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sábado, 12 de dezembro de 2009

O "CAIR" DE HEBREUS VI

O CAIR DE HEBREUS VI

 

Existe apenas um pecado referido no livro aos Hebreus, a saber, o ato de um judeu do primeiro século que, tendo deixado o judaísmo e se identificado com a igreja Cristã visível, depois de haver feito profissão de fé em Cristo, agora estava em perigo de, sob a força da perseguição, renunciar a nova fé e voltar ao ritual ab-rogado do sistema levítico.

Tal pecado é descrito no capítulo 2.1, como "um desvio da verdade do Novo Testamento", como " um endurecimento do coração contra o Espírito Santo" (Hb 3.7,8), como um "cair" e um "crucificar novamente" para si mesmo o Filho de Deus (Hb 6.6), como um "pecado contra o Deus Triuno, ou seja, o "calcar aos pés o Filho de Deus", que é pecado contra o Pai que enviou o Filho, o "profanar ou considerar comum do Filho", pecado que é contra Jesus, que derramou Seu sangue, e o "ultrapassar o Espírito da graça", que é um pecado contra o Espírito Santo, que conduziu o pecador ao lugar do arrependimento ( Hb 10.26,29).

A palavra "caíram" (Hb 6.6) vem de um termo grego que literalmente significa "cair ao lado de uma pessoa ou coisa, escorregar para fora, desviar-se do caminho certo, desgarrar-se". Em manuscritos antigos encontramos duas ilustrações sobre seu emprego: "se os termos do contrato forem quebrados" e no caso em que certa pessoa se reverte à sua interpretação anterior.

Esses dois empregos se adaptam exatamente ao fundo histórico do livro e ao contexto em que a palavra é encontrada. Aqui temos o caso de alguns judeus que haviam professado fé em Cristo, que acompanhando o Espírito Santo em Sua obra de pré-salvação, haviam sido conduzidos ao lugar de arrependimento, ou seja, até o próprio limiar da salvação. Podemos dizer que haviam estabelecido um contrato com o Espírito, sendo espontaneamente levados até certo ponto por Ele. Mas agora, caso rejeitassem a fé oferecida e retornassem ao judaísmo, estariam rompendo o contrato que fizeram com o Espírito.

Além disso, em certa ocasião aderiram ao sistema de sacrifícios do Antigo Testamento. Depois abandonaram-no para abraçar a verdade do Novo Testamento. Agora, pois, caso retornassem aos sacrifícios do Templo, estariam revertendo à sua opinião anterior.

A palavra "caíram" somente pode referir-se àquele pecado referido nesse livro aos Hebreus. Era pecado que só podia ser cometido por um judeu ou por um prosélito gentio, do primeiro século de nossa era, e isso por motivo de, a partir do ano 70 A.D. as condições se tornarem tais, que resultou impossível cometer o mesmo pecado. O templo de Jerusalém foi destruído naquela data. Não existem mais sacrifícios judaicos que possam ser abandonados para novamente serem abraçados. Não obstante, aquele pecado era seríssimo. Aqueles judeus haviam sido participantes ou "companheiros" (vd Lc 5.7, a mesma palavra grega) do Espírito Santo, acompanhando-O em Suas ministrações era questão das mais sérias, pois após tal ação não pode mais haver recuperação.

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Sabedoria Divina – Parte 1

A Sabedoria Divina

"Quantas são as tuas obras, Senhor! Fizeste todas elas com sabedoria!.."(Sl 104.24)

O conhecimento e sabedoria, embora confundidos um com o outro por parte de pensadores negligentes, na verdade diferem um do outro. A sabedoria sempre está vinculada às ações. Os nossos sentidos são afetados pelos objetos existentes na realidade externa, cuja percepção surge em nossas mentes, constituindo uma larga fatia de nossos conhecimentos.

Inteiramo-nos das propriedades e relações desses objetos, e esse conhecimento acumulado na memória torna-se um valioso tesouro, do qual podemos tirar proveito quando seu uso faz-se necessário.

É exatamente no uso de tesouro que se manifesta a sabedoria. Quando as impressões externas já despertam o maquinismo mental interno, esse maquinismo por sua vez, atua sobre as coisas externas.

É precisamente nessas externizações da mente que a sabedoria se torna manifesta, no tocante aos nossos planos e propósitos quanto aos atos que queremos concretizar. Nosso conhecimento da nossa conduta; é considerado sábio o indivíduo cujos conhecimentos e cujos princípios morais norteiam bem a sua conduta.

Isso posto, a sabedoria é considerada como escolher a melhor linha de ação, bem como os melhores meios para a realização dessa finalidade.

Deus é infinitamente sábio porque seleciona a melhor linha de ação possível. Não podemos asseverar que compreendemos realmente o fim que Jeová tem em vista em todas as Suas obras. As escrituras aludem à glória de Deus como a finalidade da criação e da redenção, e parece que estamos autorizados a falar sobre a questão como o objetivo de todas as obras divinas.

Não obstante, qual é o sentido completo da expressão' a glória de Deus"? Supomos que ela indique aquela manifestação das perfeições divinas, sobretudo de Suas perfeições morais, que são supremamente agradáveis a Ele mesmo, e, por conseguinte, agradáveis também a todos os seres inteligentes dotados do mesmo tipo de mentalidade que Ele. Porém, sentimo-nos inteiramente perdidos nesta contemplação.

Deus é infinitamente sábio, porquanto adota os melhores meios possíveis para a consecução do objetivo que tem em mira. Quando da criação, tudo foi trazido à existência com sabedoria (Sl 104.24); na redenção, Deus mostra-se rico em sabedoria a favor dos remidos (Ef 1.8). Deus é sábio em conselho e faz todas as coisas "conforme o conselho de Sua vontade" (Ef 1.11).

Para nós, a sabedoria de Deus é um abismo insondável. Os caminhos de Deus podem ser percebidos nos oceanos, e as Suas veredas nas águas poderosas. "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!" (Rm 11.33).

Uma criança não é capaz de entender os planos de um sábio estadista; muito menos pode o mais sábio dentre os homens compreender os planos do único e sábio Deus. Nunca nos deveríamos esquecer dessa realidade, sempre que nos dispuséssemos a inquirir as razões do modo de proceder do Senhor.

O motivo pelo qual Deus permitiu a intromissão do pecado no mundo é uma questão que tem deixado perplexa a sabedoria dos entendidos. Na qualidade de um ser dotado de perfeita santidade, Deus abomina o pecado com um ódio perfeito. Se Ele é dotado de poder infinito, capaz de excluir o pecado dos Seus domínios, por qual razão permitiu a sua entrada? Na qualidade de Pai benévolo de Sua grande família, pois que Ele permitiu a invasão de um mal tão arruinador em Seus domínios? Teria havido algum lapso em Seu planejamento, alguma falha na sabedoria de Seu desígnio, possibilitando tão espantoso desastre? Visto que a nossa fé com freqüência se queda perplexa diante dessas indagações, então, observações como aquelas que expomos a seguir podem ser úteis para ajudar-nos em nossa tão débil compreensão.

  1. O pecado está no mundo, mas Deus é infinitamente bondoso e sábio. A primeira dessas proposições expressa um fato a respeito do qual descobrimos comprovações diárias, diante dos nossos olhos ou em nosso próprio coração. A segunda proposição exprime inegável verdade da religião natural e da religião revelada. Embora sejamos incapazes de conciliar essas duas proposições, ambas são dignas de serem acolhidas com a mais absoluta confiança. Nenhum ser humano dotado de perfeito juízo haverá de pôr em dúvida qualquer uma delas.

  2. A existência do pecado não deve ser atribuída a qualquer fraqueza em Deus, pois facilmente Ele poderia ter barrado o pecado para que não penetrasse em Seus domínios. Deus poderia ter declinado em criar agentes morais livres, e poderia ter povoado o mundo com criaturas destituídas de faculdades morais, e, por isso mesmo, incapazes de pecar.Ou então, conforme aquilo que parece ser a idéia oposta, Deus poderia ter criado agentes morais, confirmando-os de tal modo na santidade, desde o começo, que a queda deles na transgressão se tornasse simplesmente impossível. Ou ainda por ocasião do surgimento do pecado em qualquer de Suas criaturas, Deus poderia ter aniquilado prontamente o transgressor, impedindo assim que o mal se propagasse e arruinasse Seus súditos, ou mesmo impedindo que o mal permanecesse em Seu império.

    Se por um momento apenas pudermos tolerar dúvidas acerca do poder de Deus no mundo caído, então o perfeito controle que Deus demonstra exercer sobre o mal, agora que a transgressão obteve entrada nos domínios do Senhor, é suficiente para confirmar a nossa confiança no poder de Deus.

    O pecado realmente invadiu o reino de Deus, e o príncipe das potestades do ar está recebendo o apoio de inúmeras legiões de espíritos, procurando conferir ao diabo a vitória e o predomínio. Porém, com o propósito de destruir as obras do diabo, apareceu o Filho de Deus, revestido da natureza humana.

    Ele escolheu a debilidade da natureza humana, a fim de mostrar por meio dela o Seu poder ao esmigalhar a cabeça da antiga serpente, Satanás. Por essa razão é que Cristo é o poder de Deus. Em sua mais profunda humilhação, nas horas em que este pendurado na cruz, triunfou sobre Seu grande adversário, dando provas de Seu poder triunfante ao arrancar o ladrão penitente que expirava ao Seu lado, da beira dos desfiladeiros da destruição. A cruz, pois, exibe o maior espetáculo da onipotência divina.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Entendo a Monarquia, Saul e o Chamado de Davi - Parte 7

Pecado na Família Real - O Abuso do Poder

Davi e sua outra faceta é demonstrada num episódio que merece nossa apreciação. As imperfeições de caráter, de qualquer membro da família real, não são minimizadas nas Escrituras hebraicas. Um rei de Israel que caiu em pecado não poderia mesmo esperar escapar do juízo de Deus. Ao mesmo tempo como pecador verdadeiramente penitente, que reconheceu sai iniqüidade qualificou-se assim como homem que agradava a Deus.

Davi torna-se polígamo (2Sm 3.2-5 e 11.27). Embora isso seja definidamente proibido na revelação mais completa do Novo Testamento, foi tolerado nos tempos vetero-testamentário por causa da dureza de coração do povo israelita. Era livremente praticado pelas nações circunvizinhas.

Um harém na corte era algo perfeitamente natural. Embora advertido acerca da multiplicidade de esposas na lei mosaica (Dt 17.17), Davi adquiriu muitas delas. Alguns desses casamentos sem dúvida alguma tiveram implicações políticas, tal como seu matrimônio com Mical, filha de Saul, e com Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur. Tal como sucedeu com outros, Davi teve de sofrer as conseqüências, como os crimes de incesto, homicídio e rebeldia, que passara a suceder na sua vida doméstica.

O pecado de adultério e homicídio, praticado por Davi, constituiu um autêntico crime, do ponto de vista humano. O rei, cuja obrigação principal era cumprir os termos da aliança e assegurar justiça em todos os níveis da sociedade, havia ele próprio violado de maneira grosseira a aliança.

Empregara seu poder para fins cruéis. Davi desmoronou diante da justa acusação do severo profeta. Embora Davi não tivesse de prestar contas a quem quer que fosse em seu reino, ele deixou de perceber que esse "crime perfeito" era conhecido por Deus. No caso de um déspota de nação pagã, adultério e homicídio teriam passado sem reprimenda; porém, isso não poderia ocorrer em Israel, onde seu rei ocupava tal posição como uma incumbência sagrada. Natã declarou ousadamente que Davi era o indivíduo culpado de adultério e assassinato. Felizmente, para Natã, o rei se arrependeu.

A misericórdia de Deus era sua única esperança; e embora seu pecado tenha provocado efeitos terríveis como a morte da criança de Bate-Seba (12.15-19) e o enfraquecimento das fibras morais dos filhos de Davi, essa misericórdia o poupou. A notável honestidade do Antigo Testamento é aqui manifesta, pois não se faz nenhuma tentativa de esconder ou desculpar os lapsos morais patentes do grande rei.

As crises espirituais de Davi achavam exaltada expressão em poemas (Sl 32; 51). Foi-lhe propiciado o perdão, mas deveras graves foram as conseqüências domésticas que lhe sobrevieram (2Sm 12.11).

Conflitos na Coroa

A imoralidade e o homicídio, no seio da família não demoraram a envolver Davi na guerra civil e na contenda. Custaram caro para a moral dos soldados arregimentados em Israel. Eles eram obrigados a portar armas por períodos longos, junto com o exército particular de Davi, formado por mercenários.

Na própria corte, aumentavam as intrigas e a conivência – especialmente entre as esposas de Davi – quando se levantava a questão de sua sucessão. A falta de disciplina e de autocontrole de Davi deixaram um exemplo negativo para seus filhos. O comportamento imoral de Amom com sua meia-irmã resultou em seu assassinato por parte de Absalão, um outro filho de Davi.

Naturalmente, Absalão incorreu no desfavor de seu pai. Como resultado, ele sentiu ser expediente deixar Jerusalém, refugiando-se com Talmai, seu avô, em Gesur, terra natal de sua mãe. Ali ele permaneceu por três anos.

Joabe, uma figura política poderosa, como homem de confiança do rei, procurava a reconciliação entre pai e filho. Conseguiu a aprovação do rei para trazer Absalão de volta a Jerusalém, e por dois anos o jovem ficou impossibilitado de dirigir-se à corte do pai.

Absalão – Um rebelde rebelado

A graça e a beleza pessoal de Absalão contrapunham-se a um oportunismo irresponsável. Ele instigou descontentamento entre os litigantes junto ao portão, dizendo que julgaria em favor deles, caso assumisse a responsabilidade dos negócios de Israel. Esse encanto e malícia fizeram dele uma ameaça séria à segurança de Davi (13.15.1-6). A conspiração dissimulada tornou-se rebelião aberta quando Absalão proclamou-se rei em Hebrom ( 13.7-12). O abuso do poder cometido por Davi foi superado com vantagem por Absalão

Davi reuniu seu grupo fiel de mercenários filisteus e fugiu para Jerusalém. O quadro do rei batido subindo o monte das Oliveiras com pés descalços, cabeça coberta, em lamento e faces molhadas de lágrimas é o mais tocante do antigo Testamento.

Particularmente triste para Davi foi o relato de que seu sábio conselheiro e amigo, Aitofel, juntara-se aos rebeldes (15.30s.;16.15-23). Uma das poucas luzes era a lealdade de Husai (Usai), a quem Davi comissionou para ficar em Jerusalém a fim de espionar Absalão. Husai conseguiu frustar o conselho de Aitofel que recomendou perseguição imediata de Davi. Aitofel ficou tão abatido que suicidou-se.

Depois de consolidar suas forças na Transjordânia, Davi, provavelmente acompanhado de grupos de cidadãos fiéis, enviou três exércitos para combater Absalão. Eles esmagaram de forma decisiva as tropas rebeldes. Absalão foi morto por Joabe, contra as ordens do pai dele. O general sabia que seria impossível obter paz enquanto Absalão vivesse.

Tendo sido removido Absalão, o povo novamente se voltou para Davi, em busca de liderança. A tribo de Judá, que dera apoio ao filho rebelde de Davi foi o último grupo a dar as boas vindas, depois que ele fez uma apressada concessão, substituindo Joabe por Amasa.

Durante praticamente uma década do reinado de Davi as solenes palavras proferidas por Natã se cumpriram realisticamente. Começando pela imoralidade de Amnom, e prosseguindo até a supressão da rebelião de Seba, o mal foi fomentado na própria casa de Davi. A lembrança desta profecia foi muito importante na história do povo de Israel.

A promessa da estabilidade do trono de Davi "para sempre" vai gerar a esperança de que um descendente de Davi será o Messias, o restaurador de Israel. O "davidismo" é uma corrente que atravessa os diversos períodos da história de Israel e vai desembocar no Novo Testamento, no qual Jesus é identificado com "filho de Davi".

Um dos projetos favoritos de Davi, durante os últimos anos de sua vida, foi providenciar os preparativos para a construção do templo. Planos elaborados e arranjos detalhados foram cuidadosamente traçados, na aquisição de material de construção. O reino foi bem organizado, para que se fizesse emprego eficiente do labor local e estrangeiro. Davi chegou a esboçar os detalhes da adoração religiosa, na estrutura planejada.