" livra os que estão sendo levados para morte e salva os que cambaleiam indo para serem mortos " Pv 24.11
Eis o que pergunta o internauta Marcelo de Weber de Souza:
Pr João Luiz, este versículo justifica tentativas legais de "resgatar" bebês, impedindo pela força que mulheres grávidas cheguem às clínicas de aborto legalizadas?
Meu amado irmão Marcelo, esta passagem não justifica quebrar as leis do governo humano, instituído por Deus, mesmo que creiamos serem leis injustas. conforme Rm 13.1; 1Pe 2.13 "TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus." "Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior".
Aos crentes somente é permitido desobedecer a lei no caso de ela os compelir à prática do pecado, e não no caso de ela permitir que outra pessoa venha a pecar. Se assim não fosse, teríamos de fechar as portas das igrejas não-cristãs e dos templos não-cristãos, em que há pecado por estarem adorando falsos deuses.
Certamente devemos desobedecer uma lei que nos queira compelir a adorar ídolos (Dn 3), mas não temos de desobedecer uma que permita que outros façam isso.
Além disso, este texto(Pv 24) não dá base para tentativas ilegais de "resgates" por diversas razões.
Primeiro, o capítulo não dá respaldo à desobediência civil; ele ordena a obediência civil: "teme ao Senhor,...e ao rei"(v.21), onde o temor implica obediência às suas ordens (cf. Rm 13.1 e Tt 3.1).
Segundo, os que estão sendo levados à morte são vítimas dos que estão quebrando a lei; não são eles próprios que estão fazendo isso.
Em outras palavras, quem tentasse impedir um aborto nessas circunstâncias estaria agindo contrariamente à lei, visto que o aborto legal seria feito de acordo com a lei.
Não há indicações nesta passagem( e em nenhuma outra) de que os crentes tenham o direito de tomarem, de modo ilegal, os direitos legais dos outros, apenas por crerem pessoalmente que certas leis sejam injustas.
Nessa mesma linha incorreta de raciocínio de tais "resgatadores", chegaríamos ao ponto de impedir o caminho de qualquer um - de um juiz, do júri ou da polícia - por nossa conta, se acreditássemos que a condenação seria injusta.
Além disso, se fosse certo "resgatar" vidas pelo fechamento das portas daquelas clínicas, então por que não nos livrarmos delas jogando bombas sobre elas, destruindo seu suprimentos de energia, ou até mesmo assassinando as enfermeiras e os médicos envolvidos?
Não consideremos nem mesmo a possibilidade de tal coisa!
A verdade é que dois erros não produzem um acerto, e os fins não justificam os meios, mesmo sendo um processo ativo ou passivo de desobedecer um governo humano, instituído por Deus, que tenha estabelecido leis não-compulsórias, que permitem a outros pecar.
Espero ter esclarecido....
