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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Onde Estamos, nós os Profetas!?

Onde estaremos, nós os profetas?

A vocação profética não era para todos. Aceitar tamanho compromisso com uma missão nem sempre simpática não era atraente. Falar e não ser ouvido era o que Deus prometia àqueles a quem vocacionava. Parecia até mesmo ser incoerente com a atividade que é o uso da linguagem. Mas essa é a motivação: "Vá, e diga a este povo: Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam" (Is 6.9-NVI).

Então o servo sai como que falando ao vento, apelando para o nada!Me lembrei hoje, outras vezes também, mas, hoje, de forma especial. Estávamos em um culto de mocidade lá na minha antiga igreja. Minha igreja mãe. Quantas saudades daqueles cultos.O pregador era o Pr Jeremias Cerqueira, homem de Deus, profeta, uma vaso que muito admirava.Fa tempo que não o vejo. Na platéia estávamos, os jovens. Lá, me lembro, estava Adriana Macedo, vaso cheio. Nem conseguia se conter. Tremia feito vara verde, balançava de forma incorntrolável. O culto transcorria, Jeremias pregava, ao mesmo tempo que entregava as revelações de Deus. Adriana Macedo não se conteve, não conseguiu se conter saltou em direção ao púlpito e disse: " Assim diz o Senhor: Eis que te ponho hoje por profeta entre as nações. Tu voarás para outros países, te escolhi para restauração de vidas, libertação dos cativos. Profeta por ministério é o teu chamado...assim, asssim e assim, vede ai o meu anjo de autoridade, ele te toma pela tua mão e te conduz por entre as terras.Vede a fúria que vem em tua direção" . Pr Jeremias estava emocionado, havia lágrimas em seus olhos. Disse eu no meu íntimo: " Quanta intimidade dessa moça com Deus".Conheço o Pr Jeremias, também a Adriana Macedo. Faz tempo que não vejo o Pr Jeremias, a Adriana Macedo, de quando em quando, a vejo, principalmente em trabalhos de oração. Me permita te chamar profeta, Adriana.Pergunto a você minha querida e a tantos outros, profetas, tais quais, como nós , "saíram de cena".Como entender os ouvintes da mensagem?

Como compreender um povo que a cada dia vai se afastando de Deus, acumulando para si pecados e mais pecados?

O que esperar de um povo que não faz conta de Deus e que não tem interesse nenhum por suas palavras? O que falar para quem não tem disposição de ouvir?

A verdade neste aspecto é uma só: o povo não quer ouvir a Deus! E o próprio Deus denuncia: "Esse povo é rebelde; são filhos mentirosos, filhos que não querem saber da instrução do SENHOR" (Is 30.9-NVI). E a missão do profeta chega ao cúmulo da rejeição: "Eles dizem aos videntes: Não tenham mais visões! e aos profetas: Não nos revelem o que é certo! Falem-nos coisas agradáveis, profetizem ilusões" (v.10). Que lamentável!

E pensar que era por volta do ano 740 a.C. Neste tempo o homem já era o que é: alguém que quer ser iludido. Quer ouvir o que "gosta" e não o que "precisa". A "instrução" do Senhor não soa bem aos ouvidos; ser "confrontados com o Santo de Israel" (v.11) não é o interesse marcado; querem coisas "agradáveis", querem "ilusões". Parece que é hoje!

Cadê você Adriana Macedo? Cadê Você Pr Jeremias, Cadê os profetas, Onde estarão? Onde estaremos? Na caverna? No calabouço? No porão? Ou no pos palácios? Nos gabinetes, Nas tesourarias? Onde estaremos nós? Rafael, Elzeu Ignes, Danielzinho, Anderson Micaio? Gênesis? Esdras? Vanderley? Wanderly? Wandegilcia? Jorginho de Xerém? Denner? Lecivaldo? Alexandre? Paulo Cesar? Angelo? Alex Torquato? Antônio? Meyre? Mônica? Arlene Queiroz? Rosana? Osana Mello? Samuelzinho? Irmã Carminha? Célia? José de Arimatéia ? Irmã Jane? Irmã Rosangela? Diogo? Jonas? Filipe Mallet ? Cadê todos nós?

A difícil missão de ontem é a missão quase impossível de hoje. Mas não estamos sem aviso. Paulo afirmou algo assim: "O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios" (1Tm 4.1).

O tempo é hoje, e o apelo do apóstolo para nós é este: "Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos" (2Tm 4.2-3).

Ou seja, o que se quer ouvir é a mesma ilusão dos tempos do profeta Isaías. Paulo parecia conhecer bem este fato: "Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (v.4). É a triste realidade desse tempo!

Como ser profeta da verdade quando a mentira é o que se quer ouvir?

Como falar em nome de Deus se é ao Diabo que eles abrem os ouvidos? Como fazê-los entender a diferença de ouvir o que "quer" pelo ouvir o que "precisa"? É quase desanimador, admito. Mas Jesus teria fracassado se diante da debandada de quase vinte mil por ocasião de sua verdade falada à multidão preocupada apenas com a saciedade imediata de pães e peixes perecíveis (João 6) tivesse se desanimado. Sempre vão existir aqueles que dirão para a nossa motivação: "Para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna" (Jo 6.68)."Palavras de vida eterna", é o que o profeta deve comunicar mesmo quando a preferência é pelas ilusões do aqui e do agora.
A verdade é comprometedora e incondicional; as ilusões podem ser agradáveis e até satisfatórias, por algum momento. Mas o profeta sempre, mesmo na indiferença dos que ouvem, sustentará uma Palavra que, a despeito de sua rejeição, é a melhor esperança para quem nela se agarra, é o alicerce irremovível para quem quer construir um futuro certo!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Entendendo a Monarquia, de Saul, Davi a Salomão – Parte 4

A profecia e a política

Uma palavra

Se há uma coisa que aparece clara nos Livros dos reis é a atuação política dos profetas. O profeta Natã praticamente encaminha a sucessão de Davi, fazendo com que o partido de Salomão predomine sobre o partido de seu irmão Adonias. O profeta Aias, de silo, incita Jeroboão a rebelar-se contra Roboão, provocando a divisão do reino (1Rs 11-12).

O mesmo profeta acabará condenando a dinastia de Jeroboão, infiel à Aliança, pregando a sua derrubada (1Rs 14.7-16). O profeta Jeú instiga a revolta contra o rei Baasa (1Rs 16.7-10). O profeta Elias promove resistência contra Acabe e Jezabel. Acusado de agitador, o profeta foge para o estrangeiro e seus seguidores são perseguidos e mortos (1Rs 18.1-18).

O profeta Miquéias, filho de Lemla, opões-se a Acabe e acaba sendo preso (1Rs 22.19-28). O profeta Eliseu manda ungir o general Jeú como rei e o apóia numa sangrenta guerra contra o rei Jorão e os profetas de Baal (2Rs 9-10). No próprio exercício de sua missão como "homens de Deus" ou porta-vozes de Javé, os profetas desempenham um papel político.

Alguns aparecem ao lado do trono como conselheiros do rei, como é o caso do profeta Natã, na corte de Davi (2Sm7). Isto, porém, não impede que erga sua voz e, em nome de Deus, condene os erros do rei (2Sm 12.1-15). Aparecem também profetas ou profetisas independentes, a quem o rei recorre em momentos de crise. É o caso do profeta Isaías, consultado pelo rei Ezequias (2Rs 19.1-34), ou da profetisa Hulda, consultada pelo rei Josias (2Rs 22.11-20). Mas em geral eles vivem afastados do palácio real e pronunciam seus oráculos ou sentenças com total liberdade e autoridade (1Rs 12.22-24;13.1-5;21.17-23;22.19-23;2Rs 3.14-19).

Alguns são mencionados simplesmente como "profeta" , ou "homem de Deus", ou " um dos filhos dos profetas", sem o nome próprio, sinal de que são gente do povo.

Na sua ambição pelo controle total da sociedade e na sua ganância pelo poder, os reis, como qualquer governo, necessitavam do apoio religioso. Não bastava apenas colocar o templo e os sacerdotes a seu serviço (1Rs 8.3-6;12.31-32; 2Rs 11.17-19; 2Rs 16.10-12), mas queriam ainda o apoio dos profetas para seus planos e ações, porque os profetas sempre tiveram um grande valor religioso aos olhos do povo. Assim, abriram espaço na sua corte para profetas que, na maioria dos casos, estavam a serviço dos interesses do rei, contra o povo (2Rs 22.19-23). Estes eram profetas oficiais, profetas do rei, falsos profetas e não verdadeiros profetas reconhecidos pelo povo. Nos livros proféticos aparecem acusações muitos fortes contra esses profetas mentirosos, bajuladores e impostores. Quem quiser ver uma amostra leia Jr 23.9-38 .

Nas histórias dos profetas Elias e Eliseu é interessante notar sua experiência de vida, não só com o povo, mas como gente do povo. Antes de ser chamado para os atos mais decisivos de sua missão profética, Elias passou pelo menos três anos na casa da viúva de Sarepta. Note-se que, sem o apoio dessa mulher que o acolheu, sustentou e protegeu, ele não teria podido cumprir sua missão profética. Eliseu trabalhava na lavoura, quando Elias o chamou( 1Rs 19.19-21).

Na narrativa sobre Eliseu aparecem várias mulheres: a mulher de um dos irmãos profetas, em favor da qual fez o milagre da multiplicação do óleo (2Rs 4.1-7). A sunamita que o acolhe e, em recompensa, ganha um filho que morre e Eliseu o ressuscita (4.8-37; 8.1-6). Jezabel, que é executada conforme Elias tinha profetizado, (9.30-37). A rinha Atalia e Josaba (2Rs 11.1-16). Eliseu convivia com os "filhos dos profetas", que eram grupos tipicamente populares (2Rs 2.3-18;4.38-44).

A Aliança entre YHWH e seu povo nunca combinou muito bem com as Alianças entre sacerdotes e reis, entre templos e palácios, entre altares e tronos. É triste lembrar que, no tempo da colonização do Brasil, quando se cometeram tantos crimes contra os índios e os negros, falava-se muito da Aliança entre a cruz e a espada! As Alianças entre as instituições e os poderes geralmente não são favoráveis ao povo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

"DOM DE PROFECIA? VISÃO?"

Gisele pergunta

Pastor, o senhor disse q a profecia n vem acerca de casamento e coisas do tipo, mas e quando vem? Será que é emocionalismo, ou é mesmo a revelação de Deus? Gostaria de saber também a diferença entre dom de profecia e visão A Paz do Senhor Jesus!!

Minha querida irmã Gisele, em primeiro lugar quero lembrar que a profecia não tem outro cunho que não seja o de “animar” a alma. A profecia consola, edifica, anima encoraja etc.

Eu me referi, na ocasião ao fato de que há entre nós pessoas que sem o mínimo juízo, propalam de maneira irresponsável, mensagens supostamente proféticas e, como em nosso meio existem muitos incautos, isso acaba tomando uma proporção que compromete uma profecia verdadeira. Não nos esqueçamos que a profecia possui três fontes:

Divina = Quando Deus toma de fato a boca de um servo dEle e de forma contundente dirigi a mensagem a alguém.

Humana = Quando alguém, supostamente usado por Deus, profere uma mensagem, não que Deus o tenha dado, mas simplesmente utiliza-se do mecanismo humano e idéias pré-concebidas e, de forma irresponsável entrega uma “pseudo profecia”.

Diabólica= É quando o Diabo usa a boca de alguém (qualquer que a ele der lugar), e profere uma mensagem supostamente dada por Deus. É claro que existe um critério Bíblico para analisar as profecias. Infelizmente, poucos crentes e até mesmo líderes e pastores conhecem a fundo.

Vale lembrar que nesta relação entra também a expressão “Eu profetizo”, modismo que muitos pregadores, muita gente faz uso de forma banalizada, como se as coisas acontecessem porque alguém declarou que deve acontecer, como se fosse um “xamã” , o que contraria sobremaneira o princípio bíblico. Mas isso, comentarei em outra postagem, onde, inclusive apresentarei as diferenças dos termos no Hebraico e no Grego, para orientação de muitos que confundem, banalizam, desmerecem, sobretudo, fazem piadas e gracejos insólitos.

Quanto a diferença entre o dom de profecia e visão:

  1. A profecia é dom espiritual e dom ministerial.
  2. Como dom espiritual, Deus usa o aparelho fonador (que produz voz) do profeta.
  3. Como dom ministerial, Deus usa a mente do profeta.
  4. Aprofecia edifica a igreja como corpo, e não como indvíduo. Ela é o principal dom
  5. A profecia é também um meio de expressão dos demais dons.
  6. Ela é um sinal para a igreja; ao passo que as línguas são um sinal para os infiéis
  7. A posição do profeta deve ser a de "...A palavra que Deus puser na minha boca essa falarei" Nm 22.38.
  8. O profeta pode falar do seu próprio espírito. Ez 13.3; 1Cr 17.2-5,11,12
  9. A profecia não é recebida nem transmitida inconscientemente, 1Co 14.32
  10. A finalidade do dom de profecia: edificar, consolar, exortar, predizer.
  11. A profecia não se destina a dirigir.
  12. A profecia está sujeita a julgamento.
  13. A visão não é um dom em si mesmo, mas uma manifestação do Espírito através da apresentação de "imagens", símbolos, objetos etc., que normalmente vem seguido de sua interpretação.(cuidado!)
  14. As vezes, a mente humana, que é mui fértil nas imaginações, cria imagens ou supostas iamgens que, se o indivíduo não for equilibrado, achará que viu algo, que certamente não viu, mas a mente forçou-o a imaginar e, de certa forma ele materializou através dos olhos a imagem e, transmitiu-a como se fosse uma visão, no entanto foi simplesmente imaginação.
  15. Muito cuidado! Até o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.

Existem homens sérios, servos de Deus que realmente comunicam aamensagem de forma profética exatamente como Deus ordenou, outros desejam acrescentar algo. É aquela velha história. O bolo está muito bonito, mas, falta um cereja! Meu é conselho é: BUSQUE DE DEUS O DOM DE DISCERNIR OS ESPÍRITOS. Aconselho que você acompanhe as postagens que já foram publicadas que tratam acerca dos dons, da profecia e profetas, sobretudo mantenha um acompanhamento através de perguntas.

Sua dúvida pode ser a mesma de outras pessoas

Parabéns pela sua aplicação à Palavra de Deus.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"A PROFECIA VALE MAIS DO QUE OS PLANOS DO REI "

Pergunta de um blogueiro: "Pr João Luiz, fale da relação do templo com o profeta e a profecia e vice -versa. Fale do templo de Jerusalém. Como era a relação?" A profecia e o templo Uma palavra Antes da construção do templo de Jerusalém, as tribos tinham seus santuários, pequenos centros de encontros e assembléias, lugares onde o povo cumpria suas devoções. Assim, vemos Ana pedir a Deus um filho na peregrinação que fez ao importante santuário de silo, onde ficava a Arca da Aliança (1Sm 1.3-11). Outros santuários importantes eram: Dã(2Sm 3.10), Siquém (Js 24.1), Betel (1Sm 10.3), Gilgal (1Sm 11.14-15), Hebrom ( 2Sm 2.1). Bersabéia (1Sm 3.20), Ramá (1Sm 7.17), etc. No sistema tribal a religião era descentralizada. Não havia um templo oficial nem um sacerdócio único. Esses santuários eram muito importantes como centros de reabastecimento da memória do Êxodo e da consciência libertadora do povo. Caminhar para o santuário lembrava a caminhada no deserto. O santuário servia de refúgio para peregrinos e fugitivos (cf. 1Sm 21.2-10). Despertava sempre o lado místico e piedoso do povo de Deus. A peregrinação ao santuário era importante celebração (cf. Sl23.6;27.4) e acontecia três vezes ao ano, quando o povo era convidado para estar diante do Senhor (EX 23.14-17). Centros de culto religioso, os santuários arrecadavam oferendas e doações feitas pelos fiéis (1Sm 1.24). Podia haver abuso das pessoas a quem eram confiados, como no caso dos filhos de Eli e dos filhos de Samuel. Inicialmente, os santuários serviam de depósitos de cereais para o período das secas. O que depositavam estavam sob a proteção de Deus. Com o tempo, foram depositados também objetos de valor e os santuários foram acumulando riquezas. O tesouro do santuário de Siquém serviu para financiar a aventura monárquica de Abimeleque (Jz 9.4). Davi percebeu a importância de um “templo oficial”, que facilitasse a unidade do país dividido entre Siquém e Hebrom. Levou, então, para Jerusalém a Arca da Aliança (2Sm6), o mais importante símbolo religioso israelita, aceito por todas as tribos (1Sm 4.4-5;Js 18.1). Jerusalém se torna, assim, o mais importante santuário de Israel. Seu plano de construir um templo não foi adiante por causa do profeta Natan (2Sm 7.4-7). Com a construção do templo, no reinado de Salomão (1Rs6-7), as romarias e peregrinações para as festas , às quais ninguém “poderia ir de mãos vazias”(Ex 23.15), concentraram muita riqueza em Jerusalém. Com esse dinheiro, Salomão promoveu atividades comerciais internacionais (1Rs 9.26-28). Foram levados bois, ovelhas, trigo, vinho, óleo e frutas como dízimo ou oferenda (Ne 10.33-40; cf. 1Rs 5;8.62-63). A venda das oferendas acumulou ouro e prata no templo (2Rs 12.5-6). Como a Lei garantia o juramento feito diante de Deus (Ex 22.7), qualquer transação comercial era feita no templo. Centro de peregrinações, casa de oração, celebrações e bênçãos, lugar do culto e de louvor a Deus, o templo foi, ao mesmo tempo, mercado, banco, casa de câmbio e cartório. Assim é que, sendo casa de Deus, acabou tornando-se também covil de ladrões. Os profetas perceberam e denunciaram essa contradição. Condenaram o que, para o povo, era lugar santo e casa de Deus onde as leis e os mandamentos estão sendo desrespeitados!? Os profetas, como Jeremias (Jr 7.1-27) e Amós (Am 4.4-5;5.21-25), denunciaram a falsidade do culto que encobria a injustiça e não agradava a Deus. Nunca houve muita harmonia entre a profecia e o templo. Muito ao contrário. O clamor profético sempre se ergueu contra um culto guarnecido de exterioridades, mas vazio de verdadeiro espírito de justiça e de fidelidade a Deus que, por isso, se tornava abominável aos olhos do Senhor. Jesus, o profeta por excelência, se insere na corrente profética de Amós, Miquéias, Jeremias, Isaías e outros. É preciso remover a falsa segurança dada pelo templo e buscar a verdadeira religião libertadora. Chegará o tempo, disse Jesus, em que não se adorará Deus em santuários mas em espírito e verdade (Jo 4.19-26). Depois de expulsar os vendilhões do templo, ele próprio identificou seu corpo com o verdadeiro templo (Jo 2.14-22). No julgamento do Sinédrio, a maior acusação feita contra ele é que falara mal do templo ( Mt 26.61), a mesma acusação feita contra Estêvão (At 6.13).