anos da Guerra dos Seis Dias, o confronto bélico em que Israel teve grande vitória sobre os árabes e lhe trouxe a cidade de Jerusalém integralmente sob seu domínio, militares de ambos os lados chegarão à conclusão de que nenhum dos exércitos envolvidos queria a guerra, mas que todos foram levados à guerra por causa das desconfianças, das más suspeitas de cada lado. Quantas vezes isto não acontece em nossas vidas?

- Isto significa que temos de ajudar a quem nos pede ajuda, ainda que esta ajuda signifique o bem daquela pessoa em detrimento de nós mesmos, ainda que esta ajuda não nos seja reconhecida. Que nosso sentimento seja o mesmo do apóstolo Paulo: "Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado"( 2 Co 12.15). Devemos andar fazendo bem e Ester certamente o fazia e, por isso, achava graça diante de todos na "casa das mulheres".

- O resultado desta obediência e altruísmo de Ester foi a sua escolha como rainha. Assuero teve a graça e a benevolência do rei, numa comprovação da chamada "lei da ceifa"(Gl 6.7), uma das leis divinas que muitos têm negligenciado e se esquecido nestes dias tribulosos em que vivemos. Como demonstrava graça aos outros, como era benevolente aos outros, Ester foi tratado com graça e benevolência por Assuero e alcançou a posição de rainha. Quantas concorrentes não criaram intrigas, artimanhas e ciladas para se tornar rainhas? Mas não alcançaram a bênção, pois só aqueles que servem a Deus alcançam o que de mais precioso existe para um mortal: a vida eterna. Temos corrido convenientemente a carreira que nos está proposta?

- A escolha de Ester deu, como resultados imediatos, uma nova festa real, bem como repouso a todo o reino da Pérsia (Et 2.28). Assuero foi um rei belicoso, diz-nos a história, que tentou, em vão, conquistar a Grécia para o Império Persa, tendo tido grande derrota. Recolhido em seus domínios, Assuero havia convocado uma grande festa, que resultara na afronta de sua própria rainha. Desde então, não acontecera qualquer outra festa. Naquele tempo, isto era sinal de que não havia contentamento da parte e, quando o rei não estava contente, a população deveria temer, visto que, como dizia Salomão, pois "o furor do rei é como um mensageiro da morte" (Pv 16.14a) e "na luz do rosto do rei está a vida, e a sua benevolência é como a nuvem de chuva serôdia."(Pv 16.15). Não é à toa que, quando Herodes se perturbou, toda a Jerusalém se perturbou com ele (Mt 2.3).

OBS: A propósito, a história revela que Assuero foi um rei temperamental, extremamente volúvel e impulsivo, o que foi a principal causa de seus insucessos militares. Diz-se que, por causa de sua impetuosidade, mandou executar, após uma derrota naval, o comandante dos navios fenícios, que havia contratado e, como resultado disto, acabou tendo a deserção de toda a marinha fenícia que estava a seu serviço.

- Assim, quando convocou uma festa para celebrar seu casamento com Ester, Assuero demonstrou que a alegria havia voltado à sua vida, o que representava, certamente, um alívio para a população daquele vasto império. Vemos, pois, que Ester se apresentou, de pronto, como uma bênção para todo o reino, um motivo para contentamento e alegria de todas as cento e vinte e províncias desde a Índia até a Etiópia, que se encontravam sob o cetro de Assuero. O bom testemunho de Ester resultara em alegria, felicidade e contentamento para todo o Império Persa.

- De igual modo, o bom testemunho do cristão é, hoje, motivo de alegria e contentamento para todos aqueles que estão à nossa volta. Se o mundo não se deteriorou de vez, se a podridão ainda não se estabeleceu por completo sobre a face da Terra, é porque ainda existe um povo que serve a Deus e que dá motivo a alguma alegria, esperança e felicidade para toda a humanidade. Um povo que, por ter o Espírito Santo habitando nele (Jo 14.17), tem alegria como uma das qualidades de suas ações (Gl 5.22), pois é Este que habita nele que resiste ao mistério da injustiça (2 Ts.2.6,7). Nossa vida tem trazido alegria espiritual ao ambiente que nos cerca, ao nosso "Império Persa"?

- Mas, além de ter havido uma festa quando da coroação de Ester, a Bíblia nos diz que, após esta coroação, seguiu-se um período de repouso no Império (Et 2.18). Como já dissemos, Assuero passou para a história como um guerreiro, um rei voltado para conquistas militares, mas, em chegando Ester, houve uma mudança no "estado do rei". Assuero tornou-se pacífico, aquietou, passou a ter mais tranqüilidade. Recebeu paz. Ester era o motivo desta instauração de paz no Império. Ester era uma serva de Deus, o Deus que é paz (Jz 6.24), paz que é dada única e exclusivamente por Deus (Is 26.12), paz que é resultado de nossa união com o Senhor (Jó 22.21).

- O verdadeiro cristão produz paz, pois esta é uma das qualidades que caracterizam as suas boas obras (Gl 5.22). O servo de Deus autêntico, como é filho de Deus, é um pacificador (Mt 5.9), até porque recebeu a paz diretamente de Cristo (Jo 14.27). Temos trazido paz ao ambiente em que vivemos, em que estamos? Somos pacificadores, apaziguamos aqueles que estão à nossa volta? Ou nossa conduta tem gerado a mesma decepção que teve o apóstolo Paulo em relação aos crentes de Corinto (1 Co 6.7)?

- O bom testemunho de Ester, portanto, aliado a sua formosura e beleza, foi o grande responsável por tornar uma órfã cativa numa rainha da Pérsia. Mas tudo isto era um propósito divino para a salvação não somente do Seu povo, mas de toda a humanidade.

II – A BIOGRAFIA DE ESTER (II) – UMA RAINHA QUE SE TORNOU INSTRUMENTO DIVINO PARA A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE

- No trono, a agora rainha Ester não alterou a sua conduta. Diz-nos a Bíblia que, mesmo após sua coroação, Ester continuou a obedecer ao seu pai de criação, Mardoqueu, não declarando a sua nacionalidade nem a sua parentela (Et.2.20). "O sucesso não subiu à cabeça", como diz conhecido dito popular. Ester manteve a sua humildade, não se ensoberbeceu, apesar da vitória alcançada.

- Muitos, em nossos dias, não têm esta postura. O presente século é habitado por "homens orgulhosos" (2 Tm 3.4), pessoas que, assim que atingem uma posição vantajosa na sociedade, no seu local de trabalho e, até mesmo, na igreja local, esquecem-se de que são pó (Sl 103.14), de que são como a flor da erva (1 Pe 1.24), que é menos do que nada (Is 41.24), passando a agir com arrogância, como verdadeiros "donos do mundo", humilhando o próximo, prejudicando a todos quantos estão à sua volta. O resultado destes que se exaltam é o pior possível: serão abatidos repentinamente, por uma direta ação divina, pois a Palavra de Deus é bem clara: "A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra"(Pv 29.23). Quem não tem humildade, é visitado pelo próprio Deus. Quem o diz é o Senhor, em Seu diálogo com Jó: "Olha para todo soberbo, e humilha-o, e atropela os ímpios no seu lugar" (Jó 40.12).

- O livro de Ester, a propósito, é um exemplo cabal disto que estamos a falar, pois mostra o contraste entre Ester, que mantém a sua humildade e submissão a seu pai de criação e, sobretudo, a Deus, mesmo no trono e Hamã, a nova personagem que aparece no capítulo 3 do livro, cuja soberba e arrogância farão com que seja levado a ser enforcado na forca que ele próprio preparara para Mardoqueu.

- Após o repouso causado pela coroação de Ester, conta-nos o texto sagrado que se inicia uma grande tribulação na vida não só de Ester mas de todo o povo judeu. Assuero decidiu exaltar Hamã, um agagita, ou seja, um descendente de Agague, rei dos amalequitas, tradicional povo inimigo do povo judeu e que já deveria ter sido destruído da face da Terra, não fora a desobediência de Saul (1 Sm 15.8,9). Vemos, assim, de pronto, como a desobediência a Deus deixa suas conseqüências e vestígios que, após séculos, ainda podem prejudicar o povo do Senhor.

- Hamã, apesar de toda a sua exaltação por parte do rei Assuero, que o tornou a maior autoridade da Pérsia depois do rei, não estava contente, pois não admitia que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante de Hamã, como havia sido ordenado por Assuero(Et 3.2-4). É interessante observar que Mardoqueu, um homem que havia sempre sido submisso e leal ao rei, que havia tão bem educado a Ester no que respeita à obediência, abertamente desatendia ao mandado do rei, traspassando-o. E por que o fazia? Porque, nesta matéria, o rei Assuero havia ultrapassado os limites de sua autoridade real.

- Como rei, era Assuero, embora não o admitisse, tão somente uma pessoa constituída por Deus para fazer o bem a toda a população de suas cento e vinte e sete províncias (Rm 13.4). Todo governante deve ser respeitado e cada um deve obedecer-lhe, pois resistir à autoridade é o mesmo que resistir a Deus (Rm 13.1,2). No entanto, trata-se de uma "autoridade", ou seja, pessoa que tem a autorização de outrem, "in casu", do próprio Deus, para exercer as suas funções. Deus não admite que Sua glória seja repartida com quem quer que seja (Is 48.11b) e, por isso, nenhuma autoridade pode determinar que alguém seja adorado ou venerado como se fosse um deus. Era o que Assuero havia determinado em relação a Hamã e Mardoqueu, sendo um fiel servo do Senhor, não podia, pois, atender a esta ordenança, feita, para se utilizar de uma expressão jurídica atual, em "abuso de poder", em "abuso de autoridade".

- Hamã, escravo que era da soberba, pecado terrível e que se constitui numa das três características que existem no mundo (1 Jo 2.16), ao saber da recusa de Mardoqueu em venerá-lo ou adorá-lo, logo se tornou um instrumento de Satanás. Decidiu que não só mataria Mardoqueu, mas eliminaria todo o seu povo, pois sabia que Mardoqueu era judeu e que, ao não se prostrar diante dele, nada mais fazia que cumprir a lei de Moisés. Após o repouso proveniente da coroação de Ester, o adversário do povo de Deus já arquitetava uma forma de destruir Israel e, com isso, impedir que a humanidade pudesse ser salva, pois, se Israel fosse destruído, não poderia nascer o Salvador, pois a salvação viria dos judeus (Gn 12.3; Jo 4.22; Gl 3.16).

- Diz conhecido dito popular que "depois da tempestade, vem a bonança". Na vida espiritual sobre a face da Terra, podemos dizer que esta não é a visão completa. Se depois da tempestade, vem a bonança, enquanto Jesus não voltar para buscar a Sua igreja, continuaremos a ter depois da bonança, novas tempestades. O Senhor alertou-nos de que no mundo teríamos aflições (Jo 16.33) e que o nos restaria fazer era ter bom ânimo e combater o bom combate até acabar a carreira.

- Ester não havia sido guindada à posição de rainha à toa. O Senhor, na Sua presciência, sabia que Israel correria o risco de desaparecer e, como tinha compromisso com a Sua promessa de salvar a humanidade, feita ainda no Éden (Gn 3.15), não poderia permitir que o povo judeu fosse completamente destruído. Deus dá o escape (Sl 71.2; 1 Co 10.13), mas não nos impede de passar as dificuldades. Lembremo-nos de que, na vida debaixo do sol, sempre haverá o dia bom e o dia mau (Pv.16.4).

- Hamã, diante do seu prestígio, logo conseguiu do rei Assuero a ordem para a destruição completa do povo judeu (Et 3.7-15). Ao saber da notícia, Mardoqueu rasgou os seus vestidos e se vestiu de saco, claro sinal de humilhação e clamou com grande e amargo clamor pelo meio da cidade (Et 4.1). De igual modo, os judeus, quando recebiam a notícia da ordem de destruição, puseram-se a jejuar e a se humilhar (Et 4.3).

- Grande lição dá-nos o povo judeu. Ante a perseguição, a ameaça concreta de completa destruição, os judeus voltaram-se para Deus, a fim de alcançar a sua libertação. Em território estrangeiro, longe do templo, em vez de se armarem, em vez de se rebelarem ou buscarem junto ao rei, mediante artimanhas políticas, a revogação da sua ordem, os judeus preferiram clamar a Deus, pois dEle é que sabiam viria o socorro (Sl 121.1). Nós, que temos uma revelação completa de Deus, bem ao contrário dos judeus dos tempos de Ester, que viviam ainda na sombra e figura das realidades eternas (cf. Hb 10.1), temos agido da mesma forma? Quantos são aqueles que, em vez de recorrerem a Deus, através do jejum e da oração, preferem as artimanhas políticas, os "conchavos", e, até mesmo, a luta armada, a revolta e a sedição como caminho para tentar obter da autoridade algum favor ou direito. Povo de Deus, o nosso socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra!

OBS: Neste sentido, devemos ressaltar a postura recente de Júlio Severo, escritor evangélico, que, além de ter sido um dos protagonistas do movimento contra a aprovação do projeto de lei de criminalização da homofobia, tem insistido que a vitória não virá da mobilização intensa que tem sido feita, mas, sobretudo, de oração e jejum por parte da Igreja brasileira.

- Neste ponto, vemos uma falha na vida de Ester. Embora fosse certo que a rainha não deveria declarar a sua nacionalidade nem a sua parentela, em obediência ao mandado de seu pai de criação, Mardoqueu, não se pode deixar de observar que se manteve indiferente a todo o clamor do seu povo. Mardoqueu, embora fosse funcionário do rei, trabalhasse em seu palácio, não se intimidou de vestir saco e de clamar, pela cidade, diante da iminente destruição do seu povo. Ester, porém, manteve-se alheia a tudo o que se passava, somente passando a jejuar e orar quando Mardoqueu lhe exigiu uma postura (Et 4.7-11).