segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Lei de Moisés foi perfeita ou imperfeita? (Hb 7.19)

O internauta Thiago Crisóstomo indaga:

Pastor João Luiz: A Lei de Moisés foi perfeita ou imperfeita? Explique por favor Hebreus 7.19.

A Lei de Moisés foi perfeita ou imperfeita? (Hb 7.19)

O salmista declarou que "a lei do Senhor é perfeita" (Sl 19.7). Ela revela o real caráter de Deus (cf Lv 11.45). Entretanto, o autor de Hebreus insiste em que "a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma" (Hb 7.19), e assim Deus providenciou uma "superior aliança" (Hb 7.22). Ele argumenta que isso não teria sido necessário "se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito" (Hb 8.7). Assim, quem está com a razão? A lei é perfeita ou imperfeita?

A lei é perfeita em sua natureza, mas imperfeita em seus resultados. Ela é uma perfeita expressão da justiça de Deus, mas é um meio imperfeito para tornar o homem justo. Com certeza, isso não foi uma falha na lei em si, nem no propósito pelo qual ela foi dada por Deus, porque a lei nunca teve o propósito de redimir os pecadores (Tt 3.5-6; Rm 4.5), mas de revelar o pecado.

Como um padrão e um meio de revelar o pecado, a lei foi uma norma e um mestre impecáveis. Mas ela foi apenas um "aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé" (Gl 3.24). Como um espelho, a lei tinha o propósito de revelar as nossas imperfeições ao olharmos para ela; mas ela, tal como espelho, não tinha o propósito de corrigir as nossas imperfeições.

A lei, portanto, é perfeita em si mesma, como uma norma e como o que revela o pecado, mas é imperfeita como um meio de nos capacitar a vencer o pecado.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Conversão

A Conversão

 

A vida cristã, por sua própria natureza e definição, representa algo bem diferente da vida que tínhamos anteriormente. Em contraste com estar morto no pecado e nas transgressões, é uma nova vida. Embora tenha duração vitalícia e até eterna, ela possui um ponto finito em seu início. "Um jornada de mil milhas começa com um simples passo", disse o filósofo chinês Lao Tsé. E assim é a vida cristã. O primeiro passo da vida cristã é chamado conversão. É o ato de deixar o pecado em arrependimento e voltar-se para Cristo em fé.

A figura de dar as costas para o pecado é encontrada tanto no Antigo como no Novo Testamento. No livro de Ezequiel, lemos a palavra do Senhor ao povo de Israel. "Portanto, eu vos julgarei, a cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões e a iniqüidade não vos servirá de tropeço. Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo, pois, por que morrereis, ó casa de Israel? Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto, convertei-vos e vivei" (Ez 18.30-32). Em Efésios 5.14, Paulo usa outras imagens, mas o conteúdo básico é o mesmo: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará". Em Atos encontramos Pedro defendendo uma mudança na direção da vida: "Arrependei-vos, pois e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados" (At 3.19). É notável que nas passagens que citamos a ordem está na voz ativa. O que se diz na realidade é: "Convertam-se!".

A conversão é um ato único que possui dois aspectos distintos, mas inseparáveis: o arrependimento e a fé. Arrependimento é o ato de o incrédulo dar as costas para o pecado, e fé, seu ato de voltar-se para Cristo. São, respectivamente, o aspecto negativo e o positivo do mesmo acontecimento. Em certo sentido, um é incompleto sem o outro, e um é motivado pelo outro. Quando tomamos consciência do pecado e o deixamos, vemos a necessidade de nos voltar para Cristo para sermos providos de sua justiça. Por outro lado, a fé em Cristo torna-nos conscientes de nosso pecado e, portanto, nos leva ao arrependimento.

As Escrituras não nos especificam a quantidade de tempo implicada na conversão. Em algumas ocasiões parece ter ocorrido uma decisão cataclísmica, com a mudança acontecendo praticamente em segundos. Para algumas pessoas, porém, a conversão foi mais um processo (Jo 19.39). De modo semelhante, as reações emocionais que acompanham a conversão podem variam em muitos aspectos. A conversão de Lídia a Cristo parece ter sido muito simples e calma quanto à natureza (At 16.14). Por outro lado, uns poucos versículos adiante, lemos sobre o carcereiro filipense que, ainda tremendo de medo por ter ouvido que nenhum dos prisioneiros havia fugido depois do terremoto, clamou: "Que devo fazer para ser salvo?" (v.30). As experiências de conversão deles foram muito diferentes, mas o resultado final foi o mesmo.

ÀS vezes, a igreja se esquece que há variedade na maneira de Deus agir. No oeste americano, um modelo de pregação tornou-se estereótipo. A vida era incerta e, muitas vezes difícil, e o evangelista itinerante só vinha ocasionalmente. O padrão geral da pregação incluía uma forte ênfase no horror do pecado, uma apresentação vigorosa da morte de Cristo e de seus benefícios e, então, um apelo emocional para que se aceitasse a Cristo. Os ouvintes eram pressionados a tomar uma decisão imediata. E, assim, a conversão passou a ser entendida como uma decisão de crise. Embora Deus com freqüência trabalhe com os indivíduos dessa maneira, diferenças quanto à personalidade, formação e circunstâncias imediatas podem resultar em outros tipos de conversão. É importante não exigir que os incidentes ou os fatores externos da conversão sejam idênticos para todos.

É importante também fazer distinção entre conversão e conversões. Só existe um grande ponto na vida em que o indivíduo volta-se para Cristo em resposta à Sua oferta de salvação. Pode haver outros pontos em que os crentes precisem abandonar determinada prática ou crença para não retornar à vida de pecado. Esses eventos, porém, são secundários, reafirmações daquele grande passo já dado. Diríamos que podem ocorrer muitas conversões na vida cristã, mas apenas uma Conversão.

O chamado eficaz é uma obra especial de Deus nos eleitos, dando-hes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam

O chamado eficaz é uma obra especial de Deus nos eleitos, dando-hes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam.

A doutrina da salvação abrange uma área ampla e complexa do ensino bíblico e da experiência humana. Por conseguinte, é necessário traçar algumas distinções entre suas várias facetas. A conversão e a regeneração são aspectos subjetivos do início da vida cristã; são mudanças em nossa natureza interna, nossa condição espiritual. A conversão é a mudança conforme vista da perspectiva humana; a regeneração é essa mudança conforme vista da perspectiva de Deus. A união com Cristo, a justificação e a adoção, por outro lado, são aspectos objetivos do início da vida cristã; referem-se primeiramente ao relacionamento entre o indivíduo e Deus.

Evidencia-se pelas Escrituras que existe um chamado geral para a salvação, um convite estendido a todas as pessoas. Jesus disse:" Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobre carregados, e eu vos aliviarei"(Mt 11.28). Além disso, quando Jesus disse:" Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos" (Mt 22.14), é provável que estivesse fazendo referência ao convite universal de Deus. Mas note aqui a distinção entre chamados e escolhidos. Os que são escolhidos são os objetos do chamado especial ou eficaz de Deus.

Por chamado especial entende-se que Deus atua de forma particularmente eficaz com os eleitos, dando-lhes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam. As circunstâncias do chamado especial podem variar amplamente. Vemos Jesus lançando convites especiais aos que vieram a formar o círculo fechado de discípulos (Mt 4.18-22; Mc 1.16-20); Jo 1.35-51). Ele destacou Zaqueu para lhe dar atenção especial de modo direto e pessoal, com um poder de persuasão especial não percebido pela multidão ao redor. Vemos outra intervenção dramática de Deus na conversão de Saulo (At 9.1-19). Às vezes, seu chamado assume uma forma mais tranqüila, como no caso de Lídia: "O Senhor lhe abriu o coração para atender às cousas que Paulo dizia" (At 16.14).

O chamado especial é, em grande medida, a obra de iluminação do Espírito Santo, dando ao receptor a capacidade de compreender o verdadeiro significado do evangelho. Essa obra do Espírito é necessária porque a depravação que caracteriza todos os homens os impede de captar a verdade revelada de Deus.

{A primeira obra do Espírito é capacitar os homens a entenderem a obra divina da redenção. Este [a cruz] foi um evento cujo significado era loucura para os gregos e uma ofensa para os judeus. Mas, para aqueles iluminados pelo Espírito, é a sabedoria de Deus. Em outras palavras, Paulo reconhece um significado oculto no evento histórico da morte de Cristo ("Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo", 2 Co 5.19), que não está evidente aos olhos humanos, e só pode ser aceito através de iluminação sobrenatural.[...] Somente através da iluminação do Espírito pode o homem, portanto, confessar o significado da cruz; somente através do Espírito pode o homem entender o significado da cruz; somente através do Espírito pode o homem, portanto, confessar que o Jesus que foi executado é também o Senhor (1 Co 12.3).George Ladd}

O chamado especial ou eficaz abrange, portanto, uma apresentação extraordinária da mensagem da salvação. Ela é suficientemente poderosa para combater os efeitos do pecado e dar condições para a pessoa crer. Ela é também tão atraente que a pessoa de fato crê. O chamado especial é, em muitos sentidos, semelhante à graça preveniente de que falam os arminianos. Difere, porém daquele conceito em dois aspectos. Ele é concedido apenas aos eleitos, não a todos os homens, e leva infalivelmente ou eficazmente a uma resposta positiva da parte do receptor.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Narrativa Que Interpreta o Nome de Javé

A Narrativa Que Interpreta o Nome de Javé (Ex 3.9-14)

O Israel do Antigo Testamento considerou o nome de Javé como dádiva que se tornou tão preciosa no decorrer dos tempos que Israel não pronunciou mais aquele nome, mas o substituiu por outras palavras – porque não queria profanar e nem lembrar o mistério, que este nome contém. Os devotos bíblicos da época da monarquia tentaram gravar a significância e a profundidade do nome Javé de outra maneira. Eles contaram uma história com sentido profundo, na qual Javé mesmo desvenda e ao mesmo tempo encobre de Seu nome:

E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem.    Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito. Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?     E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte.     Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?     E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. ( Ex 3.9-14).

Esta pequena história quer incutir, sobretudo duas coisas. De um lado, ela lembra as situações nas quais o nome Javé tinha sido pronunciado. Ele não é informação interessante, nem uma instrução inteligente, mas foi falado a homens que estavam até o pescoço nas águas da morte e do medo. A frase "Javé" = " Ele quer e vai estar aqui convosco" é sinal de esperança. A tarefa mais importante dos servidores enviados por este Deus é anunciar este sinal da esperança fiel e corajosamente – especialmente diante dos faraós de todos os tempos.

Mas a ação libertadora deste Deus não é a ação de robô manipulado. Que e como Javé leva o Seu povo para liberdade por Ele desejada, é Seu presente, que deve ser aceito como tal. O caráter de dádiva desta libertação, que, ao mesmo tempo, não elimina Sua soberania, sublinha, em nossa narrativa, a frase misteriosa pela qual javé responde à pergunta de Moisés. " Qual é o seu nome?", quando diz: Meu nome, Javé dir-vos-à:'Eu quero estar aqui convosco como aquele que quer estar aqui convosco'". Esta frase complicada que se encontra de forma semelhante em outro discurso de Javé, em Êx 33.19: " Farei graça a quem eu quiser agraciar, e terei misericórdia de quem eu quiser", quer afirmar expressamente como, quando, para que e de quem o Deus de Israel quer Ser conhecido como Deus libertador e salvador. São quatro os aspectos da proximidade de Javé contidos nesta frase gramaticalmente particular:

  1. Confiança Certa – "Eu estou aqui convosco de tal maneira que vós podeis contar comigo. Até caminhando no vale da morte, podeis confiar que eu estou aqui. Até quando fugis de mim, duvidando, gritando ou emudecidos, podeis saber: Eu estou aqui convosco, ainda que vós não me reconhecêsseis".
  2. Disponibilidade: "Eu estou aqui convosco de tal maneira que tendes de contar comigo, quando e como quero – talvez até em momento e de maneira que vos incomode. Pode haver situações e estações do vosso caminho de vida, nas quais quereis lembrar-vos de que eu estou aqui convosco ou nas quais preferiríeis outro Deus".
  3. Exclusividade: "Eu estou aqui convosco de tal maneira que contais unicamente comigo como aquele que pode estar próximo para salvar-vos. Contar comigo exige de vós a decisão clara de levar a sério que eu sou o único para vós, que tem permissão de dar-vos apoio e medida. Só em mim podeis e deveis encontrar o verdadeiro amor, a verdadeira bondade e a verdadeira vida".
  4. Ilimitação: "Eu estou aqui convosco de tal maneira que minha proximidade não tem limites de lugar, de tempo e de instituição. Quando estou aqui convosco, pode ser que esteja com os vossos inimigos ao mesmo tempo. Minha proximidade que salva transcende a terra, sobre a qual viveis e da qual fazeis muitas vezes o centro da vossa vida. Sequer a morte é limite para mim e não pode limitar a minha vitalidade".

Que esta promessa de vários aspectos da proximidade da Javé era sempre mais do que o sonho para Israel, tinha a sua razão, sobretudo no êxodo histórico: ele era e continua sendo também para as novas gerações a experiência fundamental, na qual se podia confiar e a partir da qual se podia esperar que a experiência "Ele quer estar aqui como aquele que liberta" continuaria possível e válida, inclusive após o êxodo histórico

sábado, 9 de janeiro de 2010

Regeneração, Justificação e Adoção

A Regeneração

Quando correspondemos ao chamado divino e ao convite do Espírito e da Palavra, Deus realiza atos soberanos que nos introduzem na família do Seu Reino: regenera os que estão mortos nos seus delitos e pecados; justifica os que estão condenados diante de um Deus santo; e adota os filhos do inimigo. Esses atos ocorrem simultaneamente naquele que crê.

A regeneração é a ação decisiva e instantânea do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria de novo a natureza interior. O substantivo grego (palingenesia) traduzido por "regeneração" aparece pelo menos duas vezes do Novo Testamento. Mateus 19.28 emprega-o com referência aos tempos do fim. Somente Tito 3.5 se refere à renovação espiritual do indivíduo. Embora o Antigo Testamento tenha em vista a nação de Israel, a Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece. O Senhor "tirará da sua carne o coração de pedra e lhes dará um coração de carne" (Ez 11.19). Deus diz "Espalharei água pura sobre vós, ficareis purificados... E porei dentro de vós o meu Espírito e darei que andeis nos Meus estatutos" (Ez 36.25-27). Deus colocará a Sua lei "no seu interior e a escreverá no seu coração" (Jr 31.33). Ele "circundará o teu coração... par amares ao Senhor "(Dt 30.6).

O Novo Testamento apresenta a figura do ser criado de novo (2 Co 5.17) e a da renovação (Tt 3.5), porém a mais comum é a de "nascer" (Gr gennaõ, "gerar" ou "dar à luz"). Jesus disse: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (Jo 3.3). Pedro declara que Deus, em Sua grande misericórdia, "nos gerou de novo para uma viva esperança" 1Pe 1.3. ´

E uma obra que somente Deus realiza. Nascer de novo diz respeito a uma transformação radical. Mas ainda se faz mister um processo de amadurecimento. A regeneração é o início do nosso crescimento no conhecimento de Deus, na nossa experiência de Cristo e do Espírito e no nosso caráter moral.

Justificação

Assim como a regeneração leva a efeito uma mudança em nossa natureza, a justificação modifica a nossa situação diante de Deus. O termo "justificação" refere-se ao ato mediante o qual, com base na obra infinitamente justa e satisfatória de Cristo na cruz, Deus declara os pecadores condenados livres de toda a culpa do pecado e de suas conseqüências eternas, declarando-os plenamente justos aos Seus olhos. O Deus que detesta "o que justifica o ímpio" (Pv 17.15) mantém Sua própria justiça ao justificá-lo, porque Cristo já pagou a penalidade integral do pecado (Rm 3.21-26). Constamos, portanto, diante de Deus como plenamente absolvidos.

Para descrever a ação de Deis a justificar-nos, os termos empregados pelo Antigo Testamento (hb tsaddiq: Êx 23.7; dikaioõ: Mt 12.37; Rm 3.20; 8.33,34 sugerem um contexto judicial forense. Não devemos, no entanto, considerá-la um ficção jurídica, como se estivéssemos justos sem no entanto sê-lo. Por estarmos nEle (Ef 1.4,7,11), Jesus Cristo tornou-se (Gr logizomai) sua justiça em nosso favor Ela é imputada a nós.

Como ocorre a justificação no crente? A Bíblia deixa duas coisas bem claras. Em primeiro lugar, não é por causa de nenhuma boa obra de nossa parte. Realmente, "Cristo morreu debalde" se a justiça provém da obediência à Lei (Gl 2.21). Quem procura ser justificado mediante a Lei está sujeito à maldição (Gl 3.10), foi "separado de Cristo" e "caiu da graça" (Gl 5.4). Quem imagina estar mais justificado depois de servir ao Senhor durante cinco ou 55 anos ou pensa que boas obras obtêm mérito diante de Deus, deixou de compreender o ensino bíblico.

Em segundo lugar, no próprio amado do Evangelho encontra-se a verdade de que a justificação tem sua origem na livre graça de Deus (Rm 3.24) e Sua provisão no sangue que Cristo derramou na cruz (Rm 5.19), e nós a recebemos mediante a fé (Ef 2.8). É comum, quando ocorre a idéia da justificação no Novo Testamento, a fé (ou o crer) achar-se ligada a ela (cf. At 13.39; Rm 3.26,28, 30; 4.3,5; 5.1; Gl 2.16; 3.8). A fé nunca é o fundamento da justificação. O Novo Testamento jamais afirma que a justificação é dia pistin ("em troca da fé"), mas sempre dia pisteos, ("mediante a fé"). A Bíblia não considera meritória a fé, mas simplesmente como a mão vazia estendida para aceitar o dom gratuito de Deus. A fé tem sido sempre o meio de se receber a justificação, mesmo no caso dos santos do Antigo Testamento (Gl 3.6-9).

Tendo sido justificados pela graça, mediante a fé, experimentamos grandes benefícios de agora em diante. "Temos paz com Deus" (Rm 5.19) e estamos preservados "da ira de Deus" (Rm 5.9). Temos a certeza da glorificação final (Rm 8.30) e a libertação presente e futura da condenação Rm 8.33,34). A justificação nos torna "herdeiros, segundo a esperança da vida eterna" (Tt 3.7).

A Adoção

Deus, no entanto, vai além de nos colocar em situação correta diante dEle. Conduz-nos também a um novo relacionamento, pois nos adota em Sua família. A "adoção", um termo jurídico, é o ato da GRAÇA SOBERANA MEDIANTE O QUAL Deus concede todos os direitos, privilégios e obrigações da afiliação àqueles que aceitam Jesus Cristo. Embora o termo não apareça no Antigo Testamento, a idéia se acha ali (Pv 17.20). A palavra grega huiothesia, "adoção", aparece cinco vezes no Novo Testamento, somente nos escritos de Paulo e sempre no sentido religioso. Ressalva-se que, ao sermos feitos filhos de Deus, não nos tornamos divinos. A divindade pertence ao único Deus verdadeiro.

A doutrina da adoção, no Novo Testamento, leva-nos, desde a eternidade passada e através do presente, até a eternidade futura (se for apropriada semelhante expressão). Paulo diz que Deus "nos elegeu dele [em Cristo] antes da fundação do mundo" e "nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo" (Ef 1.4,5). Diz também, a respeito de nossa experiência presente:" Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos [huiothesia], pelo qual clamamos [em nosso próprio idioma Aba [aramaico Pai], Pai [Gr. ho patêr]" (Rm 8.15). Somos plenamente filhos, embora ainda não sejamos totalmente maduros. Mas no futuro, ao deixarmos de lado a mortalidade, receberemos "a adoção, saber, a redenção do nosso corpo" (Rm 8.23). A adoção é uma realidade presente, mas será plenamente realizada na ressurreição dentre os mortos. Deus nos concede privilégios de família mediante a obra salvífica do Seu Filho incomparável, daquEle que não se envergonha de nos chamar irmãos (Hb 2.11).

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Respeitem à Memória dos Autores da Harpa Cristã! Respeitem a Harpa Cristã! Final

VI. A HARPA CRISTÃ COMO LETRA E MÚSICA

Em 1937, a Convenção Geral das Assembléias de Deus, reunida em São Paulo, nomeou uma comissão para editar e imprimir a primeira Harpa Cristã com música. Desta comissão faziam parte: Emílio Conde, Samuel Nyström, Paulo Leivas Macalão, João Sorhein e Nils Kastiberg. Neste empreendimento, também tomou parte ativa o Dr. Carlos Brito.

VII. A HARPA CRISTÃ COM 524 HINOS

Com o passar dos tempos, outros hinos foram sendo acrescentados até que o nosso hinário oficial atingisse 524 hinos. Número esse que, durante várias décadas, caracterizou a Harpa Cristã.

Até 1981, quase todos os hinos da Harpa Cristã já haviam sido revisados. Os mais altos foram transpostos para tons mais acessíveis ao cântico congregacional.

VIII. A HARPA CRISTÃ ATUALIZADA

Em 1979, mediante proposta apresentada pelo Pastor Adilson Soares da Fonseca, o Conselho Administrativo da CPAD, cumprindo resolução da Assembléia Geral da CGADB reunida em Porto Alegre, naquele ano, nomeou uma comissão para proceder a uma revisão geral da música e da letra da Harpa Cristã.

A comissão era formada pelos seguintes Pastores: Paulo Leivas Macalão, Túlio Barros Ferreira, Nicodemos José Loureiro, Antonio Gilberto, e João Pereira. Nesta empreitada, também tomou parte ativa o Pastor e consagrado poeta Joanyr de Oliveira. Em termos técnicos, os trabalhos contaram com dois obreiros especializados: João Pereira, na correção e adaptação da música; e Gustavo Kessler, na revisão das letras.

Lançada em 1992, a Harpa Cristã Atualizada foi aceita em muitas igrejas, mas a maioria optou por ficar com a Harpa Tradicional. De qualquer forma, a experiência serviu para rever a hinódia pentecostal, tornando-a mais viva e participativa em nossas reuniões.

IX. A HARPA CRISTÃ AMPLIADA

Tendo em vista as necessidades de nossa igreja, a CPAD, sob a direção executiva de Ronaldo Rodrigues de Souza, compreendeu ser urgente a ampliação da Harpa Cristã tradicional. E, sim, foram acrescentados mais 116 hinos a fim de atender a todas as exigências cerimoniais e litúrgicas da igreja.

A Harpa Cristã Ampliada, lançada em 1999, representa mais um avanço da já riquíssima hinódia pentecostal.

CONCLUSÃO

Rogamos a Deus, pois, para que a Harpa Cristã continue a levar o Evangelho de Cristo e o avivamento a todos os cantos de nosso país. Cantando também se evangeliza. Cantando também se promove o avivamento. Não foi o que fizeram nossos pioneiros?

PS: Existem hoje, no Brasil, diversas denominações evangélicas, de cunho pentecostal, que utilizam o nosso hinário. Essas igrejas, muitas delas neo-pentecostais, tem encontrado em nosso cancioneiro não somente a melodia, mas também a mensagem que faz a diferença no mundo espiritual.

Abaixo, os diversos modelos de Harpa Cristã, editadas pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus no Brasil - CPAD. Organizada com objetivo de elevar o cântico congregacional e proporcionar um melhor louvor a Deus, a Harpa Cristã, com um total de 640 hinos, representa mais um avanço que auxiliará na divulgação do evangelho através do louvor a Deus. Além das Harpa Cristã, edições variadas, há também as publicadas junto com as diversas Bíblias, de cores e tamanho variados, agradando a todo o tipo de faixa etária incluídos de nossas igrejas.

Em tempo, e, para os que se acham em condições de desmerecer, desdenhar, criticar, até mesmo rejeitar os hinos da Harpa Cristã, seria bom que procurassem antes conhecer sua vida e história, não simplesmente, utilizar-se de falácias ao seu respeito e, também à memória de seus autores. A propósito, caso você não saiba as músicas e tonalidades as quais os hinos foram escritos, e utilize isto como bengala para rechaçar Harpa Cristã, ainda há tempo de corrigir-se. Música se aprende. O que não faltam são escolas musicais e professores para este mister.

Se você é músico e está entediado da Harpa Cristã e suas melodias, porque você não cria um arranjo para modernizar os hinos? Sem bagunça, é claro. E com autorização dos responsáveis que detêm os direitos autorais. Ou você é somente um crítico que deseja aparecer?

Que tristeza!!

www.assembleiadedeus100.org.br

Respeitem à Memória dos Autores da Harpa Cristã! Respeitem a Harpa Cristã! Parte 1

Um internauta, leitor do blog, não querendo identificar-se, me encaminhou um protesto com alegação de perceber certa ofensa e descaso concernente a Harpa Cristã. Sua indignação foi tanta que ele resolveu sair do culto em que estava, pois, não suportou tamanho agravo.

Resolvi postar

Não é de agora que se ouve comentário jocoso e maldoso com respeito à Harpa Cristã e seus belos hinos. Penso que, de alguma maneira, isto é uma forma de preconceito que grassa a mente de alguns modernistas. Estes sem qualquer conhecimento de fundo histórico aventam nos púlpitos (lamentavelmente eles utilizam os púlpitos) e, de posse do microfone (quando sabiamente usado é uma bênção para a comunicação) esbravejam, soltam uma enxurrada de aberrações, palavras torpes, mentiras e até blasfêmias, no frenesi de suas calorosas emoções e supostas inspiração do Espírito Santo, ofendem os ouvidos, a mente e o coração do público que, não podendo manifestar-se, é obrigado a calar-se frente à tamanha e estapafúrdia ação do orador.

Acredito que o maior empecilho ao progresso é o sucesso anterior, todavia, nunca devemos "remover os marcos antigos que fizeram nossos pais" (Pv 22.28). Marcos são cercas, cercas impõem limites. Jamais derrube uma cerca sem saber, antes, a razão de ela ter sido construída!

Nossas almas desejam hinos que a enlevem. E não só isto; que traduzam a mensagem do Evangelho genuíno como ele só. Não canções que balançam o corpo, fazem gingar, expõe sensualidade e sensualismo. Mexem com o emocional e até faz chorar, entretanto, não causa constrangimento, contrição, arrependimento. Alto lá!

Entendo que se continuar escrevendo, não pararei hoje.

RESUMO HISTÓRICO DA HARPA CRISTÃ

Eusébio de Cesaréia (260-340) é considerado, com justa razão, o pai da História da Igreja Cristã. O que poucos estudiosos sabem é que ele foi também um grande apreciador da verdadeira música sacra. Embora vivesse num período em que esta apenas ensaiava seus primeiros passos, pôde Eusébio externar-se muito emocionado:

Nós cantamos o louvor de Deus com saltério vivo. Porque mais agradável e caro a Deus do que qualquer instrumento é a harmonia da totalidade do povo cristão. Nessa cítara é a totalidade do corpo, por cujo movimento e ação a alma canta hinos adequados a Deus, e nosso salteio de dez cordas é a veneração do Espírito Santo pelos cinco sentidos do corpo e as cinco virtudes do espírito.

Nós, pentecostais, também temos o nosso saltério; a Harpa Cristã. Ao longo dessas décadas de avivamento e visitações contínuas ao cenáculo, vimos caracterizando-nos como uma fervorosa comunidade de adoração. E não foi sem motivo que os pioneiros oficiais houveram por bem denominar nosso hinário oficial de Harpa Cristã. Vejamos, pois, a natureza e a formação de nosso hinário.

I. O QUE É A HARPA CRISTÃ

A Harpa Cristã é o hinário oficial das Assembléias de Deus no Brasil. Ela foi especialmente organizada com o objetivo de enlevar o cântico congregacional e proporcionar o louvor a Deus nas diversas liturgias da igreja: culto público, santa ceia, batismo, casamento, apresentação de crianças, funeral, etc.

A sua primeira finalidade é transformar nossas igrejas e congregações em comunidades de perfeita adoração ao Único e Verdadeiro Deus. Não pode haver igreja sem louvor.

II. O INÍCIO DO CÂNTICO CONGREGACIONAL DA

ASSEMBLÉIA DEUS NO BRASIL

Em seus primórdios, a Assembléia de Deus usava os Salmos e Hinos, que também era utilizado por diversas igrejas evangélicas históricas. Mas em virtude de nossas peculiaridades doutrinárias, os pioneiros sentiram a necessidade de um hinário que também enfocasse as doutrinas pentecostais.

III. O CANTOR PENTECOSTAL

Em virtude dessa premência, foi lançado em 1921, o Cantor Pentecostal. Impresso pela tipografia Guajarina, sob a orientação editorial de Almeida Sobrinho, tinha o pequeno hinário 44 hinos e 10 corinhos.

O Cantor Pentecostal foi distribuído pela Assembléia de Deus de Belém, PA, que, naquela época, achava-se localizada na Travessa 9 de janeiro, 75.

IV. O SURGIMENTO DA HARPA CRISTÃ

Em 1922, foi lançada em Recife, PE, a primeira edição da Harpa Cristã, que viria a se tornar no hinário oficial das Assembléias de Deus. Sob a orientação editorial do Pastor Adriano Nobre, teve uma tiragem inicial de mil exemplares, e foi distribuída para todo o Brasil pelo missionário Samuel Nyström.

A segunda edição da Harpa Cristã, já como 300 hinos, foi impressa nas Oficinas Irmãos Pangeti, no Rio de Janeiro, em 1923. Já em 1932, tinha a Harpa Cristã 400 hinos.

V. A ELABORAÇÃO DOS HINOS

Na elaboração de nossos hinos, muito contribuiu o missionário Samuel Nyström. Como não tivesse perfeito conhecimento da língua portuguesa, ele traduziu, literalmente, diversas letras da riquíssima hinódia escandinava. Para que os poemas fossem adaptados às suas respectivas músicas, foi necessário que o Pastor Paulo Leivas Macalão empreendesse semelhante tarefa. Por isso, tornou-se o Pastor Macalão no principal elaborador e adaptador de nosso hinário oficial.

Não Quero Mais Ser Evangélico

Não quero mais ser evangélico

Publicado em 12/15/2009

Gilson Souto Maior Junior

Jornal da Cidade

Não estou brincando! A indignação toma conta de meu ser, pois não dá mais. Evangélico no Brasil virou sinônimo de movimento financeiro religioso, algo meio sem ética – ou totalmente se preferir – em que se rouba e depois ora pedindo perdão a Deus. O "mensalão" de Brasília revela não apenas o que há de pior na política brasileira, mas algo cheira mal na fé evangélica também (ou plagiando o filme, "Fé de mais não cheira bem"). Como é possível alguém orar e dizer que o "financiador" é uma bênção para a cidade? A verdade é que hoje a cristandade está com a síndrome de Geazi, servo do profeta Eliseu (2Reis 5.20-27). Correndo atrás dos tesouros de Naamã, a cristandade gananciosa (2Reis 5.20) mente e camufla situações para justificar seus pecados (2Reis 5.22); pior, esconde o pecado (2Reis 5.24), mostrando a hipocrisia em que vivem (2Reis 5;25). Desta vez foi a gota d'água, ver um pastor, que é deputado distrital – o que já é incoerente, pois ou é pastor ou deputado – e o presidente da Câmara, orando e pedindo a Deus pelo gestor das fraudes, chamando-o de "instrumento de bênção para nossas vidas e para a cidade". Para a cidade de Brasília eu não sei, mas parece que o gestor financeiro do mensalão foi uma "bênção" para outros.

Não é apenas isso (ou tudo isso), mas a Igreja Evangélica no Brasil virou um monstrengo, uma colcha de retalhos, que mistura "alhos com bugalhos", Bíblia com água e óleo ungido. Os pastores deixaram de ser homens de reconhecida piedade para serem executivos da fé; jogaram no lixo a orientação de Paulo para serem ministros de Cristo, que se ocupassem da leitura da Escritura, "à exortação e ao ensino" (1Timóteo 4:12,13), para serem ministros de si mesmo, onde a "escritura" agora é auto-ajuda, e a exortação e o ensino viraram barganha de promessas. Não me escandalizo mais, pois o que sinto é uma revolta contra aqueles que "seguiram pelo caminho de Caim, e por causa do lucro se lançaram no erro de Balaão..." (Judas 11).
Por isso não me chamem de "evangélico", pois este termo implicava numa atitude baseada no Evangelho de Cristo. Mas hoje isso virou um termo jocoso e maldoso. Não quero mais compactuar com pastores que vendem e compram igrejas (isso mesmo!) como se fossem propriedades privadas, investimentos financeiros lucrosos. Não quero mais saber deste evangelicalismo sem ética, sem doutrina e que está mandando milhares para o inferno. Chega deste evangelho de faz-de-conta, em que Jesus é apresentado como um "amigão", mas nunca como Senhor. Chega deste "evangelho" sem cruz, sem vergonha e mentiroso. Com certeza, Pedro está certo quando afirma pelo Espírito Santo: "... Tais homens têm prazer na luxúria à luz do dia... enganam os inconstantes e têm o coração exercitado na ganância. São malditos. Eles se desviaram, deixando o caminho reto e seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça" (2Pedro 2.13-15).
E agora? Onde estão os apóstolos que pedem dinheiro e se envolvem com as maracutaias religiosas? Onde estão aqueles que oram pelo dinheiro sujo e pedem em nome de Deus que os abençoe? Onde estão aqueles que vendem igrejas com membros e tudo mais? Que pedem "trízimo" (não estou brincando), ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo? Onde estão os profetas com suas "profetadas" e palavras "ungidas"? Onde está a Igreja que diz proclamar em alta voz que o Brasil é do Senhor Jesus? Ouçamos Isaías: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que transformam trevas em luz e luz em trevas, e ao amargo em doce, e o doce em amargo!... Por isso a ira do SENHOR acendeu-se contra o seu povo, e o SENHOR estendeu a mão contra ele e o feriu..." (Isaías 5.20,25a).
Aqui não é um julgamento. Que ninguém me venha com a falácia de "Não julgueis para não serdes julgados", pois isso é um simplismo de que se aproveitam muitos daqueles que são desonestos e usam a Bíblia para justificar suas ações. Diante da injustiça não podemos nos calar, seja ela de um evangélico ou não. Não me chamem de evangélico, pois não quero este evangelho mercadológico. Quero apenas ser cristão, quero apenas seguir a Cristo e viver para Ele.

O autor, Gilson Souto Maior Junior, é pastor sênior da Igreja Batista do Estoril e professor de Antigo Testamento e Hebraico da Faculdade Teológica Batista de Bauru – Fateo

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