quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Igreja Laodiceiana – Ap 3.14-18 - Parte 2

Contudo tudo isto não está produzindo vida! O divórcio ainda está em crescimento, mesmo entre os pastores. A fornicação e a infidelidade são lugar comum. Adolescentes fumam, bebem e dormem fora. As vidas das pessoas não estão sendo transformadas. Por quê? É porque o conhecimento em si não é capaz de salvar ou transformar alguém - incluindo aqueles que o pregam!

Os cultos de uma igreja podem ser bem organizados, com música excelente, nova e contemporânea. O coral pode cantar mil canções novas. O pastor pode condenar o pecado e indicar claramente o caminho certo. Mas sem o Espírito Santo, tudo isto se transforma em letra que mata!

Salomão tinha uma cabeça cheia de sabedoria e uma boca cheia de cânticos. Ele podia pregar e ensinar com habilidade incríveis. Possuía uma operação bem organizada, com líderes talentosos. Tudo em relação à sua igreja parecia ser decente e estar em ordem. Mas tudo que Salomão fez acabou em Eclesiastes, com a frase: "Tudo é vaidade e desespero!"

A igreja de Salomão tem todas as respostas. Parece ótima por fora. Mas é completamente desprovida de vida! E acaba em vaidade, idolatria, sensualidade, vazio e desespero.

Compare A Igreja De Salomão Com A Igreja De Sião Pertencente A Davi!

A força motivadora por trás da igreja de Davi era a total dependência sobre o Espírito Santo. Aqui está o que distinguia Davi:"Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e daquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apossou de Davi..." (1 Sm 16.13).

Quando Davi estava sobre seu leito de morte, ele disse a seu filho Salomão: "Quero lhe dizer porque Deus me abençoou. Quero que você saiba o segredo do meu ministério - porque o reino está em paz e porque Deus ficou comigo em toda parte onde estive." Ouça as últimas palavras de Davi para com seu filho: "O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua" (2 Sm 23.2).

Davi estava dizendo: "Não confiei no meu conhecimento e sabedoria. Não confiei em nada da minha carne. Eu fui um homem fraco - mas dependi do Espírito Santo! Cada palavra que falei foi sob Sua unção. Suas palavras encheram a minha boca!"

Há trinta e cinco anos atrás, quando abrimos as portas de nosso ministério à Avenida Clinton, 416, para viciados em drogas e alcoólatras aqui na cidade de Nova Iorque, o nosso lema era: " O Espírito Santo é Quem manda aqui!". Veja, não foi uma pregação do tipo "como enfrentar" que salvou membros de quadrilhas como Nicky Cruz e Israel. Eles não dobraram-se sobre seus joelhos por que pregáramos sermões concisos, enérgicos. Eles não se convenceram devido à ilustrações feitas e histórias da natureza. Não - estes antigos viciados em drogas testificaram a seus amigos: "Também já vivi nas ruas, como vocês. Mas olhem para mim agora! O Espírito de Deus me transformou!"

Foi o poder e a demonstração do Espírito Santo que fizeram com que Nicky e Israel ajoelhassem-se diante de Deus. O Espírito veio - e aqueles criminosos endurecidos prostraram-se sobre seus rostos e clamaram a Deus por misericórdia!

Salomão falou de árvores, hissopos, animais, coisas que rastejam, peixes. Mas Davi falou da intimidade com o Senhor, do quebrantamento e contrição. Falou da "Rocha" que é Cristo. E Davi era persuadido e transformado por sua própria pregação. Ele valorizava tanto a presença do Espírito Santo em sua vida, que pediu ao Senhor que nunca tirasse de si o Seu Espírito. Davi sabia que ele não era nada sem o Espírito Santo!

Na igreja de Salomão, contudo, o pregador meramente reúne informações bíblicas, verdadeiras, e cria um sermão a partir disto. Aí, ele o lança sobre a congregação e diz a si próprio: "É a Palavra - é obrigatório que ela tenha impacto. Ela deve causar crescimento e mudança em meus ouvintes, porque é a poderosa Palavra de Deus."

Não é assim! Você pode lançar o quanto da Palavra que você quiser - sermão após sermão, ensino sobre ensino, sabedoria e conhecimento em abundância. Mas se não há unção do Espírito Santo, ela é uma palavra morta! Se um pregador não gasta tempo prostrando-se sobre o seu rosto diante de Deus, ele não terá o fogo de Deus em sua alma. E não haverá unção do Espírito Santo em sua palavra, não importa o quão sábias e intelectuais elas soem. Elas simplesmente não produzirão vida!

Paulo disse: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana e sim no poder de Deus." (1 Co 2.4-5).

"... falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito... Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (vs. 13-14).

Você nunca deveria ir à igreja sem orar: "Deus, conceda-me os ouvidos do Espírito Santo para ouvir. Ajude-me a ouvir, compreender e aplicar Tua Palavra à minha vida!" Você necessita ter audição com ouvidos do Espírito Santo, assim como o pastor necessita ter uma língua fluente do Espírito Santo!

 

A Igreja Laodiceiana – Ap 3.14-18 Parte 1

 

Sou fã do Pr David Wilkerson. Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e, estive com ele em dois momentos: Na apresentação do livro e filme: "A cruz e o Punhal" e " Foge Nick, Foge Nick".

 No Brasil, ele esteve na Assembléia de Deus em Madureira. Que coisa mais linda! Como fomos abençoados.

 

Com muita satisfação, transcrevo parte de uma de suas belas mensagens da época e que contextualizo para os dias hodiernos:

Creio que Salomão representa o espírito e a natureza da moderna igreja laodiceiana dos últimos dias. E esta igreja -- aqui nos Estados Unidos e através de todo o mundo -- caminha para a mesma ruína que Salomão enfrentou!

As Escrituras nos dizem: "Salomão, filho de Davi, fortaleceu-se no seu reino, e o Senhor, seu Deus, era com ele e o engrandeceu sobremaneira."  (2 Cr 1.1)

A igreja de Jesus Cristo de hoje tem sido fortalecida e abençoada poderosamente por Deus. Provisões têm sido dadas para esforços de todo tipo. Considere os grandes e belos edifícios que estão sendo construídos. Uma enorme igreja pentecostal foi recentemente construída a um custo de US$ 28 milhões. Há outros complexos eclesiásticos valendo US$ 40-50 milhões.

Considere também as grandes bênçãos financeiras da igreja. Milhões são gastos no televangelismo, livros, gravações e fitas, missões, instituições, faculdades e ministérios para-eclesiásticos de todos os tipos. Pense nas gigantescas convenções, nos seminários bem freqüentados, na pompa e cerimoniais que acompanham os cultos e programas das mega-igrejas.

Quando todos estes trabalhos se iniciaram, cada um deles possuía algo da unção de Deus. Na verdade, a maioria se iniciou com as mesmas bênçãos que Deus derramou sobre Salomão. Pense nisto: Salomão era bem organizado. Era muito mais educado que seu pai, Davi. E ele fez tudo maior e melhor do que qualquer outra geração anterior jamais poderia ter concebido. A capacidade de organização de Salomão era tão grande - sua pompa e cerimônia tão lindas e de tirar o fôlego - que quando a Rainha de Sabá o observou simplesmente adentrando o templo, quase chegou a desmaiar pela visão.

Contudo, a energia propulsora por trás de Salomão era a sabedoria e o conhecimento. Este era o seu apelo a Deus:"Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que eu saiba conduzir-me à testa deste povo; pois quem poderia julgar a este grande povo?" (v. 10)

Esta não é uma oração maravilhosa? Soa tão bem, e Deus ficou satisfeito que ele não tenha solicitado um ganho egoísta. Porém, há um problema: ela é totalmente centralizada no homem! Este talentoso e auto-confiante rei estava dizendo na realidade: "Simplesmente ceda-me as ferramentas, Deus, e eu farei a obra. Dê-me a sabedoria e o conhecimento e eu resolvo tudo no meio deste povo. Executarei a obra completa!"

A oração de Salomão não era a oração de seu pai, Davi, um homem que era segundo o coração de Deus. Não, a prece de Salomão era a prece de uma nova geração - um povo educado com novas idéias e talentos. E seu brado era: "Preciso de sabedoria e conhecimento!"

Nós Nos Transformamos Na Igreja Do Disquete Lento!

A força propulsora por trás da igreja moderna de Laodicéia é a sabedoria e o conhecimento. Quantos rios de informação fluem através desta igreja dos últimos dias: computadores com incontáveis megabytes, Bíblias computadorizadas, comentários computadorizados, programas de informática para filosofia, aconselhamento e levantamento de fundos, cuidados com a infância. Só é necessário introduzir um disquete em seu computador, apertar um botão, e as respostas brotam na sua frente.

Eu não sou contra computadores e programas de informática. O nosso próprio ministério não funcionaria bem sem eles. Mas me divirto com todos os jovens ministros que gastam muito de seu tempo socando os teclados e utilizando faxes que cospem resquícios de informações, idéias, trabalho em rede com computadores e estratégias. Eles pregam um evangelho computadorizado - contudo tão poucas pessoas são salvas ou libertas através deles.

Há hoje uma insaciável sede de informação, sabedoria e conhecimento como nunca antes. Nunca houve tantos seminários e convenções de ensino massivo. Telões são necessários simplesmente para mostrar qual é o orador sobre um palco distante. E a seguir, as pessoas se agrupam junto às mesas de vendas para adquirir fitas no valor de centenas de dólares.

A ênfase é em mais materiais, mais informação, mais sabedoria. A idéia é a seguinte: "Se simplesmente tivermos mais conhecimento sobre estes assuntos - livros, seminários e ensino suficientes - cumpriremos nossa obra. Dê-nos simplesmente os materiais, Deus, e evangelizaremos o mundo!"

Recentemente ouvi o líder de uma organização de jovens dizer: "Se eu tivesse US$100 milhões, poderia ganhar o mundo!". Ele estava atravessando o país tentando levantar esta quantia. Estava dizendo, em essência: "Se nós simplesmente possuirmos dinheiro, conhecimento, informática e estratégia, poderemos evangelizar o mundo inteiro para Deus!"

Amados, nunca realizaremos nada para Deus apenas pela sabedoria, não importa quão importante e necessária ela seja. Sua Palavra diz: "Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem..." (1Co 1.1)

Todos os verdadeiros tesouros da sabedoria e conhecimento estão escondidos em Jesus Cristo. "em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos". (Cl 2.3)Contudo o evangelho de Salomão era diferente. A respeito de Salomão foi dito: "Compôs três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que brota do muro; também falou dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes" (1Rs 4.32-33).

Este foi o evangelho de Salomão - três mil curtos e pequenos sermões de conhecimento prático e sabedoria! Criou novos cânticos, histórias maravilhosas, grandes aplicações da verdade sobre a natureza e o comportamento humanos. Pode-se ler muitas de suas palavras de sabedoria em todo o livro de Provérbios. Ele ofereceu instruções práticas quanto ao casamento e à educação de filhos. Trouxe indicações claras em relação a como enfrentar situações, como se comportar, como ser abençoado. E todos amaram a sua pregação. Ela era tão concisa, tão direta ao ponto.

Mas, amados, a menos que o Espírito de Deus unja a pregação ou o ensino, estes permanecerão mortos. Transformar-se-ão em letra morta a menos que o Espírito os inflame!

No fim, Salomão trouxe uma mensagem absolutamente sem poder - porque ele não tinha poder para praticar aquilo que pregava! Ele entregou-se à mulheres estranhas. Criou filhos perversos, incluindo um diabo que o sucedeu no trono. Na verdade, Salomão acabou como um idólatra decrépito e angustiado, gastando seus dias em uma sensual fossa de imoralidade. E sua geração inteira se transformou em um grupo de desqualificados procuradores de prostitutas - a despeito de toda a sua sabedoria, ensino e três mil provérbios!

Agora, não pense por um minuto que esta moderna igreja de Laodicéia, "amigável com o pecador" não tenha uma pregação boa, introspectiva, séria. Os sermões desta igreja dos últimos dias são concisos, homileticamente corretos, centrados no como enfrentar os problemas da vida. Em sua maioria são mensagens de quinze minutos, ilustrados com pontos claros e revestidos de muita verdade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vendo Gigantes, Confie em Deus!

"Vimos ali gigantes..." (Nm 13.33)

Sim eles viram gigantes, mas Josué e Calebe viram a Deus! Os que duvidam dizem: "Não poderemos subir." Os que crêem dizem: "Subamos e possuamos a terra, porque certamente prevaleceremos contra ela".

 OS gigantes representam, para nós, as grandes dificuldades; e os gigantes estão à espreita em toda parte. Estão na família, na igreja, na vida social, e até em nosso próprio coração; ou nós os vencemos, ou eles nos devorarão, como disseram aqueles homens a respeito dos gigantes de Canaã.

 Disseram os homens de fé: "Como pão os podemos devorar." Em outras palavras vencendo-os, ficaremos mais fortes do que se não houvesse gigantes para vencer.

 Portanto, se não possuirmos a fé vitoriosa, seremos devorados, consumidos pelos gigantes que há em nosso caminho. Tenhamos o mesmo espírito de fé que havia em Josué e Calebe; vejamos Deus; ele tomará conta das dificuldades.

 É quando nos encontramos no caminho do dever que surgem os gigantes. Quando Israel avançou, apareceram os gigantes. Quando eles voltaram para o deserto, não encontraram nenhum.

 

Há uma idéia muito comum de que o poder de Deus na vida humana deve erguê-la acima das dificuldades e dos conflitos. O fato, porém, é que o poder de Deus sempre traz um conflito e combate. É de se pensar que, em sua viagem missionária a Roma, Paulo estivesse por alguma poderosa manifestação de Deus, livre das e dos inimigos.

 

Mas, ao contrário, sua viagem foi uma dura e longa luta contra as perseguições dos judeus, contra violentos temporais, contra víboras e todos os poderes da terra e do inferno, e quando foi salvo, foi salvo nadando até a ilha de Malta, segurando-se nos destroços do navio; por pouco não teve o mar por sepultura.

 Era isto próprio de um Deus todo-poderoso? Sim, exatamente. É Paulo nos diz que, quando colocou o Senhor Jesus Cristo como a vida de seu corpo, veio-lhe imediatamente um grave conflito; aliás, um conflito que nunca terminou, uma pressão que foi persistente, mas da qual ele sempre saiu vitorioso pela força de Jesus Cristo.

 A linguagem em que ele descreve isto é a mais eloqüente. "Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo".

 Que luta incessante! É impossível expressarmos em nossa língua a força das expressões do texto no original. Há ali cinco figuras seguidas. Na primeira a idéia é a de inimigos cercando-o de todos os lados; entretanto não o podiam esmagar porque os exércitos celestiais os mantinham a um distância razoável para que ele se livrasse.

 A tradução literal poderia ser: "Somos apertados de todos os lados, mas não esmagados".

 A segunda figura é a de alguém cujo caminho parece totalmente fechado e que, no entanto, avança; há luz suficiente para mostrar-lhe o próximo passo.

 A terceira figura é a de um inimigo a persegui-lo ferozmente, mas ele não está só: o divino Defensor está a seu lado.

 A quarta figura é ainda mais vívida e dramática. O inimigo o alcançou feriu e derrubou. Mas não foi um golpe fatal: ele é capaz de levantar-se novamente. A tradução poderia ser: "derrubado, mas não derrotado".

 

A quinta figura vai mais além, e agora parece ser a própria morte: " Levando sempre no corpo o morrer de Jesus." Mas a vida de Jesus vem em seu auxílio e ele vive na vida de Cristo, até completar o seu trabalho na terra.

 Sim, lugares difíceis são a própria escola da fé e do caráter.

Tudo Devemos Suportar?

"Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação... com eterna glória". (2Tm 2.10)

 

Se Jó sentado na cinza, remoendo em seu coração aquele problema da providência de Deus, tivesse entendido que, na aflição por que passava, ele estava dando a contribuição que um homem pode dar para esclarecer para o mundo o problema do sofrimento, sua atitude teria sido bem outra.

 

Nenhum homem vive para si. A vida de Jó é sua vida e a minha, num contexto mais ampliado. Embora não saibamos que nos esperam aflições, podemos crer que, assim como os dias em que Jó lutou contra o sofrimento foram os únicos que o tornaram digno de lembrança, e, não fora por eles, seu nome nunca teria sido registrado no Livro, assim os dias nos quais lutamos, sem encontrar uma saída, mas sempre firmes na luz, serão os mais significativos que iremos viver.

 

Quem ignora que os nossos dias mais tristes contam-se entre os melhores? Quando o rosto se abre em sorrisos e vivemos dias alegres em prados floridos, o coração, muitas vezes, está correndo para a dissipação.

 

A pessoa que está sempre alegre e descuidada não vive a vida de maneira profunda. Ela tem a sua parte e sente-se satisfeita com o seu quinhão, embora esse quinhão seja muito pequeno. O coração, porém, não cresce; e aquele ser que poderia se desenvolver grandemente, permanece fechado. Na realidade, aquela vida chega ao seu fim sem ter conhecido a ressonância das cordas mais profundas da verdadeira alegria.

 

"Bem aventurados os que choram". As estrelas brilham mais, nas noites longas e escuras do inverno. A genciana ostenta a suas mais exuberante floração, entre as alturas quase inacessíveis de neve e gelo.

 

As promessas de Deus parecem esperar pela pressão da dor, para serem como que espremida no lagar, e assim deixar o suco mais rico. Só os que passam pela dor conhecem como é cheio de compaixão o "o Homem de Dores".

 

Talvez você tenha conhecido poucos dias de sol, mas saiba que as longas horas de sombra lhe foram repartidas com sabedoria; talvez um tempo de verão mais prolongado tivesse feito de você uma terra crestada e um deserto infrutífero.

 

O seu Senhor sabe melhor, e Ele tem as nuvens e o sol à sua disposição.

 

O dia está cinzento. Sim, mas você não vê no céu uma nesga azul?

"Cânticos na Noite"

"De noite chamei à lembrança o meu cântico" (Sl 77.6)

 

Li em algum lugar, de um passarinho que não canta o que o dono deseja, se a sua gaiola estiver em plena claridade. Aprende um trechinho disto, outro daquilo, mas nunca uma melodia inteira, até que a gaiola seja coberta e impedidos ali os raios da manhã.

 

Muitas pessoas nunca aprendem a cantar, até que as sombras caiam sobre a sua vida. O lendário rouxinol canta comprimindo o peito contra um espinho. O cântico dos anjos foi ouvido à noite. Foi à meia-noite que veio o grito: " Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro."

 

É realmente difícil acreditar que alguém possa conhecer como o amor de Deus é rico e completo para satisfazer e consolar, se o céu da sua vida nunca se escureceu.

 

A luz surge nas trevas, a manhã surge do seio da noite.

 

Numa de suas cartas, James Creelman descreve sua viagem através dos estados dos Balcãs à procura de Natalie, a rainha exilada da Sérbia. " Nessa memorável viagem", diz ele, "fiquei sabendo que o suprimento de essência de rosas para o mundo vem das montanhas dos Balcãs. E o que mais me interessou". Continuou ele, "é que as rosas precisam ser colhidas nas horas mais escuras. Os colhedores começam a apanhá-las à uma da madrugada e param às duas.

 

"A princípio pareceu-me uma refinada superstição, mas investigada posteriormente, o pitoresco mistério ensina-nos que testes científicos haviam provado que na realidade quarenta por cento da fragrância das rosas desaparecia com a luz do dia".

 

E na vida e cultura do homem isto não é um conceito imaginoso ou fantasioso; é um fato.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Sabedoria Divina – Parte 2

A Sabedoria Divina

"Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor" (Pv 21.30)

Continuação

3. A existência do pecado não é incompatível com a justiça de Deus. Faz parte das atribuições da justiça punir o pecador, embora não aniquilar o pecado. Em seu sentido comum, fica pressuposta a existência do governo moral de Deus bem como a existência de agentes morais, e, portanto a possibilidade de ocorrerem transgressões. As leis são decretadas tendo em mira coibir os desregrados e se não houvesse transgressores para quem eles representassem um terror.

A justiça não impede a entrada do pecado; antes, em face da transgressão encontra a ocasião mais propícia para seu mais elevado exercício. Esse atributo da justiça é exibido de modo temível e glorioso na punição dos ofensores. Ao contemplarem a destruição do anticristo, bem como a fumaceira do seu exclamar:"Aleluia! Pois reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso" (Ap 19.6).

No exercício da justiça punitiva de Deus é que os habitantes do céu compreenderão melhor o governo divino, contemplando o Senhor assentado no Seu trono. "Justiça e direito são o fundamento do teu trono" (Sl 89.14).

4. A existência de pecado não é compatível com a bondade de Deus. Nem mesmo aqueles que explicam a bondade (como amor à felicidade como um fim em si mesma), e entendem o desfrutar, ou o gerar a felicidade como o fundamento da virtude, concluem que a bondade de Deus deva necessariamente excluir o mal do mundo. Antes, entendem que Ele soberanamente governará sobre o mal, de tal modo que, por fim, resultará em grande felicidade (ventura) no universo, muito mais do que haveria sem a entrada do mal.

Se tudo isso for considerado como uma mera hipótese, pelo menos enquanto não for rebatida ela será suficiente para retrucar às objeções; tal hipótese não pode ser anulada por uma mente incapaz de compreender esse infinito assunto. Se a bondade de Deus visa ao bem-estar do universo, mais do que a sua felicidade, poderíamos levantar uma outra hipótese, igualmente impossível de ser rebatida, a saber, que Deus soberanamente controla as manifestações do pecado, de modo a produzir os mais importantes benefícios morais.

Quais serão esses benefícios não podemos esperar ser capazes de entender; porém, de um resultado, ao menos, podemos conjecturar. Assim como as perfeições morais de Deus não são grande glória do Seu caráter, por igual modo o Seu governo moral é a glória de Seu esquema universal: assim sendo, pode ter sido agradável diante de Sua mente infinita permitir a entrada do pecado, porquanto isso seria ocasião para mostrar Sua justiça e Seu governo moral.

Talvez concorde melhor com a Sua infinita sabedoria confirmar em santidade os Seus súditos obedientes, não através de alguma necessidade física, mas por meio da influência moral; a demonstração de Sua justiça de Seu governo moral com certeza serve de importantíssimo meio para a concretização desta finalidade.

Pois como poderiam as inteligências – que terão de desenvolver-se continuamente na presença de Seu trono – receber aquelas impressões morais necessárias ao aprimoramento de sua santidade, se para sempre permanecessem ignorando a justiça de Deus, bem como o ódio que Ele vota contra o pecado?

A Sabedoria Divina – Parte 1

A Sabedoria Divina

"Quantas são as tuas obras, Senhor! Fizeste todas elas com sabedoria!.."(Sl 104.24)

O conhecimento e sabedoria, embora confundidos um com o outro por parte de pensadores negligentes, na verdade diferem um do outro. A sabedoria sempre está vinculada às ações. Os nossos sentidos são afetados pelos objetos existentes na realidade externa, cuja percepção surge em nossas mentes, constituindo uma larga fatia de nossos conhecimentos.

Inteiramo-nos das propriedades e relações desses objetos, e esse conhecimento acumulado na memória torna-se um valioso tesouro, do qual podemos tirar proveito quando seu uso faz-se necessário.

É exatamente no uso de tesouro que se manifesta a sabedoria. Quando as impressões externas já despertam o maquinismo mental interno, esse maquinismo por sua vez, atua sobre as coisas externas.

É precisamente nessas externizações da mente que a sabedoria se torna manifesta, no tocante aos nossos planos e propósitos quanto aos atos que queremos concretizar. Nosso conhecimento da nossa conduta; é considerado sábio o indivíduo cujos conhecimentos e cujos princípios morais norteiam bem a sua conduta.

Isso posto, a sabedoria é considerada como escolher a melhor linha de ação, bem como os melhores meios para a realização dessa finalidade.

Deus é infinitamente sábio porque seleciona a melhor linha de ação possível. Não podemos asseverar que compreendemos realmente o fim que Jeová tem em vista em todas as Suas obras. As escrituras aludem à glória de Deus como a finalidade da criação e da redenção, e parece que estamos autorizados a falar sobre a questão como o objetivo de todas as obras divinas.

Não obstante, qual é o sentido completo da expressão' a glória de Deus"? Supomos que ela indique aquela manifestação das perfeições divinas, sobretudo de Suas perfeições morais, que são supremamente agradáveis a Ele mesmo, e, por conseguinte, agradáveis também a todos os seres inteligentes dotados do mesmo tipo de mentalidade que Ele. Porém, sentimo-nos inteiramente perdidos nesta contemplação.

Deus é infinitamente sábio, porquanto adota os melhores meios possíveis para a consecução do objetivo que tem em mira. Quando da criação, tudo foi trazido à existência com sabedoria (Sl 104.24); na redenção, Deus mostra-se rico em sabedoria a favor dos remidos (Ef 1.8). Deus é sábio em conselho e faz todas as coisas "conforme o conselho de Sua vontade" (Ef 1.11).

Para nós, a sabedoria de Deus é um abismo insondável. Os caminhos de Deus podem ser percebidos nos oceanos, e as Suas veredas nas águas poderosas. "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!" (Rm 11.33).

Uma criança não é capaz de entender os planos de um sábio estadista; muito menos pode o mais sábio dentre os homens compreender os planos do único e sábio Deus. Nunca nos deveríamos esquecer dessa realidade, sempre que nos dispuséssemos a inquirir as razões do modo de proceder do Senhor.

O motivo pelo qual Deus permitiu a intromissão do pecado no mundo é uma questão que tem deixado perplexa a sabedoria dos entendidos. Na qualidade de um ser dotado de perfeita santidade, Deus abomina o pecado com um ódio perfeito. Se Ele é dotado de poder infinito, capaz de excluir o pecado dos Seus domínios, por qual razão permitiu a sua entrada? Na qualidade de Pai benévolo de Sua grande família, pois que Ele permitiu a invasão de um mal tão arruinador em Seus domínios? Teria havido algum lapso em Seu planejamento, alguma falha na sabedoria de Seu desígnio, possibilitando tão espantoso desastre? Visto que a nossa fé com freqüência se queda perplexa diante dessas indagações, então, observações como aquelas que expomos a seguir podem ser úteis para ajudar-nos em nossa tão débil compreensão.

  1. O pecado está no mundo, mas Deus é infinitamente bondoso e sábio. A primeira dessas proposições expressa um fato a respeito do qual descobrimos comprovações diárias, diante dos nossos olhos ou em nosso próprio coração. A segunda proposição exprime inegável verdade da religião natural e da religião revelada. Embora sejamos incapazes de conciliar essas duas proposições, ambas são dignas de serem acolhidas com a mais absoluta confiança. Nenhum ser humano dotado de perfeito juízo haverá de pôr em dúvida qualquer uma delas.

  2. A existência do pecado não deve ser atribuída a qualquer fraqueza em Deus, pois facilmente Ele poderia ter barrado o pecado para que não penetrasse em Seus domínios. Deus poderia ter declinado em criar agentes morais livres, e poderia ter povoado o mundo com criaturas destituídas de faculdades morais, e, por isso mesmo, incapazes de pecar.Ou então, conforme aquilo que parece ser a idéia oposta, Deus poderia ter criado agentes morais, confirmando-os de tal modo na santidade, desde o começo, que a queda deles na transgressão se tornasse simplesmente impossível. Ou ainda por ocasião do surgimento do pecado em qualquer de Suas criaturas, Deus poderia ter aniquilado prontamente o transgressor, impedindo assim que o mal se propagasse e arruinasse Seus súditos, ou mesmo impedindo que o mal permanecesse em Seu império.

    Se por um momento apenas pudermos tolerar dúvidas acerca do poder de Deus no mundo caído, então o perfeito controle que Deus demonstra exercer sobre o mal, agora que a transgressão obteve entrada nos domínios do Senhor, é suficiente para confirmar a nossa confiança no poder de Deus.

    O pecado realmente invadiu o reino de Deus, e o príncipe das potestades do ar está recebendo o apoio de inúmeras legiões de espíritos, procurando conferir ao diabo a vitória e o predomínio. Porém, com o propósito de destruir as obras do diabo, apareceu o Filho de Deus, revestido da natureza humana.

    Ele escolheu a debilidade da natureza humana, a fim de mostrar por meio dela o Seu poder ao esmigalhar a cabeça da antiga serpente, Satanás. Por essa razão é que Cristo é o poder de Deus. Em sua mais profunda humilhação, nas horas em que este pendurado na cruz, triunfou sobre Seu grande adversário, dando provas de Seu poder triunfante ao arrancar o ladrão penitente que expirava ao Seu lado, da beira dos desfiladeiros da destruição. A cruz, pois, exibe o maior espetáculo da onipotência divina.

Entendendo a Monarquia, de Saul, Davi a Salomão – Parte 4

A profecia e a política

Uma palavra

Se há uma coisa que aparece clara nos Livros dos reis é a atuação política dos profetas. O profeta Natã praticamente encaminha a sucessão de Davi, fazendo com que o partido de Salomão predomine sobre o partido de seu irmão Adonias. O profeta Aias, de silo, incita Jeroboão a rebelar-se contra Roboão, provocando a divisão do reino (1Rs 11-12).

O mesmo profeta acabará condenando a dinastia de Jeroboão, infiel à Aliança, pregando a sua derrubada (1Rs 14.7-16). O profeta Jeú instiga a revolta contra o rei Baasa (1Rs 16.7-10). O profeta Elias promove resistência contra Acabe e Jezabel. Acusado de agitador, o profeta foge para o estrangeiro e seus seguidores são perseguidos e mortos (1Rs 18.1-18).

O profeta Miquéias, filho de Lemla, opões-se a Acabe e acaba sendo preso (1Rs 22.19-28). O profeta Eliseu manda ungir o general Jeú como rei e o apóia numa sangrenta guerra contra o rei Jorão e os profetas de Baal (2Rs 9-10). No próprio exercício de sua missão como "homens de Deus" ou porta-vozes de Javé, os profetas desempenham um papel político.

Alguns aparecem ao lado do trono como conselheiros do rei, como é o caso do profeta Natã, na corte de Davi (2Sm7). Isto, porém, não impede que erga sua voz e, em nome de Deus, condene os erros do rei (2Sm 12.1-15). Aparecem também profetas ou profetisas independentes, a quem o rei recorre em momentos de crise. É o caso do profeta Isaías, consultado pelo rei Ezequias (2Rs 19.1-34), ou da profetisa Hulda, consultada pelo rei Josias (2Rs 22.11-20). Mas em geral eles vivem afastados do palácio real e pronunciam seus oráculos ou sentenças com total liberdade e autoridade (1Rs 12.22-24;13.1-5;21.17-23;22.19-23;2Rs 3.14-19).

Alguns são mencionados simplesmente como "profeta" , ou "homem de Deus", ou " um dos filhos dos profetas", sem o nome próprio, sinal de que são gente do povo.

Na sua ambição pelo controle total da sociedade e na sua ganância pelo poder, os reis, como qualquer governo, necessitavam do apoio religioso. Não bastava apenas colocar o templo e os sacerdotes a seu serviço (1Rs 8.3-6;12.31-32; 2Rs 11.17-19; 2Rs 16.10-12), mas queriam ainda o apoio dos profetas para seus planos e ações, porque os profetas sempre tiveram um grande valor religioso aos olhos do povo. Assim, abriram espaço na sua corte para profetas que, na maioria dos casos, estavam a serviço dos interesses do rei, contra o povo (2Rs 22.19-23). Estes eram profetas oficiais, profetas do rei, falsos profetas e não verdadeiros profetas reconhecidos pelo povo. Nos livros proféticos aparecem acusações muitos fortes contra esses profetas mentirosos, bajuladores e impostores. Quem quiser ver uma amostra leia Jr 23.9-38 .

Nas histórias dos profetas Elias e Eliseu é interessante notar sua experiência de vida, não só com o povo, mas como gente do povo. Antes de ser chamado para os atos mais decisivos de sua missão profética, Elias passou pelo menos três anos na casa da viúva de Sarepta. Note-se que, sem o apoio dessa mulher que o acolheu, sustentou e protegeu, ele não teria podido cumprir sua missão profética. Eliseu trabalhava na lavoura, quando Elias o chamou( 1Rs 19.19-21).

Na narrativa sobre Eliseu aparecem várias mulheres: a mulher de um dos irmãos profetas, em favor da qual fez o milagre da multiplicação do óleo (2Rs 4.1-7). A sunamita que o acolhe e, em recompensa, ganha um filho que morre e Eliseu o ressuscita (4.8-37; 8.1-6). Jezabel, que é executada conforme Elias tinha profetizado, (9.30-37). A rinha Atalia e Josaba (2Rs 11.1-16). Eliseu convivia com os "filhos dos profetas", que eram grupos tipicamente populares (2Rs 2.3-18;4.38-44).

A Aliança entre YHWH e seu povo nunca combinou muito bem com as Alianças entre sacerdotes e reis, entre templos e palácios, entre altares e tronos. É triste lembrar que, no tempo da colonização do Brasil, quando se cometeram tantos crimes contra os índios e os negros, falava-se muito da Aliança entre a cruz e a espada! As Alianças entre as instituições e os poderes geralmente não são favoráveis ao povo.